«Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer»

Os benefícios de uma noite bem dormida são incalculáveis! As necessidades de sono têm uma variabilidade individual, e enquanto nos adultos podem oscilar entre as 4-9 horas diárias, a criança de 6-12 anos deve dormir cerca de 9-12 horas por dia e o adolescente de 13-18 anos, 8-10 horas por dia.

O sono é necessário para a sobrevivência e para a saúde da espécie humana. E o período longo de sono deve ser noturno, uma vez que ele é regulado por hormonas que apresentam uma secreção circadiana, dependente, entre outros fatores, da luz solar.

O sono noturno atravessa, normalmente, várias fases diferenciadas (ciclos), cerca de 5 a 6 vezes durante a noite, intercaladas por curtos “despertares”.

Na fase inicial (fase 1), o sono é superficial e o acordar é fácil. O sono avança até à fase 4, caracterizada por um sono profundo e um acordar difícil, acompanhados de relaxamento muscular, redução das frequências cardíaca e respiratória e da pressão arterial.

Para além destas quatro fases do sono, existem dois tipos de sono. Um é acompanhado de movimentos oculares rápidos (REM), durante o qual ocorre uma intensa atividade cerebral, quase sobreponível a um estado de vigília.

Neste tipo de sono, as frequências cardíaca e respiratória aumentam, e é neste período que ocorrem os sonhos (particularmente na fase 3), o falar, os terrores e o sonambulismo (fases 3 e 4). Em contraponto, o sono não REM é caracterizado por uma baixa atividade elétrica cerebral.

Num sono noturno normal, o sono REM segue-se imediatamente a cada um dos cinco ou seis ciclos da fase 4 do sono não REM, muito embora possa ocorrer em qualquer fase do sono.

 

Que fatores podem perturbar o sono na infância?

As “perturbações do sono” estão entre as queixas mais comuns ao longo de toda a infância. São definidas como alterações na conciliação, no padrão ou na duração do sono, ou ainda comportamentos anormais durante o mesmo, tais como terrores noturnos ou sonambulismo.

Há vários fatores que perturbam o sono, tais como:

  • excitação;

  • stresse/preocupação;

  • certos medicamentos;

  • certos alimentos ou aditivos (cafeína ou teína, existentes no café ou no chá, mas também em certas bebidas doces e refrigerantes, especiarias fortes, glutamato monossódico);

  • obstrução à respiração nasal (por adenoides grandes que cursam com ressonar, hálito matinal desagradável, sono agitado e, por vezes, paragens curtas na respiração);

  • obesidade.

Sabe-se que as alterações do sono, quando não resolvidas na infância, têm tendência a manterem-se na idade adulta (uma vez qua a organização do padrão sono-vigília bem como a estruturação do sono se “treinam” em idade pediátrica) e estão associadas a problemas do desenvolvimento neuropsicológico que se refletem no bem-estar psicológico das crianças (irritabilidade, sonolência diurna, compromisso na sociabilização) e, consequentemente, no seu rendimento escolar, ao afetar a memória e a concentração.

Problemas no padrão e/ou quantidade de sono estão ainda associados a doença do foro psicológico já na infância, que se agravam com a idade, com prejuízo da qualidade de vida e acarretando elevados custos para a saúde pública.

Um estudo realizado em Portugal em crianças entre os 7 e os 11 anos (Klein, K., 2008) mostrou que mais de metade das crianças (56,4%) dormem mais de 9 horas por noite, mas 18,6% das crianças apresentam perturbações do sono.

 

Como devem os pais atuar?

Mais uma vez, a prevenção é a chave para evitar eventuais problemas no sono e as suas consequentes repercussões sociais, académicas e na saúde atual e futura. Caso persistam, devem ser comunicados ao médico assistente/pediatra e deve ser solicitada uma avaliação por um especialista.

Aqui ficam dez regras práticas:

1. Definir e cumprir um horário para dormir. A hora de ir para a cama e de acordar deve ser, todos os dias, a mesma. Mas atenção: nem todas as crianças têm a mesma necessidade de sono.

2. Criar um ritual simples, mas que deve ser sempre o mesmo, para a hora de dormir (ex.: contar uma história ou conversar…).

3. Incentivar a partilha das experiências do dia e tranquilizar relativamente a qualquer experiência assustadora ou perturbadora que possa ter ocorrido. É fundamental, num ambiente de cumplicidade, transmitir autoconfiança, uma vez que estes episódios podem ser muito significativos para as crianças mais sensíveis ou impressionáveis.

4. Para tranquilizar os mais medrosos, deixar a porta entreaberta, mas evitar deixar qualquer luz acesa durante toda a noite. Transmita segurança, dizendo: “Dorme tranquilo, pois eu estou sempre aqui ao lado!”.

5. Muitas crianças gostam de ter a companhia de um boneco macio durante o sono. Não há qualquer problema em dormir com esta “companhia”.

6. Incentivar a atividade física ao longo do dia, mas evitá-la antes de deitar.

7. Evitar programas televisivos antes da hora de dormir. As crianças desta idade não devem “consumir” mais do que 1-2 horas de TV/jogos de ecrã por dia e, preferencialmente, apenas até à tarde.

8. Evitar dar alimentos que contenham substâncias estimulantes, nomeadamente cafeína, teína, açúcares refinados ou chocolate.

9. Não servir refeições pesadas ao jantar. Um prato de sopa e uma fruta bastam.

10. A criança deve sempre dormir sozinha, no seu local de sono. A cama dos pais é para eles, e a criança não faz parte do casal!

 

 3 LIVROS PARA MELHORAR A QUALIDADE DO SONO

Socorro! O meu bebé não dormeO sono do meu bebéDormir Bem Para Viver Melhor

 

 3 HISTÓRIAS PARA ADORMECER 

365 Histórias para Dormir5 Histórias para a hora de dormirHistórias para Adormecer

 

Juntos no desafio da parentalidade!
Juntos no desafio da parentalidade!
Juntos no desafio da parentalidade!
Receba em primeira mão os conselhos dos nossos especialistas.
SUBSCREVER NEWSLETTER
Editar subscrição