O próximo ano é de 1.º ciclo. Mas, primeiro, venha o último de pré-escolar

A frequência de um jardim de infância ou, pelo menos, de um ano pré-escolar, é um direito e uma necessidade de todas as crianças, independentemente de os pais trabalharem ou não fora de casa.

As crianças precisam de conviver com outras crianças, de terem espaços onde possam realizar experiências que favoreçam o seu desenvolvimento: brincam, cantam, escutam e contam histórias; desenvolvem pequenos projetos de pesquisa sobre assuntos em que estão interessadas; fazem “leituras” do mundo à sua volta; aprendem a escrever através de simples tentativas de escrita (nome, nome do pai ou da mãe, nome do amigo, nome das várias áreas da sala, etc.); exprimem-se pelo desenho e pintura, pela música, teatro e expressão dramática, pelo corpo e movimento, por jogos organizados e livres; fazem visitas de estudo para conhecerem o meio que as rodeia, incluindo visitas à escola do 1.º ciclo, de modo a antecipar como irá ser o ano seguinte.

Em muitos países, onde não há uma educação pré-escolar universal para os 3-6 anos, existe, nas escolas do 1.º ciclo, um ano anterior à entrada na escolaridade obrigatória.

As terminologias que se usam são variadas: classes pré-primárias, classes de educação pré-escolar, ano de ensino infantil, ano preliminar, etc.

Estas “classes” foram criadas por múltiplas razões: para preparar a transição entre a família e a escola obrigatória ou para orientar as crianças para a transição para o 1.º ciclo da educação básica.

Em casos em que o Português não é a primeira língua na família, este ano de transição permite ensinar a língua segunda (a língua usada na escola) de forma a evitar atrasos ou insucessos criados pelo não domínio da língua-padrão.

Em países de muita imigração — e o nosso tem vindo a sê-lo nos mais recentes anos —, frequentar um ano de educação pré-escolar é uma forma de garantir uma inserção tranquila na escola do 1.º ciclo.

 

A importância de um ano pré-escolar antes da entrada na escola

 

A criança vem de casa habituada a estar sozinha ou apenas com os irmãos, no caso de existirem. A sua interação privilegiada é com adultos. Não conhece ainda o que é a vida em grupo: não sabe o que é não ser o centro, ser um entre muitos, esperar pela sua vez, estar pronta a fazer cedências e negociações com os outros meninos.

Precisa de aprender a cumprir orientações, a respeitar horários, a aceitar um número de lugares limitado nos espaços de brincadeira, a ceder a sua vez, a comer sozinha, a nomear e gerir sentimentos de frustração sem agressividade.

Precisa de aprender a arrumar, a limpar, a regar as plantas ou cuidar dos animais que há na sala. Tudo isto organizado de uma forma lúdica (isto é, centrado no jogo), promovendo a liberdade e livre expressão mas, simultaneamente, garantindo o conhecimento e fazendo apelo às suas capacidades mentais.

Tratam-se de competências sociais e intelectuais muito importantes.

A criança em idade pré-escolar precisa ainda de aprender a autonomia: viver numa sala de atividades com uma determinada organização do espaço e com regras, situando-se nas mesmas sem precisar que o adulto lhe diga constantemente o que pode ou não pode fazer; experimentar a autoconfiança; perceber que há uma rotina diária de atividades no jardim de infância e sentir-se confortável e autónoma nessa rotina; ajudar os mais pequenos da sala a arrumar; comer sozinha às refeições; participar nas decisões sobre a sala, a rotina e a organização da vida do grupo.

A autonomia está profundamente ligada à responsabilidade: a possibilidade de fazer escolhas e de explorar os materiais da sala de diferentes formas implica uma responsabilização de todo o grupo de crianças e de cada criança.

Assim, podemos falar de uma aprendizagem da cidadania no jardim de infância. Sem estas competências não serão possíveis as aprendizagens mais formais no 1.º ciclo, incluindo as diferentes literacias (língua falada, escrita e lida; matemática; expressões artísticas, etc.), do conhecimento do mundo e estudo do meio.

É fundamental que os pais se mantenham informados sobre o que se passa no jardim de infância, dialogando com os educadores dos seus filhos, participando nas atividades e iniciativas que são promovidas e, mesmo, voluntariando-se para o que for necessário.

Devem também ir preparando de forma positiva a entrada dos filhos na escola do 1.º ciclo. O Ministério da Educação concebeu e publicou um conjunto de Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar de modo a guiar a prática nos jardins de infância.

Os pais podem pedir aos educadores para consultar esse documento, que também está online na página da Direção-Geral da Educação.

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