Sem se intrometer e pressionar em demasia, esteja atento ao seu filho

Antigamente, era tudo mais fácil! O saber era linear e uniforme; vinha tradicionalmente de pais para filhos, de professores para alunos, de cima para baixo. O poder era único e bem localizado; quem mandava era mais velho ou teoricamente mais culto. Na família, os filhos não contestavam, em regra, os pais, “teóricos” detentores da verdade e da experiência de vida. Mas hoje tudo está diferente!

Os jovens são influenciados por espaços narrativos fluidos; os valores não são os tradicionais, antes se constroem no relacionamento partilhado com o grupo de pares dos nossos filhos e filhas e com os adultos do seu universo relacional. As novas tecnologias mediatizadas determinam novos saberes e capacidades, com os acontecimentos a aparecerem das mais diversas formas e em contextos cada vez mais dispersos.

Os pais precisam convencer-se, com urgência, de que há uma identidade juvenil para além da escola e da família, isto é, que as pessoas novas se tornam adultas também a sair à noite e a viverem experiências inovadoras.

Os professores necessitam convencer-se de que os seus alunos também são produtores de cultura, ainda que, muitas vezes, uma cultura centrada no quotidiano onde é permanente o provisório.

Assim, devemos todos pensar que para crescermos não pode haver certezas nem saberes absolutos. O imprevisto e a determinação devem ser nossos guias.

Do mesmo modo, tentemos partilhar, família e escola, pais e professores, a tarefa muito complicada de acompanhar os jovens, agora na sua adolescência, de modo a ajudarmos ao seu desenvolvimento integral.

Para o fazermos temos que caminhar lado a lado, de mãos dadas, escola e pais, temos de construir relações frutuosas de cooperação, que vão ser importantes desde o início da escolaridade até ao final do 12.º ano.

O diretor de turma é o elemento privilegiado da relação dos pais com a escola. O parceiro fundamental. Ele tem uma importância vital na troca de informações entre uns e outra, porque dá informações sobre o aproveitamento, a assiduidade e o comportamento, mas também espera que os pais lhe transmitam o que de mais importante se passa na vida dos jovens. Estes dados permitem compreender determinadas situações que são, muitas vezes, cruciais para resolver problemas que podem surgir — e vão surgindo.

É errado pensar que quando os nossos filhos são mais velhos e já estão no secundário não é necessário manter os contactos com a escola, como se fazia no Básico.

O tipo de questões e problemas é diferente, mas nem por isso menos importante. A forma de abordar as questões com o diretor de turma é que deve ter em conta a idade do jovem. Do mesmo modo que as atitudes a assumir junto dos filhos mais velhos também terão em conta a sua idade: mais partilha de informação, mais diálogo e maior responsabilização serão o mais adequado.

Mesmo que o seu filho afirme repetidamente que já tem idade para ser autónomo, continue a informar-se e a interessar-se pela sua vida escolar. Há até alunos que consideram a ausência dos pais nos contactos com o diretor de turma, e até nas reuniões, como uma manifestação de desinteresse e de abandono.

Assim, é essencial uma permanente “atividade” dos pais durante o período da adolescência dos filhos:

  • incentivá-los e ajudá-los a falar sobre o que se passa na escola e no grupo;
  • questioná-los sobre os seus valores e as suas decisões;
  • acompanhar o seu modo de reação perante acontecimentos mais ou menos frustrantes;
  • supervisionar sempre, ainda que discretamente, as suas atividades.

Sabemos que na adolescência todos aqueles que rodeiam o jovem (incluindo, em primeiro lugar, ele próprio) são corresponsáveis pelo que vai surgindo, mas é evidente que é aos pais que cabe a influência fundamental.

Juntos no desafio da parentalidade!
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