E depois do 9.º ano? Como escolher a área do secundário?

A conclusão do 9.º ano de escolaridade representa, para muitos jovens, a primeira grande escolha significativa. Embora não se trate de uma decisão determinante ou irreversível é, pelo menos, vinculativa. Representa o início da construção de um projeto de vida, presentemente dificultado por um clima socioeconómico instável e pouco favorável.

Quando nos deparamos com a necessidade de escolher algo de várias opções possíveis, nem sempre sabemos o que decidir, sobretudo quando se trata de algo que vai influenciar a nossa vida e que é muito valorizado socialmente.

Escolher implica sempre abdicar de algo e a necessidade da escolha pode tornar-se fonte de angústia. Tendo em conta a fase desenvolvimental em que os jovens se encontram no 9.º ano de escolaridade, esta escolha é, muitas vezes, fortemente influenciada pelo grupo de amigos ou mesmo pelas expectativas ou profissões dos familiares mais próximos.

Este percurso de construção de um itinerário vocacional e pessoal, em que a escolha no final do 9.º ano de escolaridade representa apenas um primeiro passo, implica cada vez mais a necessidade de ter em conta não só o querer (desejos) mas também o poder (possibilidades). Há a necessidade de construção de projetos de vida realistas, em que as capacidades e gostos deverão caminhar a par e passo com o delinear gradual dos projetos profissionais.

O medo do investimento em algo considerado difícil, o mito da “escolha certa” ou as dificuldades escolares sentidas nas disciplinas consideradas mais importantes no curso ambicionado podem estar subjacentes a muitas das inquietações dos jovens. Por vezes sucede também que os interesses são tão diversificados que acentuam a dificuldade da escolha.

Por outro lado, a ausência de interesses dificulta o investimento numa área, podendo levar a uma escolha ao acaso. As mudanças frequentes das ofertas formativas também não facilitam as escolhas dos jovens que apresentam, geralmente, um grande desconhecimento destas, assim como do mundo do trabalho e das profissões.

Atualmente, a oferta formativa no final do 3.º ciclo, assim como em momentos posteriores, é diversificada. No final do 9.º ano, os jovens têm ao dispor vários tipos de cursos, dentro dos quais há ainda mais opções a fazer. É fundamental que o jovem detenha informação global sobre todos os tipos de cursos existentes, para ser capaz de escolher e se projetar no futuro, definindo gradualmente a sua identidade profissional.

Neste momento, a internet é uma fonte muito útil para a recolha de informação, mas é importante que o jovem seja acompanhado na procura e análise desta informação, preferencialmente por parte de um profissional com conhecimentos no âmbito da psicologia escolar e profissional.

Sempre que possível, os pais e professores devem proporcionar experiências aos jovens que lhes permitam aumentar os seus conhecimentos sobre as opções formativas e profissionais existentes. Este contacto poderá ser por via:

    1. indireta, por exemplo, através da leitura e análise de um artigo sobre o mercado de trabalho; a presença em feiras de divulgação de ofertas de formação e/ou emprego (várias cidades dispõem já de deste tipo de iniciativas e as próprias escolas e instituições superiores estão cada vez mais a darem-se a conhecer melhor);

    2. direta, através da deslocação a contextos reais de trabalho, permitindo ao jovem conhecer os contextos “in loco” e as tarefas desempenhadas.

Caso o jovem, no final do 9.º ano ou em qualquer outra etapa vocacional, se mostre confuso ou não seja capaz de fazer as suas escolhas com suficiente segurança e tranquilidade emocional, será importante procurar ajuda especializada.

O psicólogo, com domínio da área da orientação escolar e profissional, não intervém no sentido de indicar a escolha ideal, mas orientando a exploração vocacional, proporcionando atividades de reflexão e favorecendo a integração da informação, tendo em vista uma escolha segura, fundamentada e a promoção do investimento nessa mesma escolha, em prol de um projeto vocacional. Desta forma, no complexo labirinto da vida vão-se escolhendo, conscientemente, os caminhos a seguir!