Alergias — as 10 perguntas mais frequentes

Na Europa, as doenças alérgicas são a doença crónica mais frequente nas crianças, e a sua prevalência continua a aumentar. Nas crianças, as principais doenças alérgicas são a dermatite/eczema atópico, a alergia alimentar, a asma e a rinite e conjuntivite alérgicas.

| 11-01-2022

1 – O que é a alergia?

A alergia é uma resposta inadequada e exagerada do mecanismo de defesa do nosso organismo, o sistema imunológico, a substâncias que normalmente são inofensivas. Estas substâncias, que habitualmente não provocam qualquer reação mas que podem desencadear respostas alérgicas em pessoas mais suscetíveis, são chamadas alergénios.

 

2 – O que acontece no nosso corpo quando ocorre uma reação alérgica?

Quando um alergénio entra em contacto com o organismo de uma pessoa predisposta a alergias, ocorre uma série de reações que levam à produção de anticorpos específicos para esse alergénio  as imunoglobulinas E (IgE). Estes anticorpos colam-se a células chamadas mastócitos, que se encontram em maior quantidade no nariz, nos olhos, na pele, nos pulmões e no intestino. Da próxima vez que a pessoa entrar em contacto com essa substância, o alergénio é reconhecido e capturado pelas IgE, o que leva à libertação súbita de mediadores, como a histamina, a partir dos mastócitos. São estes mediadores os responsáveis pelos sintomas da reação alérgica.

 

3 – Quais são os alergénios mais frequentes?

Os alergénios mais frequentes são os que existem no ar, e que podem ser inalados (pólen das árvores ou gramíneas, ácaros do pó, pelo e dejetos dos animais domésticos, esporos de bolores), ou os que podem ser ingeridos nos alimentos (leite de vaca, ovo, peixe, marisco, amendoim) ou em certos medicamentos (antibióticos). O veneno da picada de insetos (abelha, vespa e mosquito) também pode provocar reações alérgicas.

 

4 – Quais são as doenças alérgicas mais frequentes e os seus sintomas?

Nas crianças, as principais doenças alérgicas são a dermatite/eczema atópico (pele muito seca, vermelha e a descamar, comichão, pequenas borbulhas em certas regiões), a alergia alimentar (vómitos, diarreia, inchaço da língua, lábios e olhos, manchas na pele, falta de ar, chiadeira), a asma (tosse, falta de ar, chiadeira) e a rinite e conjuntivite alérgicas (obstrução nasal com corrimento, comichão nasal, espirros, olhos vermelhos, inchados e com lágrimas, comichão ocular).

No primeiro ano de vida predominam a dermatite/eczema atópico e a alergia alimentar. A asma e a rinite/conjuntivite surgem mais tarde.

 

5 – As alergias estão a aumentar?

Na Europa, as doenças alérgicas são a doença crónica mais frequente nas crianças, e a sua prevalência continua a aumentar. Em certos países, uma em cada quatro crianças sofre de alergias. Estima-se que cerca de 5% a 20% da população, com maior percentagem nas crianças e adolescentes, tenha asma. A dermatite atópica afeta 10%-20% das pessoas durante a infância.

 

6 – Porque é que apenas algumas pessoas se tornam alérgicas?

Ainda não se tem a certeza. O maior fator de risco para o desenvolvimento de alergias é o histórico familiar de doenças alérgicas. Quando uma criança tem um dos pais com alergias, tem um risco de 20% a 40% de vir a ter alguma doença alérgica; se os dois pais forem alérgicos, o risco de ser afetada sobe para 40% a 60%. No entanto, o contacto precoce com os alergénios e certos fatores ambientais, como a exposição ao fumo do tabaco e a poluição atmosférica, parecem desempenhar um papel importante.

 

7 – Como posso saber se o meu filho é alérgico?

O diagnóstico das doenças alérgicas começa pela recolha cuidadosa do histórico com a descrição dos sintomas e a tentativa de estabelecer uma relação entre a exposição a determinadas substâncias e o aparecimento desses sintomas. É também necessária a observação da parte do corpo à qual se referem as queixas.

Depois, podem ser realizados testes para as alergias. Existem, essencialmente, dois tipos de teste: o PRICK teste e o RAST. No primeiro, uma gota de solução contendo cada alergénio é colocada na pele; depois pica-se a pele com uma pequena agulha e marca-se a posição de cada alergénio com uma caneta. Se houver reação, forma-se uma pápula, que é medida para comparar com o controlo. O RAST consiste na medição no sangue da IgE específica para determinados alergénios.

No caso de alergia alimentar, é necessário realizar testes de provocação especiais com o alimento suspeito de provocar a reação alérgica. Este teste só deve ser feito com vigilância médica.

 

8 – Todas as crianças com sintomas precisam de fazer testes para as alergias?

Não. Devem fazer testes para as alergias aquelas crianças com sintomas persistentes ou recorrentes que perturbem a sua vida diária, ou seja, que as incomodem no sono, na escola, e aquelas que necessitem de tratamento.

 

9 - O que posso fazer para controlar a doença?

O primeiro passo é a evicção dos alergénios, ou seja, evitar a exposição aos alergénios que foram identificados nos testes. Por vezes, isso é impossível, como evitar por completo o pólen das árvores ou os ácaros do pó, no entanto, devem ser tomadas medidas para reduzir ao máximo o contacto com esses alergénios.

Se necessário, devem ser utilizados medicamentos que controlam os sintomas, embora não curem a doença. Os anti-histamínicos bloqueiam a ação da histamina, um dos principais mediadores libertados durante a reação alérgica, e assim diminuem os sintomas. Os corticosteroides são usados para tratar a inflamação em situações crónicas. Outros medicamentos são receitados dependendo da doença alérgica em causa: emolientes para a dermatite/eczema atópico, descongestionantes nasais para a rinite alérgica e broncodilatadores para a asma. O tratamento das doenças alérgicas deve ser individualizado para cada doente e orientado por um médico experiente.

 

10 - O que são as vacinas para a alergia?

A imunoterapia alérgica é uma forma de tratamento que tem como objetivo diminuir a sensibilidade aos alergénios alterando a resposta imunológica do organismo. Consiste na injeção subcutânea de quantidades crescentes de alergénios de modo a criar tolerância. O tratamento tem uma longa duração, geralmente 3 a 5 anos. Devido ao risco de reações adversas, deve ser efetuado sob vigilância médica. A imunoterapia é eficaz na asma, na rinite e conjuntivite alérgicas e na alergia à picada de insetos. Não é útil no tratamento da dermatite/eczema atópico ou alergias alimentares. Só é recomendada a crianças a partir dos 5 anos de idade.

 

A informação aqui apresentada não substitui a consulta de um médico ou de um profissional especializado. Artigo originalmente publicado em Educare.pt.

 

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