Cartas de Paris compila a produção jornalística de Eça de Queiroz durante o período em que o escritor desempenhou funções diplomáticas na capital francesa. Escritos na última década do século XIX, estes textos traduzem a visão apurada e profundamente perspicaz de um dos maiores nomes da literatura portuguesa sobre os grandes acontecimentos da Belle Époque.
Enquanto exercia o cargo de cônsul na Europa, Eça de Queiroz colaborou com o jornal brasileiro Gazeta de Notícias, transformando os seus textos numa crónica viva da viragem do século. Entre 1893 e 1897, altura em que viveu em Paris, o autor não se limitou a relatar a atualidade da época, optando antes por dissecar, através de uma análise satírica e atenta, o quotidiano da capital francesa, que funcionava como o farol cultural do mundo, mas que era também uma cidade de contradições.
Ao longo destas páginas, o leitor tem acesso aos bastidores da política europeia, às vaidades dos salões da alta burguesia e aos debates que agitavam o meio intelectual e artístico. Com o seu olhar único, Eça de Queiroz expõe a artificialidade das convenções sociais, os meandros da governação, a hipocrisia institucional e as tensões latentes entre nações e movimentos ideológicos que já antecipavam os conflitos do século seguinte.
O estilo queirosiano, pautado por uma ironia elegante e um humor refinado, transforma estas crónicas num espelho brilhante sobre o passado, onde se veem refletir as virtudes e as falhas da sociedade contemporânea.
O livro já se encontra disponível em pré-venda e chega às livrarias a 23 de julho.
SOBRE O AUTOR
Eça de Queiroz nasceu a 25 de novembro de 1845 na Póvoa de Varzim e é considerado um dos maiores romancistas de toda a literatura portuguesa, o primeiro e principal escritor realista português, renovador profundo e perspicaz da nossa prosa literária. Entrou para o Curso de Direito em 1861, em Coimbra, onde conviveu com muitos dos futuros representantes da Geração de 70. Terminado o curso, fundou o jornal Districto de Évora, em 1866, órgão no qual iniciou a sua experiência jornalística. Em 1871, proferiu a conferência «O Realismo como nova expressão da Arte», integrada nas Conferências do Casino Lisbonense e produto da evolução estética que o encaminha no sentido do Realismo-Naturalismo de Flaubert e Zola. No mesmo ano iniciou, com Ramalho Ortigão, a publicação de As Farpas, crónicas satíricas de inquérito à vida portuguesa. Em 1872 iniciou a sua carreira diplomática, ao longo da qual ocupou o cargo de cônsul em Havana, Newcastle, Bristol e Paris. Foi, pois, com o distanciamento crítico que a experiência de vida no estrangeiro lhe permitiu que concebeu a maior parte da sua obra romanesca, consagrada à crítica da vida social portuguesa e de onde se destacam O Primo Bazilio, O Crime do Padre Amaro, A Relíquia e Os Maias, este último considerado a sua obra-prima. Morreu a 16 de agosto de 1900, em Paris.