Gerir a ansiedade nos testes no Ensino Secundário: causas, consequências e medidas de intervenção
Quando vamos ser sujeitos a avaliações, é natural que sintamos ansiedade. Se os níveis de ansiedade forem elevados e comprometerem a execução das tarefas, devem ser tomadas medidas para que tal não aconteça.
Ana Rodrigues da Costa
Quando vamos ser sujeitos a avaliações, é natural que sintamos ansiedade. Essa ansiedade pode ser a força motivadora para executarmos uma determinada tarefa, neste caso, os testes. Se os níveis de ansiedade forem elevados e comprometerem a execução das tarefas, devem ser tomadas medidas para que tal não aconteça.
Este problema pode surgir por diversos motivos, entre eles:
- não estudar correta e eficazmente, o que pode dever-se à ausência de hábitos de estudo e/ou da inadequação das técnicas de estudo utilizadas. Neste caso, a pessoa fica ansiosa, porque sabe que não se preparou convenientemente para a prova;
- estudar de forma adequada e correta mas, mesmo assim, ficar nervoso(a), ter “brancas” e a realização do testes não reflete o que estudou e o que sabe. Isto pode dever-se a ter tido, anteriormente, uma “branca”, numa prova de avaliação. O(a) aluno(a) centra-se nesse acontecimento e não nas vezes em que teve sucesso;
- ter informações negativas sobre a disciplina ou sobre o(a) docente, como por exemplo: “é muito difícil, têm quase todos negativa…”. Antecipam-se assim as más notas, o que o(a) deixa mais nervoso(a);
- considerar que a sua avaliação enquanto pessoa depende do êxito ou do fracasso, ou seja, se tiver “má nota”, é porque é uma pessoa pouco inteligente;
- considerar que o que faz tem que ser perfeito, tem que ser o(a) melhor e não pode cometer erros. A simples antecipação de que a nota não vai ser tão boa como pretende ou considera merecer ou de falhar os objetivos a que se propõe vai fazê-lo(a) sentir-se ansioso(a) e isso pode levar a um círculo vicioso.
Estudar deve ser uma tarefa diária e não só para os testes. Se estudar diariamente, quando chegar a altura dos testes ou dos exames é muito mais fácil rever toda a matéria. O tempo de estudo, em cada sessão, deve ser de ciclos de 40/45 minutos, seguidos de uma pausa de 10/15 minutos. A pausa essa que deve servir para relaxar e para descansar um pouco. Antes de iniciar o estudo, questionar-se sobre “Como aprendo melhor?”, “De que forma é que compreendo melhor a matéria?”, “Aprendo melhor a fazer resumos, lendo em voz alta, as duas coisas?”, “Estudo melhor sozinho ou em grupo?”. Este exercício deve ser feito para as diferentes disciplinas.
Se fizer resumos, esquemas, etc., deve arquivá-los em locais de fácil acesso, para que na altura dos exames nacionais possa usufruir desse material. Cada teste é uma preparação para o exame. É importante tirar apontamentos nas aulas e completá-los consultando os livros adotados, os livros da biblioteca ou artigos em sites credíveis.
Após reunir o material de estudo, dividi-lo pelos dias da semana destinados ao estudo dessa disciplina - fazer isto desde o início do período com todas as disciplinas. Depois de estudar toda a matéria deve-se testes os conhecimentos adquiridos: fazer testes dos anos anteriores, fichas de avaliação ou até as partes dos exames nacionais que correspondam à matéria que sai nesse teste.
Pensamentos de incompetência devem ser rapidamente afastados. Quando há insucesso deve-se avaliar criteriosamente e de forma objetiva o que se fez, o que pode ser alterado, melhorado. Pensar que se é capaz, que se tem as competências necessárias para ter sucesso, é muito importante.
Os três anos do Ensino Secundário (10.º, 11.º e 12.º anos) são muito importantes, porque as notas desses anos podem condicionar o futuro profissional. As avaliações devem ser encaradas de forma séria mas não devem ser passíveis de aumentarem o nível de ansiedade irracional.