Porque é que o meu filho come melhor na escola do que em casa?

Muitas crianças parecem comer melhor na escola do que em casa, e isso pode ser explicado por fatores como a influência dos colegas, a rotina consistente e a ausência de distrações. Este artigo explora estas diferenças, oferecendo dicas práticas para os encarregados de educação aplicarem nas refeições em família.

| 21-11-2024

É uma situação bastante comum: os pais notam que os filhos parecem comer melhor na escola ou na creche do que em casa. Para muitas crianças, essa mudança começa a ser evidente após o primeiro ano de vida, coincidindo com o início de uma fase mais seletiva e de grande desenvolvimento social.

Mas porque é que isso acontece? Não há uma resposta única. Muitos fatores podem influenciar esse comportamento alimentar das crianças, e conhecer alguns deles pode ajudar os encarregados de educação a aplicar em casa estratégias que funcionam no ambiente escolar. Vamos explorar algumas dessas razões e sugerir algumas dicas práticas que podem fazer diferença no dia a dia.

 

1. A influência dos colegas

Um dos fatores mais poderosos é a influência dos pares. Crianças pequenas têm um impulso natural para imitar o comportamento dos amigos e dos colegas da mesma idade, especialmente quando se trata de algo que todos estão a fazer juntos – como a hora da refeição. Ver os amigos a comer com gosto pode incentivar uma criança a experimentar alimentos que, em casa, talvez recusasse.

Dicas para aplicar em casa:

  • Planeie o menu semanal com antecedência e crie uma lista de compras para garantir que todos os ingredientes estão disponíveis. Dessa forma, os pratos ficam variados e a logística mais simples.
  • Prepare e congele algumas refeições. Essa prática pode ajudar a poupar tempo durante a semana e reduzir o stress no momento da confeção.
  • Tente que todos em casa partilhem a refeição, mesmo que nem todos tenham fome. Quando os adultos também comem (ainda que uma porção pequena), servem de exemplo e incentivam a criança a experimentar.

 

2. O ambiente das refeições

O ambiente na escola é totalmente focado na refeição. Sem telemóveis, televisão ou conversas paralelas a distrair, a atenção da criança concentra-se na comida. Em casa, é comum que haja mais distrações e, muitas vezes, as conversas à mesa são dirigidas à criança, o que pode aumentar a pressão para que ela coma.

Dicas para aplicar em casa:

  • Desligue o telemóvel e a televisão durante as refeições e evite discussões ou conversas que possam gerar tensão.
  • Envolva a criança na conversa à mesa, mas sem que o foco esteja constantemente no que ela está ou não a comer.
  • Crie um ambiente agradável e tranquilo que ajude a criança a relaxar e a comer ao seu ritmo.

 

3. Rotina e previsibilidade

Crianças adoram rotinas porque lhes oferecem uma sensação de segurança e previsibilidade. Na escola, há horários fixos para as refeições, o que ajuda a criança a antecipar o que vem a seguir e a preparar-se mentalmente para a hora de comer. Isso reduz a possibilidade de birras e ajuda a autorregulação.

Dica para aplicar em casa:

  • Considere criar um relógio com atividades diárias para a criança. Pode até personalizar com ela, anotando horários para almoçar, brincar, lavar as mãos, etc. Assim, a criança passa a entender melhor a rotina e o que esperar ao longo do dia.

 

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4. Horários apropriados para crianças

Os horários de refeição na escola são ajustados às necessidades das crianças, mas em casa, isso nem sempre é possível. Em Portugal, por exemplo, as refeições dos adultos tendem a ser mais tardias, o que não corresponde aos ritmos biológicos das crianças. Estar cansada ao jantar, por exemplo, pode prejudicar o apetite e aumentar a resistência.

Dicas para aplicar em casa:

  • Sempre que possível, tente antecipar o horário das refeições para um horário adequado à criança.
  • Tenha em mente a importância das sestas para que a criança esteja bem disposta durante a refeição.

 

5. Regras consistentes e evitar substituições

Na escola, a criança aprende que não há substituições para a refeição do dia. Ela compreende que, mesmo que o prato não seja o seu favorito, é a única opção, e isso ajuda a reduzir as recusas. Em casa, a tendência dos pais pode ser oferecer alternativas, como leite ou fruta, para garantir que a criança coma “qualquer coisa”.

No entanto, esta prática pode levar a um problema maior: a criança começa a perceber que, ao recusar o prato principal, pode conseguir algo que prefere. Isso incentiva a repetição da recusa e dificulta a construção de hábitos alimentares saudáveis.

Dica para aplicar em casa:

  • Seja assertivo e ofereça opções limitadas, por exemplo, “Queres arroz ou massa?”. Desta forma, a criança sente que tem alguma escolha, mas dentro do que já estava planeado.

 

6. A Importância do Porto Seguro

Por último, é importante lembrar que a casa é o porto seguro da criança. É onde ela se sente completamente à vontade para expressar as suas vontades e emoções, o que inclui, por vezes, testar limites. Embora possa ser frustrante para os pais, este comportamento é um sinal de que a criança se sente segura e conectada com a família.

 

A diferença entre o comportamento alimentar da criança na escola e em casa é normal e tem várias explicações. Os pais podem, no entanto, replicar algumas das condições que promovem bons hábitos alimentares no ambiente escolar para ajudar a criança a manter uma relação saudável com a comida. Ao planearem as refeições, criarem uma rotina previsível e respeitarem as necessidades de descanso, os pais podem tornar as refeições em casa mais tranquilas e agradáveis para todos.

 

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