Homens imprudentemente poéticos

Homens imprudentemente poéticos

avaliação dos leitores (3 comentários)
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SINOPSE

Num Japão antigo o artesão Itaro e o oleiro Saburo vivem uma vizinhança inimiga que, em avanços e recuos, lhes muda as prioridades e, sobretudo, a capacidade de se manterem boa gente.
A inimizade, contudo, é coisa pequena diante da miséria comum e do destino.
Conscientes da exuberância da natureza e da falha da sorte, o homem que faz leques e o homem que faz taças medem a sensatez e, sobretudo, os modos incondicionais de amarem suas distintas mulheres.

Valter Hugo Mãe prossegue a sua poética ímpar. Uma humaníssima visão do mundo.
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CRÍTICAS DE IMPRENSA

Viajei há pouco para o Japão antigo que o Valter Hugo Mãe inventou para o romance Homens Imprudentemente Poéticos e entusiasmei-me deveras. É o mais delicado dos livros do Valter, entretecido com o gesto preciso e paciente de um artesão - aquele que, na definição que está no próprio livro, devolve os materiais à vocação que eles detêm por natureza. Nele o Valter parece um menino a inventar jogos com palavras: uma criança a inventar um Japão falso pelo qual se pode passear e sentir-lhe os cheiros.
Manuel Jorge Marmelo, Notícias Magazine
Ao sétimo romance, Valter Hugo Mãe parte de um lugar de morte no Japão para construir uma parábola intemporal sobre a solidão. Homens Imprudentemente Poéticos é um livro trágico onde o escritor apresenta um apurado trabalho de linguagem que o aproxima do seu lugar de origem: a poesia.
Isabel Lucas, Público
Surpreendente na reinvenção da língua portuguesa, no tema e cenário (…) este novo romance do autor é - mais uma vez - tão diferente que o torna uma das mais importantes vozes da literatura nacional (…). Aliás, se já o tinha conseguido com a máquina de fazer espanhóis, por exemplo; se subira um grande degrau na busca e execução do romance que tem como cenário a Islândia, A Desumanização, volta a realizar uma escrita inesperada nesta narrativa japonesa, onde transporta o leitor de uma forma elegante e íntima para aquela parte do mundo sem o fazer passar por um voyeur de costumes.
João Céu e Silva, Diário de Notícias
Homens imprudentemente poéticos, retrato de um Japão antigo, temeroso de forças sobrenaturais e obediente às lendas, é, de alguma forma, atravessado por referências místicas: fala-se em luz, revelações, penitências, epifanias (sobretudo num memorável capítulo passado dentro de um poço fundo, Itaro com um animal desconhecido a ofegar-lhe ao pescoço...).
Sílvia Souto Cunha, Visão
De ilha em ilha, de cultura em cultura, de descoberta em descoberta. Assim tem crescido a sua ficção mais recente, que de uma portugalidade inicial procura agora novas (e opostas) formas de encarar o mundo, a vida e a arte.
Luís Ricardo Duarte, Jornal de Letras
A explosão de lirismo patente em A Desumanização se prolonga com inexcedível brilho em Homens imprudentemente poéticos, envolvendo, inclusivamente, o próprio título. (…) Assim designaríamos o estilo de Homens imprudentemente poéticos – poético, suave, encantatório, ou, numa palavra, lírico. (…) Homens imprudentemente poéticos comprova que ler hoje Valter Hugo Mãe é um raro exercício da prática de beleza e que a sua destreza psicológica em descrever estados de consciência (tristeza, riso, medo, assombro e mistério, doçura e crueldade, paixão e amor, dor psíquica e sofrimento físico...) é tão sólida quanto a da metamorfose do português comum em português estético. Impossível escrever melhor (…).
Miguel Real, Jornal de Letras
“Este é um livro de uma beleza radiosa. Como arte de descrever sentimentos que, escondidos na sombra, precisam de ser iluminados.”
Fernando Sobral, Jornal de Negócios
Um dos aspetos em que VHM se distingue, para lá do multiforme talento constituindo uma das razões da diferença e do impacto de muitos textos seus, é na capacidade de compreensão da diversidade, mais, de admiração pelos outros e pelo que fazem. E, mais ainda, o seu gosto de a mar, proclamar, abertamente, sem submissão a quaisquer cálculos ou conveniências. O que, ao contrário do que muitos poderão pensar, não é tão frequente como isso...
José Carlos de Vasconcelos, Jornal de Letras
Uma luminosa parábola que fica a reverberar muito tempo depois.
José Tolentino Mendonça
As fascinantes personagens deste romance vivem num Japão que é ao mesmo tempo mitológico e íntimo, criado pela imaginação prodigiosa e profundamente poética do autor.
Richard Zimler
Pasmo com a facilidade com que Valter Hugo Mãe transmuta a língua portuguesa (e não me refiro apenas a o remorso de baltazar serapião), como lhe imprime uma elasticidade de que a julgávamos desprovida, encontrando-lhe novos ritmos, inventando-lhe novas imagens, produzindo-lhe toda uma outra semântica.
Adolfo Luxúria Canibal

COMENTÁRIOS DOS LEITORES

Excelente
Pedro Sousa |06.11.2016
Enriquece intelectual e linguísticamente uma utopia tão real e contemporânea!
walter hugo mãe e a palavra recusada
antónio josé cravo |16.10.2016
um livro em que o autor parece ter finalmente encontrado a sua "voz", construindo uma obra que, na sequência de "desumanização", é um poema em prosa. procuro uma palavra e nunca a encontro, recuso-me dizê-la. a depuração da escrita, a construção do "leque" com que abanei os dias em que o li, levou-me a uma montanha onde renasci para o prazer da leitura. "homens imprudentemente poéticos", traz-me aos ouvidos os gnr, rui reininho e a pronúncia do norte - há uma música que se funde e confunde com o livro.

DETALHES DO PRODUTO

Homens imprudentemente poéticos
ISBN:978-972-0-04886-8
Edição/reimpressão:09-2016
Editor:Porto Editora, S.A.
Código:04886
Idioma:Português
Dimensões:152 x 235 x 17 mm
Encadernação:Capa mole
Páginas:216
Tipo de Produto:Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
Valter Hugo Mãe é um dos mais destacados autores portugueses da atualidade. A sua obra está traduzida em variadíssimas línguas, merecendo um prestigiado acolhimento em países como o Brasil, a Alemanha, a Espanha, a França ou a Croácia. Publicou sete romances: Homens imprudentemente poéticos; A desumanizaçãoO filho de mil homensa máquina de fazer espanhóis (Grande Prémio Portugal Telecom Melhor Livro do Ano e Prémio Portugal Telecom Melhor Romance do Ano); o apocalipse dos trabalhadoreso remorso de baltazar serapião (Prémio Literário José Saramago) e o nosso reino. Escreveu alguns livros para todas as idades, entre os quais: Contos de cães e maus lobosO paraíso são os outrosAs mais belas coisas do mundo e O rosto. A sua poesia foi reunida no volume contabilidade, entretanto esgotado. Publica a crónica Autobiografia Imaginária no Jornal de Letras.
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