Ir à escola com os filhos: quando e para quê?

O caminho para a escola, sempre que os pais possam, deve ser feito em conjunto. Lado a lado com os filhos, quando se vai a pé; ou os adultos à frente e as crianças atrás quando se utiliza o carro! Existem outras variações e outros meios de transporte, mas o importante é que esse caminho não se faça em silêncio, mas a conversar.

| 28-04-2025

“Como vai ser o dia? Que disciplinas vai ter? Fez os trabalhos todos? Está com receio de receber alguma nota?” O objetivo não é transformar este percurso numa sessão do tribunal da Inquisição, mas de nos inteiramos do dia dos mais novos, de sabermos como vai ser, de percebermos se está ansioso com alguma coisa, de entendermos se algo corre menos bem.

 

O ir à escola com os filhos, idealmente, deve acontecer desde o pré-escolar. Ir, entrar e conversar com o educador de infância ou o auxiliar. Se possível, espreitar a sala e ver os projetos que têm vindo a ser desenvolvidos. Perceber o desenvolvimento da criança – “Já distingue as cores? Como está a motricidade fina? E o relacionamento com os outros meninos?” Mas, atenção, nada de ser intrusivo! Fazer tudo de maneira delicada e educada, de modo a que o educador não se sinta invadido no seu espaço. Não há nada pior que pormos em causa o profissionalismo de quem está na escola!

 

No 1.º ciclo, os pais continuam a ser bem-vindos à escola e continuam a poder entrar e conversar com os professores. É importante também para os filhos ver que os pais estão interessados naquilo que fazem na escola, que se preocupam. Mas, mais uma vez, nenhum de nós quer ficar conhecido por ser “chato”, “abelhudo”, “superprotetor” ou alguma coisa pior.

 

A partir do 2.º ciclo e daí em diante, os pais já não entram na escola senão em ocasiões especiais. Faz sentido, os filhos estão mais velhos, precisam de ganhar autonomia e sentirem-se responsáveis, crescidos, por terem mudado de ciclo e terem mais professores. Mas vamos continuar a interessarmo-nos pela vida académica dos nossos filhos: vamos às reuniões marcadas pela escola e, em caso de dúvida, podemos marcar um encontro com o diretor de turma. Vamos fazê-lo para resolver questões importantes: “O professor de Português está constantemente de baixa e os alunos vão ter exame no final do ano, o que está a escola a fazer para resolver este problema?” ou “O meu filho chegou com o casaco rasgado a casa, percebemos que é vítima de bullying. A escola já sabia? O que está a ser feito para que ele não volte a ser agredido?”

 

O deixarmos de levar filhos à escola e não fazermos o percurso com eles – “Ó mãe, mas eu já não sou nenhum bebé e posso ir com os meus colegas que moram aqui no bairro” –, não significa que vamos perder o interesse pelo que se passa nas suas vidas! Voltemos ao primeiro parágrafo: o caminho da escola deve ser feito lado a lado, mas agora metaforicamente. Vamos fazê-lo à tarde, quando se encontram em casa, durante a noite ou na manhã seguinte. Aproveitar, por exemplo, a hora de jantar, para conversar, fazer perguntas, ouvir os comentários (nem sempre abonatórios) sobre a professora de Francês ou o da Matemática. Dizer-lhes que não se deve falar mal dos professores, que se algum ralhou é porque tinha razão, ensiná-los a respeitar os mais velhos.

 

É essa a nossa função de pais e é isso que os professores nos pedem para que não sejamos nós a ser chamados à escola!

 

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