Cinza, Agulha, Lápis e Fosforozitos

Cinza, Agulha, Lápis e Fosforozitos

& outros brevíssimos textos sobre quase nada

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SINOPSE

Cobrindo um alargado espectro temporal (de 1901 a 1932), as brevíssimas composições (pequenas descrições, microcontos, breves apontamentos) que integram a presente antologia pintam delicadas cenas que, segundo a arguta descrição de W.G. Sebald, não duram mais do que um piscar de olhos. Os textos de Walser encenam uma discreta elegância, quase como se estivessem a pedir licença para existir. Neles se celebra a despojada humildade das pequenas coisas, dos mais ínfimos elementos que, votados – e eles próprios se votando – à sóbria desaparição, insistem em oferecer uma silenciosa e cintilante resistência à estridente voracidade do tempo: a cinza, a agulha, o lápis, o fósforo, a luva, o chapéu, o candeeiro, o relógio, o papel.
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COMENTÁRIOS DOS LEITORES

Observar Pela Fresta
Manuel Seatra | 2026-05-29
Cinza, Agulha, Lápis e Fosforozitos parece escrito por alguém que observa o mundo pela borda da mesa e nunca pelo centro. Walser tem esta capacidade quase absurda de transformar coisas mínimas (um passeio, um empregado, um objeto sem importância nenhuma...) em pequenos universos nervosos e delicados. Não há ali vontade de impressionar; pelo contrário, há uma espécie de humildade radical na escrita, como se cada frase estivesse prestes a pedir desculpa. Talvez seja precisamente isso que torna o livro tão estranho e bonito. Robert Walser escreve como quem desaparece devagar. O mais curioso é que o Walser nunca parece totalmente inocente. Há uma ironia fina escondida naquela aparente simplicidade, uma sensação constante de que o narrador está ao mesmo tempo encantado e esmagado pelo mundo. Os textos têm qualquer coisa de caminhada mental: avançam aos ziguezagues, distraem-se, tropeçam em detalhes inúteis e de repente acertam numa verdade brutal. É literatura que paira ao lado do leitor, meio tímida, mas depois fica-lhe na cabeça durante dias. Ler este livro hoje tem também qualquer coisa de resistência silenciosa. Num tempo em que tudo pede velocidade, opinião forte e presença constante, Walser escreve a partir da margem, do quase invisível, do fragmento pequeno que ninguém valorizaria. E há uma liberdade enorme nisso! Parece que se encontrou uma maneira de olhar para o mundo sem o conquistar - só caminhando através dele, atento às migalhas de beleza que a maioria das pessoas pisaria sem notar.
Ler com calma
JM | 2026-04-07
Cinza, Agulha, Lápis e Fosforozitos, de Robert Walser, é um conjunto de textos que parece leve à superfície, mas não é. Walser escreve em miniatura, com fragmentos que muitas vezes parecem quase insignificantes, mas onde há sempre um desvio subtil, uma estranheza que desestabiliza o que está a ser dito. A escrita é delicada, precisa, mas nunca inocente. Há uma espécie de humildade encenada que esconde uma inteligência muito fina. Nem todos os textos ficam, mas alguns acertam de forma inesperada. Não é um livro para ler de seguida. Funciona melhor em pequenas doses, deixando espaço para o que não é dito. Vale mais pela atmosfera e pelo olhar do que por qualquer construção evidente.

DETALHES DO PRODUTO

Cinza, Agulha, Lápis e Fosforozitos
de Robert Walser
ISBN: 978-972-37-2283-3
Edição/reimpressão: 03-2023
Editor: Assírio & Alvim
Código: 79532
Coleção: Gato Maltês
Idioma: Português
Dimensões: 117 x 185 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 128
Tipo de Produto: Livro
Classificação Temática: Livros > Livros em Português > Literatura > Contos
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

sobre Robert Walser

Robert Walser nasceu em Biel, na Suíça, em 1878 e viveu em Berna e Zurique, Estugarda e Berlim. Escreveu uma obra desdobrada em quinze livros, «estranho e fascinante espelho da vida», admirada por Musil, Kafka e Walter Benjamin. Morreu quando dava um dos seus passeios solitários no dia de Natal de 1956, perto do manicómio de Herisau, onde passou os últimos anos.
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