2024-10-30

«Creio que é o meu melhor livro»

Teolinda Gersão falou-nos do seu novo livro, Autobiografia não escrita de Martha Freud

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Autobiografia não escrita de Martha Freud é o novo livro de Teolinda Gersão que se centra na correspondência privada entre o famoso psicanalista Sigmund Freud e a sua mulher, Martha. A escritora traz-nos um olhar crítico e perturbador sobre um dos grandes intelectuais do século xx, fruto de vários anos de investigação e análise da comunicação entre o casal que, ao longo dos tempos, foi ganhando múltiplas formas: cartas extensas e detalhadas que chegavam a ter 22 páginas, diários factuais, crónicas, aquilo a que a protagonista deste livro chamou um dia de «romance em episódios».

 

Conheça o livro nas palavras da autora:

 

«A obra de Freud eu já conhecia, quando estudava na Alemanha ler Freud e Jung fazia parte da cultura geral de um germanista. Mas sobre Martha, e sobre a vida privada de Freud, pouco ou nada sabia. Na verdade, a ideia deste livro veio ter comigo quando li a correspondência de ambos. Encontrei casualmente na Internet a notícia de que as suas cartas tinham sido publicadas, e encomendei os livros. Tive consciência de que não queria escrever o tipo de livro a que se chama «romance histórico», onde a imaginação se mistura livremente com a vida real das figuras. Deixei claro que pretendia sobretudo interpretar documentos, que dava a ler ao leitor, para que também ele os interpretasse como entendesse; apenas imaginei que Martha, nos últimos anos da sua vida (ela morreu em 1951) releu a correspondência de ambos, e outras cartas de Freud e para Freud que ela desconhecia.Tendo em conta o carácter que Martha revela nas cartas que deixou escritas, esta hipótese parece-me plausível, embora nunca saibamos se de facto aconteceu ou não. A sociedade não considerava as mulheres relevantes, mas neste caso Freud também não estava interessado em que ela fosse conhecida. Queria ser ele próprio o centro exclusivo de todas as atenções. Creio que é o meu melhor livro, e também o que me deu mais trabalho a escrever.» 

 

Teolinda Gersão

 

 

 

 

Qual o segredo de tanta vitalidade criativa aos 84 anos? 

Quanto aos segredos da vitalidade criativa, aos 84 ou em qualquer idade, não sei responder a essa pergunta. Julgo que não há segredo nenhum. É uma força interior que se tem, ou não se tem. 

 

 

Pergunta provocatória: Martha é mais fascinante do que Freud? 

Pretendi deixar essas decisões para os leitores, cada um interpretará como entender. Mas para mim Martha é muito mais fascinante do que Freud, sim. 

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