O digital nas escolas: oportunidades e desafios para a aprendizagem
Com o regresso às aulas, volta também a dúvida sobre o lugar do digital na educação. Este artigo convida pais e professores a refletirem sobre o uso dos ecrãs na rotina dos jovens e os impactos que isso pode ter no seu desenvolvimento.
Porto Editora | 07-10-2025Com o fim das férias, chegou o início de mais um ano letivo. Um momento que pode reavivar uma preocupação cada vez mais frequente nas salas de aula e nas famílias: qual deve ser o papel do digital na escola e na vida dos alunos?
Num mundo em que as tecnologias fazem parte de quase todas as profissões e até das relações pessoais, é natural que pais, educadores e professores se questionem: quantas horas e de que forma os ecrãs devem estar presentes na vida dos jovens e adolescentes? O que está em causa?
O Relatório Global de Monitorização da Educação da UNESCO 2023 reconhece que a tecnologia trouxe várias oportunidades para a aprendizagem, nomeadamente para estudantes com deficiência, que passaram a ter opções mais acessíveis e inclusivas. A possibilidade de aceder a múltiplos recursos que permitem diversificar estratégias de ensino é outra das vantagens apontadas.
Por outro lado, o uso inadequado ou excessivo da tecnologia tem trazido algumas consequências negativas como dificuldades de concentração, menor desenvolvimento das competências de socialização ou a diminuição das competências linguísticas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Portuguesa de Pediatria, a chave está no equilíbrio, no envolvimento ativo dos adultos de referência e no exemplo que transmitem. Eis algumas estratégias recomendadas:
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Definir tempos e regras claras quanto ao uso de ecrãs
- Até aos 5 anos: evitar ecrãs sem supervisão e limitar a uma hora por dia de uso recreativo.
- Dos 6 aos 12 anos: entre uma a duas horas por dia, sempre equilibradas com atividade física, estudo e sono adequado.
- Na adolescência: incentivar o uso responsável, nunca durante as refeições ou antes de dormir.
Acompanhar e dialogar
- Perguntar regularmente o que os filhos fazem online e interessar-se genuinamente pelos jogos, vídeos ou apps que usam.
- Conversar sobre privacidade, cyberbullying e sublinhar a importância de não partilhar dados pessoais.
Criar rotinas saudáveis
- Manter horários consistentes para estudo, descanso e lazer.
- Definir “zonas livres de ecrã” em casa, como o quarto ou a mesa de jantar.
Promover atividades variadas
- Combinar tarefas digitais (pesquisa online, jogos educativos, programação) com atividades em papel (ler livros, escrever à mão, pintar, fazer trabalhos manuais).
- Incentivar momentos de convívio presencial: jogos de tabuleiro, desporto em família, passeios ao ar livre.
Dar o exemplo
As crianças tendem a imitar os adultos. Usar o telemóvel de forma consciente e evitar estar constantemente online ajuda a transmitir o valor do equilíbrio.
Apesar de o digital oferecer inúmeras oportunidades de aprendizagem e acesso à informação, é essencial não perder de vista o valor insubstituível da leitura de livros físicos. Diversos estudos indicam que o papel favorece uma leitura mais profunda, uma melhor compreensão dos conteúdos e uma maior capacidade de memorização, ao exigir do leitor um ritmo mais atento e concentrado. Além disso, o contacto sensorial com o livro – o folhear das páginas, a pausa entre capítulos, a ausência de distrações digitais – cria uma experiência mais imersiva e significativa.
Nas escolas e em casa, equilibrar o uso das tecnologias com momentos dedicados à leitura em papel pode ser uma forma eficaz de promover não só o gosto pela leitura, mas também o desenvolvimento da atenção, da reflexão e do pensamento crítico. Afinal, educar para o futuro implica aproveitar o melhor do digital sem abdicar da profundidade que só o analógico pode oferecer.
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