Estratégias para promover a atenção e o foco do seu filho
”Estás sempre distraído!” é uma das queixas mais comuns entre pais e educadores. Mas e se o problema não fosse a falta de vontade, mas sim a falta de ferramentas? Apresentamos-lhe sugestões de atividades, transversais a todas as idades, para estimular a concentração do seu educando.
Marta Ramalho da Costa | 18-04-2026A atenção e o foco são como um músculo em desenvolvimento. Por isso, os mais pequenos cansam-se rapidamente; mas, à medida que são treinados, tornam-se progressivamente mais resistentes. Ainda assim, todos sabemos que ir ao ginásio nem sempre é a melhor parte do dia e que, entre o esforço e o conforto do telemóvel ou do sofá, muitas vezes escolhemos o conforto. Contudo, quando existe um objetivo, ou quando algo faz realmente sentido, vamos insistindo. É neste movimento que surge algo fundamental: a compreensão.
Obrigar os mais novos a focarem-se raramente resulta. Pelo contrário, quando conversamos com eles e os ajudamos a fazer um raio-X interno do que se passa dentro deles, estamos a ajudá-los a compreender-se e a crescer. A capacidade de pensar sobre o próprio pensamento é indispensável, porque permite perceber o que distrai, o que acontece no corpo quando há inquietação e que estratégias o ajudam a regular.
A atenção constrói-se, sobretudo, na repetição e na relação.
Naturalmente, reconhecer não significa mudar. Isto é, uma criança que percebe que está cansada não vai, apenas por ter consciência disso, conseguir focar-se de imediato. Contudo, passa a reconhecer o que sente e, a partir daí, o adulto pode assumir um papel de quem ensina a focar, ajuda a parar e hierarquiza tarefas.
Abaixo deixo algumas sugestões de atividades com a intenção de inspirar, nunca de serem lidas como soluções mágicas ou imediatas, uma vez que a atenção se constrói, sobretudo, na repetição e na relação. Algumas são transversais a todas as idades (como os exercícios de respiração ou o telemóvel fora do espaço de estudo) e, por isso, serão apresentadas apenas uma vez.
Leia também
Pré-escolar
A leitura de histórias curtas, sobretudo antes de dormir, deveria ser obrigatória.
Nesta idade, as crianças ainda são muito pequenas para compreender conceitos como o foco ou a concentração. Assim, o trabalho dos pais passa, sobretudo, pelo corpo, pela brincadeira e pela tradução das sensações.
Por isso, todas as atividades que envolvam corpo e mente são boas aliadas:
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O jogo da estátua obriga o corpo a parar e a sustentar essa paragem.
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O jogo do sapo é fundamental porque cria espaço entre o estímulo e a resposta. O sapo observa antes de saltar; da mesma forma, a criança deve adotar a posição do sapo, com as mãos na barriga para sentir o ar a entrar e a sair. O desafio é observar antes de reagir, mesmo quando surge a comichão ou o formigueiro.
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As atividades sensoriais (puzzles, plasticinas, missangas) têm relevância por tempo delimitado, uma vez que, nestas idades, as tarefas devem ser curtas.
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A leitura de histórias curtas (sempre em papel), sobretudo antes de dormir, deveria ser obrigatória. Durante o dia, pode ser acompanhada por perguntas simples sobre como o corpo se sentiu com aquela história.
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A respiração é uma técnica transversal a todas as idades que proporciona uma mente mais calma e é sempre um bom ponto de ancoragem. Para isso, as crianças ou os adolescentes devem colocar a mão na barriga e senti-la a subir e a descer.
1.º ciclo
Começar sempre pela tarefa mais simples e ir complexificando.
A criança passa para um mundo mais estruturado, com regras e exigências mais constantes. Nesta fase, lamentavelmente, surgem frases como “é muito distraído, mas tem capacidades”, quase como se isso fosse uma decisão. Assim, os adultos devem explicar que a atenção funciona como a bateria de um telemóvel, ou seja, se não descansarmos, acabará por se esgotar.
Sugestões a explorar:
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As pistas visuais de tarefas auxiliam as crianças a organizarem o dia a dia. Dito de outro modo, ao perceberem o que têm para fazer (TPC, brincar, preparar a mochila), as crianças poupam energia mental, porque a sequência torna-se uma rotina, e ganham sentido de autonomia.
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Jogar ao detetive das distrações, que consiste em conversar com a criança sobre o que a distraiu durante uma tarefa. Aquando da identificação do distrator, torna-se mais fácil escolher estratégias diferentes no futuro.
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Começar sempre pela tarefa mais simples e ir complexificando, permitindo à criança ganhar a sensação de competência e, com isso, sustentar melhor a atenção.
2.º e 3.º ciclos
Nesta fase começam a coexistir pensamentos, comparações e inquietações internas.
Embora correspondam a idades distintas, têm em comum o facto de a atenção permanecer em construção, já não sendo tão sustentada pelo adulto, mas ainda longe de ser autónoma. Nestas fases, a atenção deixa de ser atravessada apenas pelo exterior, e começam a coexistir pensamentos, comparações e inquietações internas. A verdade é que nem toda a distração vem do telemóvel. Por vezes, ele serve para silenciar pensamentos demasiado intensos; no entanto, outras vezes, torna-os mais gritantes.
As minhas propostas para estas fases são:
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Dividir tarefas grandes em passos pequenos, isto é, antes de estudar, escrever dois ou três objetivos claros, porque isso ajuda a diminuir a dispersão.
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Prever tempos de estudo com pausas verdadeiras, por exemplo, 25 minutos de estudo sem o telemóvel no mesmo espaço e 5 minutos de pausa.
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Quando surgir o impulso de usar o telemóvel, fazer um acordo consigo para o adiar por 10 minutos, o que vai fortalecer a tolerância à frustração.
Ensino secundário
Evitar ecrãs antes de dormir, privilegiar a leitura em papel e respeitar o descanso.
Os adolescentes parecem exímios no multitasking, ou seja, conseguem estudar enquanto ouvem música, escrevem mensagens e veem vídeos, simultaneamente. Contudo, o cérebro não funciona bem assim, e cada interrupção tem um custo de energia.
Muitas das sugestões já apresentadas continuam a fazer sentido nesta fase. Ainda assim, acrescento as seguintes:
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Ativar os sentidos, uma vez que ler não é sinónimo de atenção. Devem tentar escrever, fazer esquemas e envolver vários sentidos, porque isso ajuda o cérebro a consolidar informação.
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Dar nome ao cansaço e ajustar a exigência. Por outras palavras, quando recebermos uma visita da distração, importa perceber o que é que ela está a comunicar; muitas vezes, sinaliza exaustão e não vale a pena insistir.
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A higiene do sono denota-se como determinante: evitar ecrãs antes de dormir, privilegiar a leitura em papel e respeitar o descanso.
Talvez sem uma verdadeira consciência, rotulamos as crianças com frases como “és distraído” ou “vives no mundo da lua”. A questão é que, com o tempo, os jovens acabam por acreditar nestas premissas. Quando dizemos repetidamente que uma criança não é capaz, ela começa a olhar para si a partir desse lugar e a agir em conformidade. O papel dos pais é capacitar, dar nome ao que se passa, explicar que a atenção é um músculo em desenvolvimento, que falhar faz parte e que cada passo conta. Efetivamente, a forma como uma criança aprende a olhar para as suas dificuldades depende, muitas vezes, da forma como nós olhamos primeiro. Termino com a seguinte questão: que imagem de si próprias estamos a ajudar as crianças a construir?
Sugestões de leitura
A autora
Marta Ramalho da Costa – Psicóloga
Instagram: martadacosta_psic
Contacto: 937442094
Consultas: Viviere Medical Clinic – Braga e no Rizehealing – Vieira do Minho