Qual a importância da escola?

A escola não deve fabricar «cavalos de corrida» para qualquer retoma económica, mas sim contribuir para o desenvolvimento de pessoas livres e felizes, assertivas e solidárias, que vivem uma vida própria e relacional nas futuras décadas.

Gabamo-nos (e bem) de termos cada vez mais crianças e adolescentes no sistema educativo. Devemos agradecer à evolução e à democracia as crianças poderem frequentar a escola e, sem dúvida, terem mais hipóteses de serem felizes e aperceberem-se, em conjunto, que são cidadãos, profissionais, pessoas e seres humanos.

A escola coloca-nos problemas de consciência, filosóficos, conceptuais e práticos. Mas o que se sente é que questioná-la é quase ainda um tabu. Os professores são intocáveis, dado que são vítimas do sistema, da colocação aleatória e desgovernada, dos ordenados baixos e de terem de aturar os alunos. Os alunos são «anjos» que podem fazer tudo o que querem, e os pais, esses «coitados», andam stressados, com dívidas para pagar, e por isso mesmo é que cumprem os seus deveres fiscais, para remeterem para a escola a dura, terrível e cruel tarefa de «educar». Escola aqui, casa ali, comunidade acolá. Aprender por aprender, ou, antes, dar informação por dar informação. A única ligação que frequentemente fica entre a vida escolar e a vida real são os famosíssimos TPC.

Será que é assim? Que esperamos nós da escola? Existirá uma «escola ideal»? A que temos é suficientemente boa?

Objetivos do processo de ensino/aprendizagem

A escola é parte integrante da vida da criança e o seu dever é descobrir talentos e competências, detetar fragilidades, tentar dar informação, conhecimentos e, sobretudo, transmitir sabedoria, mas respeitando que uns podem ser melhores do que os outros e isso não deveria ser explicitamente «denunciado na praça pública».

Os ritmos de ensino, as longas aulas em que os alunos têm de estar quietos e calados, em que não se respeitam, nem a biologia, nem a psicologia das crianças são uma realidade com a qual as crianças e jovens têm de lidar.

Para lá disso, o que se aprende na escola tem de ser também aprendido em todos os lados. As fontes de informação, conhecimento e sabedoria são cada vez mais vastas, da casa à rua, passando pela televisão, internet, livros, amigos, vizinhos, casos reais, ficção... A escola não pode aparecer como «a única que ensina», e o que deve fazer é complementar tudo o resto, designadamente o que é feito em casa. Levar isto à prática faz com que se tenha de repensar praticamente tudo e abandonar alguns dos métodos de gerações anteriores.

Mas se tudo mudou, o sistema de ensino/aprendizagem não deve ficar estático. Era como continuar a fazer televisão como se fazia nos anos cinquenta, ou jornais juntando letras em tipografias antigas.

Uma palavra também sobre a descoberta de talentos e competências, tarefa que exigirá uma revisão ampla dos objetivos da escola e dos sistema de classificação. Há competências sociais e humanas que não têm nota e deveriam ter.

A última menção para o ambiente. Ambiente que tem de ser acolhedor, feito à medida das crianças e não apenas dos professores, onde a exploração dos limites do corpo e do físico possa ser exercitada sem perigos mas com riscos controlados; onde as armadilhas que causam acidentes de consequências graves não existam: onde as crianças e jovens se sintam bem e se sintam felizes, condição indispensável para o sucesso educativo.

Um ambiente de qualidade, a todos os níveis (ético, relacional, estético, ecológico, de segurança), fará mais pelo civismo e pela cidadania do que milhares de «pregações» feitas pelos adultos.

Juntos no desafio da parentalidade!
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