2026-06-12

Poemas para quem tem nome e morada

Assírio & Alvim reedita Poemas com Endereço, um dos livros centrais da obra de Alexandre O'Neill.

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Alexandre O'Neill encontrou na linguagem de todos os dias um dos territórios mais férteis da sua poesia. A conversa de café, a ironia, o desencanto e o humor atravessam uma obra que nunca perdeu contacto com a vida comum. Publicado originalmente em 1962 na coleção «Círculo de Poesia» da Moraes Editora, Poemas com Endereço surge num momento de plena maturidade literária, quando o autor já escrevia com a liberdade e a singularidade que viriam a marcar definitivamente a poesia portuguesa do século XX.

Neste livro, a dimensão mais pessoal da sua escrita ganha particular destaque. Entre amigos, cumplicidades e a memória de Nora Mitrani, figura ligada ao surrealismo francês, O'Neill constrói poemas que parecem partir de destinatários concretos, mas que acabam por falar a todos. A intimidade nunca exclui a inteligência, nem o afeto dispensa a ironia que distingue o seu olhar sobre o mundo.
Esta edição inclui um posfácio de Daniel Jonas e devolve aos leitores um livro que ocupa um lugar especial na obra de Alexandre O'Neill. Poemas com Endereço já está disponível em todas as livrarias.


SOBRE O AUTOR
Poeta português, Alexandre Manuel Vahia de Castro O'Neill de Bulhões nasceu a 19 de dezembro de 1924, em Lisboa, e morreu a 21 de agosto de 1986, na mesma cidade. Para além de se ter dedicado à poesia, Alexandre O'Neill exerceu a atividade profissional de técnico publicitário, forjando alguns dos mais conhecidos slogans portugueses. Um dos fundadores do Grupo Surrealista de Lisboa, desvinculou-se do grupo a partir de Tempo de Fantasmas (1951), embora a sua passagem pelo grupo marque indelevelmente a sua postura estética, conservando algumas características do movimento na sua poesia, por exemplo, o tom mordaz e em certo sentido absurdista na maneira de analisar o mundo. Um amante do jazz, do cinema e do teatro modernos, O'Neill fez ainda várias traduções, escreveu guiões para cinema e manteve algumas colunas de jornal durante vários anos. Da sua obra destacam-se as obras No Reino da Dinamarca (1958), Feira Cabisbaixa (1965) ou a reunião de contos e crónicas em Uma Coisa em Forma de Assim (1980).

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