Skincare, redes sociais e pressão estética: o que pais e educadores precisam de saber

Na era das redes sociais, multiplicam-se os perfis de influencers que partilham rotinas de beleza e cuidados de pele, promovendo padrões estéticos muitas vezes irrealistas junto de crianças e adolescentes. Mas quais são os verdadeiros perigos desta tendência na autoestima dos mais novos?

| 25-05-2026

Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais comum vermos crianças e jovens a consumir conteúdos de skincare e maquilhagem nas redes sociais. Rotinas com vários passos e a ideia de uma pele perfeitamente lisa e sem imperfeições surgem diariamente no ecrã — muitas vezes como entretenimento, mas com impacto real na forma como os mais novos se veem e na sua autoestima.

É importante esclarecer: o problema não está no interesse pelo autocuidado. Cuidar de nós é positivo e ensinar a fazê-lo corretamente é fundamental. O problema surge quando esse interesse nasce da pressão para atingir padrões irreais ou da ideia de que características normais da pele precisam de ser corrigidas, como a textura da pele, os poros visíveis ou os filamentos sebáceos.

Hoje, muitos jovens crescem expostos a imagens com filtros, conteúdos editados e conteúdos promocionais apresentados de forma pouco clara. Isto pode criar a perceção de que uma pele saudável é uma pele perfeita, sem textura, poros ou imperfeições — algo que simplesmente não corresponde à realidade.

Enquanto profissional de saúde, preocupa-me não só o impacto emocional desta pressão estética, mas também as consequências práticas na pele. Nem todos os produtos são adequados para crianças ou adolescentes, e o uso desnecessário ou incorreto de determinados ingredientes — como ácidos esfoliantes ou retinoides — pode causar irritação, sensibilização, comprometer a barreira cutânea e até agravar algumas condições dermatológicas.

 

O que podem fazer os pais?

O papel dos pais e educadores não deve ser o de desvalorizar ou ridicularizar estes interesses, pois isso poderá ter o efeito oposto. Mais importante é perceber o que está por trás desse interesse: o que procuram? O que sentem quando consomem este tipo de conteúdo?

Também é essencial promover o pensamento crítico: nem tudo o que aparece nas redes corresponde a informação credível, fiável, científica, e nem tudo o que funciona para alguém deve ser replicado.

Aos jovens, deixo uma mensagem importante: cuidar da pele pode ser um gesto de bem-estar e autocuidado, mas nunca se deve tornar uma obrigação ou uma resposta à pressão para corresponder a padrões irreais. Pele real tem textura, poros, borbulhas ocasionais — e isso é normal.

Mais do que ensinar rotinas de skincare, talvez a conversa mais importante seja sobre autoestima, imagem e a diferença entre autocuidado e pressão estética. Porque uma relação saudável com a aparência começa muito antes de qualquer produto ou rotina.

 

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