O que fazer quando a entrada no ensino superior parece mais difícil?

Em Portugal, a decisão quanto à escolha do curso a prosseguir é tomada demasiado cedo, quando ainda não há nem maturidade cognitiva nem vocacional, na maior parte dos casos.

| 22-06-2026

Os jovens, aos 14/15 anos, escolhem a área a seguir no 10.º ano, área essa que já preconiza escolhas futuras em termos de curso superior; e, aos 17/18 anos, escolhem o curso superior, uma decisão que, na maioria dos casos, representa o primeiro passo para a profissão que pretendem exercer no futuro.

Esta escolha, para além de difícil, tem como principal condicionante o numerus clausus. Isto é: anualmente há que contar com o número de candidatos e o número de vagas que as instituições de ensino disponibilizam, ou seja, há muitas incertezas.

Muitas vezes, depois dos exames nacionais do 12.º ano, os jovens veem-se confrontados com a necessidade de fazer novas escolhas, uma vez que a média obtida não é suficiente para ingressar no curso que escolheram

Quando o jovem e a sua família investem tempo, esforço e expectativas na entrada num determinado curso e esse objetivo não é alcançado — por vezes por apenas algumas décimas —, podem surgir sentimentos de desmotivação, de desespero e, até, de depressão.

É necessário ter sempre um plano B: uma alternativa pode passar pela escolha de um curso semelhante ao inicialmente pretendido, que permita a mudança no ano seguinte, de preferência com a equivalência a algumas unidades curriculares. Outra opção é considerar um curso diferente, mas igualmente alinhado com os seus interesses, aptidões e objetivos profissionais até porque o boletim de candidatura permite escolher até seis cursos. Cada escolha deve resultar de uma reflexão cuidada, tendo em conta a possibilidade real de ingressar em qualquer um dos cursos selecionados.

Consigo imaginar-me a tirar este curso? E a exercer esta profissão no futuro? Se a resposta for negativa, deve ponderar adiar a entrada no ensino superior durante um ano para melhorar as notas de acesso. Em muitos casos, é preferível esperar mais um ano e investir na concretização de um objetivo do que optar por um caminho com o qual não se identifica. Passamos demasiadas horas da nossa vida a trabalhar, como tal, devemos fazê-lo com gosto e entrega. Só assim aumentamos as probabilidades de nos tornarmos excelentes profissionais.

O que deve ser evitado a todo o custo é o desânimo, isto é, considerar que não se é capaz, que não vale a pena o esforço, porque nunca conseguirá entrar no curso desejado. Claro que as aspirações e as expectativas devem ser realistas. Um autoconceito escolar extremamente elevado é tão nefasto quanto um autoconceito baixo. Um adequado conhecimento de si próprio, dos seus interesses, motivações e competências, é primordial para fazer escolhas conscientes e adequadas.

Quando a indecisão é grande, é aconselhável recorrer a um psicólogo especializado em orientação vocacionalEste processo ajudará o jovem a conhecer-se melhor, a identificar os seus interesses e aptidões e a construir um projeto académico e profissional mais sólido. Além de promover o autoconhecimento e a capacidade de decisão, a orientação vocacional fornece informação atualizada sobre o mundo do trabalho, as diferentes profissões, as competências exigidas e as oportunidades de empregabilidade, num contexto em constante transformação devido à evolução da ciência e da tecnologia.

 

O papel dos pais é determinante para ajudar o jovem a ultrapassar esta etapa com sucesso. Assim, é fundamental:

  • Motivá-lo para construir o seu projeto vocacional.
  • Incentivar uma exploração vocacional informada e planeada.
  • Valorizar os seus pontos fortes.
  • Assumir um papel periférico de apoio, sem exercer pressão ou transmitir ansiedade, tanto durante o percurso escolar como nos momentos de decisão.
  • Promover um discurso positivo sobre o trabalho e lembrar que não há más profissões, mas, sim, maus profissionais.

 

A segunda fase dos exames nacionais representa uma nova oportunidade para os jovens persistirem nos seus objetivos. Recorde as datas das provas — atualizadas pelo Ministério da Educação após "dificuldades informáticas no processo de classificação eletrónica" , assim como o calendário para a candidatura ao ensino superior.

 

Calendário de Exames 12.º ano  2.ª fase

Disciplina Data de Realização
Português 21 de julho às 09:30
Português Língua Segunda 21 de julho às 09:30
PLMN 21 de julho às 09:30
Matemática A 22 de julho às 09:30
História A 23 de julho às 09:30
Desenho A 24 de julho às 09:30
 

Afixação das pautas : 7 de agosto

! Nenhuma destas informações dispensa a consulta do site oficial do IAVE.

 

Calendário – Candidatura ao Ensino Superior

Fase Período de candidatura
1.ª fase De 20 de julho a 6 de agosto
2.ª fase De 24 de agosto a 2 de setembro
3.ª fase De 22 a 24 de setembro

 

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