2013-10-31

Um beco só visível para quem estiver atento

Casos do beco das sardinheiras é um dos mais icónicos livros de contos de Mário de Carvalho.

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Podia ser em Alfama ou na Mouraria, talvez até em Benfica ou na Ajuda: para Mário de Carvalho, o Beco das Sardinheiras está visível para qualquer pessoa que o queira encontrar. E são as histórias dos habitantes desse tradicional e pitoresco beco, entre as quais se encontra o conhecido conto «O tombo da Lua», que compõem o livro Casos do beco das sardinheiras, publicado pela primeira vez em 1982 e com nova edição, pela Porto Editora, disponível a partir do dia 1 de novembro. Por todo o livro encontramos a recomendação «Convém mas é não confundir género humano com Manuel Germano», divisa que se revela determinante para os moradores deste beco.

Casos do beco das sardinheiras
é um livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o programa de português do 9.º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula.

O LIVRO

O Beco das Sardinheiras é um beco como outro qualquer, encafuado na parte velha de Lisboa. Uns dizem que é de Alfama, outros que é já da Mouraria e sustentam as suas opiniões com sólidos argumentos topográficos, abonados pela doutrina de olisiponenses egrégios. Eu, por mim, não me pronuncio. Tenho ideia de que ali é mais Alfama, mas não ficaria muito escarmentado se me provassem que afinal é Mouraria.

Creio que o nome lhe vem das sardinheiras que exibem um carmesim vistoso durante todo o ano, plantadas num canteiro que rompe logo à esquina, não longe da drogaria que já fica na Rua dos Eléctricos.

A gente que habita o Beco é como as demais, nem boa nem má. Tem sobre os outros lisboetas um apego ainda maior ao seu sítio e às suas coisas. Desde há muito tempo que não há memória de que algum dos do Beco tenha emigrado de livre vontade.

O AUTOR
Mário de Carvalho nasceu em Lisboa em 1944. O seu primeiro livro, Contos da Sétima Esfera, causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional e pela peculiar atmosfera, entre o maravilhoso e o fantástico. Desde então, tem praticado diversos géneros literários, percorrendo várias épocas e ambientes, sempre em edições sucessivas. Nas diversas modalidades de Romance, Conto e Teatro, foram atribuídos a Mário de Carvalho os prémios literários portugueses mais prestigiados (designadamente os Grandes Prémios de Romance, Conto e Teatro da APE, o prémio do Pen Clube e o prémio internacional Pégaso). Os seus livros encontram-se traduzidos em várias línguas.

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