Não deixe de cumprir o seu papel junto do seu filho adolescente
No período da adolescência, a família perde irremediavelmente terreno, ficando a sua influência junto dos jovens muito reduzida? O grupo de pares é determinante, dado que os adolescentes têm uma grande necessidade de ser iguais aos seus colegas e amigos? Os adolescentes não enveredarem por caminhos desviantes é um golpe de pura sorte? Se respondeu às afirmações anteriores de forma afirmativa, convido a ler o artigo que se segue e a ajustar as suas conceções sobre a adolescência.
Adriana CamposNão há dúvidas que, quanto mais pequena for a criança, maior é a influência da família, uma vez que, ao atingir a adolescência, os "pares" (colegas e amigos) vão ganhando progressivamente maior ascendência. Para os adolescentes, o grupo de pares constitui um grupo de referência de grande importância, com o qual passam uma grande parte do tempo e com quem adquirem uma visão do mundo diferente da que receberam dos pais e da escola. Neste grupo, os adolescentes sentem-se seguros e compreendidos.
Apesar da grande influência do grupo de pares, é fundamental que os pais percebam bem a sua função e continuem a desempenhar um papel ativo junto dos filhos. Com efeito, a família tem um grande impacto, tanto direto como indireto, sobre a relação com o grupo de pares, sendo isto mais relevante do que se pensava anteriormente.
Qual deverá ser então o papel dos pais junto dos filhos adolescentes?
Os pais devem monitorizar o comportamento dos seus adolescentes, ou seja, devem continuar a ter informações sobre a vida deles e manter a capacidade de estruturar ativamente os contextos onde estes se movem. Obviamente que este processo deve adaptar-se às características dos filhos e à sua faixa etária. Se na infância a monitorização está mais centrada na casa e na escola, durante a adolescência esta tem de se alargar à rede de amigos, aos contextos recreativos e às relações afetivas.
A investigação indica claramente que, quando os pais monitorizam o comportamento dos filhos, estes apresentam níveis mais baixos de consumo de álcool, tabaco e cannabis, havendo ainda uma tendência para retardar a idade de início de consumo. O controlo deve existir sempre, embora não de uma forma excessiva, pois se tal acontecer isso pode gerar problemas de rebeldia e de comportamento. O controlo deve por isso, estar associado a muito afeto.
Embora os adolescentes pareçam rejeitar as manifestações de carinho, eles ainda precisam de sentir a proximidade de seus pais e que estes estão presentes. Quando os adolescentes sentem, da parte dos pais, interesse, cuidado, carinho, empatia e compreensão, a capacidade de comunicar sai reforçada e os filhos mais facilmente pedirão “socorro”, se tal for necessário.
Mantenha o contacto com outros pais
Uma das estratégias que os pais devem usar no sentido de garantirem uma melhor monitorização é o estabelecimento de contacto com os pais dos amigos dos seus filhos (para compartilhar estratégias, experiências e acompanhá-los em conjunto). Estudos realizados demonstraram que o uso desta estratégia vai diminuindo à medida que os filhos crescem, o que não deveria acontecer, pois o facto de os pais manterem o contacto tem-se mostrado um fator de proteção contra a embriaguez e o consumo de cannabis.
A colaboração entre os pais é fundamental, pois permite a partilha de preocupações e soluções para problemas comuns relacionados com os filhos. Os pais aumentam os conhecimentos sobre cuidados e educação, sentem-se acompanhados e apoiados quando têm de lidar com conflitos e ampliam as possibilidades de encontrarem soluções para os problemas mais comuns, entre outras vantagens. Infelizmente esta colaboração entre pais continua pouco aproveitada e explorada.
Termino com a opinião de James Garbarino (pedopsiquiatra norte-americano) que trabalhou com jovens muito problemáticos em grandes cidades norte-americanas. Este pedopsiquiatra deu amplo relevo ao facto de o desenvolvimento adolescente ser essencialmente social. Contudo, não deixou de referir a importância dos pais, do afeto e da ligação que estes podem manter na relação com os seus filhos adolescentes como garante da sua estabilidade emocional.