Do banho ao livro: truques simples para criar pequenos leitores
Tal como escovar os dentes ou tomar banho, a leitura constrói-se com tempo, consistência e acompanhamento dos adultos. Ao integrar a leitura na rotina diária e ao escolher livros adequados a cada fase da criança, os pais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da linguagem, da concentração e do pensamento. Este artigo explica por que razão ler todos os dias faz a diferença e como é possível adaptar a leitura às diferentes idades para formar leitores confiantes e autónomos.
Daniela Pinheiro | 21-01-2026Escovar os dentes, tomar banho, ler um livro
O que terá a leitura que ver com escovar os dentes ou tomar banho? Certo e sabido é que todos os dias insistimos com os pequenos para a importância de escovarem os dentes, tomarem banho, entre outros aspetos da rotina diária que são de extrema importância para que as crianças incorporem e adquiram estes hábitos. Portanto, sem desistir, com muita paciência e brincadeira, lá os encaminhamos para o banho, lá os acompanhamos enquanto escovam os dentes. A leitura precisa desta mesma paciência e iniciativa da nossa parte. Então, o que é preciso é que a leitura se torne um hábito.
Ler 20 minutos por dia é essencial para trabalhar a concentração, o conhecimento, o pensamento e a capacidade de raciocínio
A leitura torna os nossos filhos mais inteligentes
Investir todos os dias na criação do hábito da leitura com o mesmo empenho e preocupação com que o fazemos para outras rotinas fará dos nossos filhos leitores. E tal como há um tempo de referência recomendado pelos especialistas para uma boa escovagem dos dentes e para um banho equilibrado entre higiene, hidratação e sustentabilidade, também há para a leitura. Os neurocientistas têm-se debruçado sobre os efeitos que a leitura provoca no cérebro e têm apontado o tempo de leitura como fundamental para mitigar os efeitos nocivos dos ecrãs. Assim, ler 20 minutos por dia é essencial para trabalhar a concentração, o conhecimento, o pensamento e a capacidade de raciocínio, porque a leitura é insubstituível na construção da linguagem. E perder linguagem é perder compreensão, expressão e pensamento. Uma simples conversa com os nossos botões será mais eficaz quanto mais nos conseguirmos expressar interiormente. Portanto, a verdade é esta: os neurocientistas concluíram que a leitura torna os nossos filhos mais inteligentes, o que não é pouco.
Escolher o livro certo
Dizer que para que uma criança se torne leitora é necessário que esta tenha uma exposição precoce aos livros é uma lapalissada. As nossas crianças gostam de ler, gostam da leitura partilhada, gostam do momento da leitura. Portanto, já se sabe que, se quer que um dia os seus filhos leiam sozinhos, é importante pô-los em contacto com os livros, ler-lhes histórias. Mas o que não é assim tão óbvio é a escolha de um livro. É uma grande responsabilidade, porque o livro certo vai ser a ajuda que queremos para enraizar o hábito.
O livro certo para a criança que finge que lê
Em idades mais pequenas, quando a criança finge que lê, os livros com uma série de imagens, páginas sem texto e visualmente muito apelativas, permitem que as crianças “leiam” sozinhas, favorecendo o contexto de leitura partilhada ao possibilitar a interação verbal com o adulto que “lê” com elas.
O livro certo para a criança que adora que lhe leiam histórias
Esta é uma excelente notícia. As crianças adoram verdadeiramente que lhes leiam, porque unem a leitura a um momento de carácter emocional, de ligação com o adulto. Aqui, escolha histórias envolventes, com imagens que ilustrem a mensagem do texto, que permitam que a criança imagine a história e que a sua imaginação amplie ao ritmo do que ouve. Livros que tratem temas que ajudem a criança a compreender melhor o seu mundo, como bullying, mentira, alimentação, birras, … como estas sugestões:
O livro certo para a criança que já é capaz de (supostamente) ler sozinha
Estou a falar da criança em idade escolar. E aqui as notícias não são assim tão boas. Quase todos os pais consideram a leitura partilhada como essencial para que os filhos gostem de ler. No entanto, depois de estes aprenderem a ler, os pais deixam de lhes ler histórias, porque, supostamente, a criança já tem idade para ler sozinha e porque, supostamente, já é capaz de o fazer autonomamente. Ora, esta suposta autonomia é perspetivada pelas crianças como desinteresse. Os pais continuam a insistir e a mostrar interesse nos vários aspetos da vida das crianças e demitem-se da leitura. A par desta alteração, surge o elefante na sala, o elefante digital, e a leitura é substituída pelos ecrãs. Então, é preciso continuar a leitura partilhada, porque os estudos mostram que quanto mais as crianças usufruírem de momentos de leitura partilhada, mais será a probabilidade de se tornarem leitores autónomos. E que livros? Livros do interesse deles: biografias dos seus ídolos, histórias de aventuras, fantasia, …