A Outra Filha
SINOPSE
CRÍTICAS DE IMPRENSA
Annie tinha dez anos quando um segredo religiosamente guardado pelos pais lhe foi acidentalmente revelado. Enquanto ela brincava com uma amiga, a mãe, num momento vulnerável, confidenciou a uma cliente que tivera outra filha antes de Annie. A menina partira aos seis anos, de difteria, dois anos antes de Annie nascer. A revelação daquela irmã, de quem os pais nunca lhe falariam diretamente, foi recebida como um choque asfixiante que pôs fim à inocência da sua infância.
A autora viu-se assim condenada a viver sob o vulto da irmã falecida, da qual não fala e cuja existência procurou reprimir e ignorar. No entanto, a própria rejeição da irmã reforça a ligação, tingindo não só a sua vida familiar, mas a sua própria identidade.
Ernaux não se limita a relatar aquilo que foi uma revelação traumática. Reflete e mergulha no impacto emocional, psicológico e familiar dessa perda na sua vida, desde criança até à idade adulta. Sem nunca cair no sentimentalismo, o discurso comove, com uma simplicidade crua. Esta carta comprova, uma vez mais, a mestria da autora em traduzir experiências profundamente pessoais, em narrativas universais. Ernaux leva o leitor à mais profunda das comoções, partilhando o seu avassalador sentimento de perda e deslocamento, e faz-nos refletir sobre "a longa vida dos mortos" e o seu peso na dos que vivem."
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