Já não me deito em pose de morrer

Já não me deito em pose de morrer

poemas escolhidos

Livro 10

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SINOPSE

«Penso na poesia de Cláudia R. Sampaio como no discurso furioso que apenas alguém de profunda ternura poderia fazer. Sua tragédia, explícita, frontal, é a de saber a delicadeza quando tudo em seu redor propende para o grotesco e a cabeça se desafia em dúvida. Magnífica poeta, seu impasse é constante: "Quem sabe se não é agora que / possuo toda a loucura / e me faço mulher // Eu que da cintura para cima sou triste / e daí para baixo uma praia / a quem explodiram o mar / para depois o transformarem em / homem e em assombro também".

A expressão de Cláudia R. Sampaio é das mais contundentes da contemporaneidade. Não se ergue panfletária, ergue-se numa urgência íntima que não teme expor, usando sua vulnerabilidade para força, como alguém que mapeia as feridas procurando cicatrizá-las, e também glorificá-las, com o verso. Toda a poesia abeira a terapêutica, e aqui a terapêutica é fundamental, inclusive como forma de classificar cada detalhe do mundo, como protesto e como alegria do possível. A loucura e a terapia são íntimas e fertilizam, a um tempo, o pensamento e a sabedoria.

Que maravilha o desabrido desta poesia. Que maravilha que não seja demasiado limpa, demasiado educada, e se coloque sobretudo enquanto necessidade além da razão e de qualquer etiqueta. Uma poesia que redime tanta coisa mas que também gratamente infeta: "desta vida à outra / castigaram-nos com abraços / afogando o adeus corcunda / adiantado pelas colisões das / palavras / veneno abençoado / do nosso lar.".»

por Valter Hugo Mãe, curador da coleção "elogio da sombra"
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CRÍTICAS DE IMPRENSA

E quem conhece a poesia torturada, inclemente e vertiginosa de Cláudia R. Sampaio sempre encontrou aí sinais claríssimos das batalhas quotidianas, da doença bipolar que a afetou, com internamento incluído, do "auto sacrifício para levarmos mais um dia", e da angústia de viver num mundo sem lugar para "sonhos descabidos". Aqui pulsa igualmente uma beleza alucinada, o "milagre insuportável" que é viver, a certeza de que o "amor súbito é a escada para o entendimento". Um vocabulário ligado a fortes cargas visuais sobre a experiência de estar vivo.
Sílvia Souto Cunha
Visão
No ofício de tentar ver no escuro, a poesia de Cláudia R. Sampaio ergue-se furiosa e contundente, com uma urgência absoluta e necessária que não teme a procura nem a dúvida nem a exposição do mais íntimo e vulnerável nem a infecção primordial de todo o grotesco que a circunda, na demanda da ternura.
Adolfo Luxúria Canibal
Correio da Manhã
Pense nisto. E porque vai estar frio e a chover, aqui ficam quatro poetas maravilhosos para ler, durante o fim de semana, à lareira: Manuel Resende (1948-2020), tradutor e antigo jornalista do JN, que em 2018 - "70 anos depois de ter nascido e 50 anos depois do maio de 68" -, nos abençoou com 250 páginas de poesia, e esta semana nos deixou; Rui Caeiro (1943-2019), que perdemos em janeiro do ano passado, mas não sem antes deixar-nos o tesouro que é "O Sangue a Ranger nas Curvas Apertadas do Coração". Dois homens, dois mestres inigualáveis. E duas mulheres: Hilda Hilst (1930-2004), porque é excecionalíssima, e porque este ano faria 90 anos; e Cláudia R. Sampaio (1981), a jovem que não podemos perder de vista, e de quem acaba de sair, na Porto Editora, "Já não me deito em pose de morrer".

Helena Teixeira da Silva
Jornal de Notícias

COMENTÁRIOS DOS LEITORES

Poesia contemporânea
Ana | 2024-10-31
Estava curiosa há muito tempo e depois de tantas vezes recomendado no bookstagram e no podcast da mariana alvim, tive de o comprar. Gostei, um nome a seguir na literatura contemporânea portuguesa.
Poesia moderna portuguesa e de fácil leitura
Susana Fernandes | 2023-10-02
Ouvi falar deste livro e da autora no podcast da Mariana Alvim e decidi comprar apesar de nao saber nada sobre a obra e nao ser grande fã de poesia. A escrita é nua, crua, chega a provocar o leitor mas no final ficamos com a sensação que vale a pena ler os seus poemas porque são honestos e até nos identificamos com o que a autora partilha sem medo ou relutância.

DETALHES DO PRODUTO

Já não me deito em pose de morrer
de Cláudia R. Sampaio
ISBN: 978-972-0-03266-9
Edição/reimpressão: 01-2020
Editor: Porto Editora
Código: 03266
Idioma: Português
Dimensões: 162 x 198 x 16 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 164
Tipo de Produto: Livro
Classificação Temática: Livros > Livros em Português > Literatura > Poesia
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

sobre Cláudia R. Sampaio

Cláudia R. Sampaio nasceu em Lisboa, em 1981. É poeta e artista plástica. Estudou Escrita de Argumento, na Escola Superior de Teatro e Cinema, e escreveu para cinema, televisão e teatro. Publicou os livros de poesia Os Dias da Corja, A Primeira Urina da Manhã, Ver no Escuro, 1025 mg, Outro Nome para a Solidão, Já Não Me Deito em Pose de Morrer e Uma Mulher Aparentemente Viva. Está também publicada no Brasil com a trilogia Inteira Como Um Coice do Universo (Edições Macondo). Tem desenvolvido, em parceria, trabalhos musicais a partir dos seus poemas e já fez parte de vários grupos como diseure. Em 2019, juntou-se ao coletivo de arte Manicómio, no qual trabalha como artista e como membro da equipa de produção. No âmbito deste projeto, integrou, em janeiro de 2020, a primeira delegação portuguesa a ser convidada pela Outsider Art Fair — a maior feira de arte informal do mundo, em Nova Iorque — para expor a sua obra. Em 2024, foi uma das artistas da exposição Procissão: Louvar e Santificar, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), e a sua obra está representada em inúmeras coleções privadas. Vive em Lisboa, com as suas gatas Polly Jean e Pandora.
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