Aprender começa com a vontade de descobrir: o papel da Ciência no desenvolvimento dos mais novos

Num mundo em constante mudança, há uma certeza: aquilo que hoje aprendemos depressa se transforma. Por isso, talvez o maior legado que possamos deixar às crianças não seja um conjunto de respostas, mas a vontade de continuarem a fazer perguntas.

| 13-07-2026

“Porque é que o céu muda de cor ao pôr do sol?”, “Porque é que há dia e noite?”, “Porque é que o sabão faz espuma?”, “Porque é que o mar é salgado?”, “Porque é que o pão cresce no forno?”. Quem vive com crianças conhece bem este tipo de perguntas. Surgem espontaneamente, em momentos inesperados, e colocam-nos perante um desafio: como lidar com a incansável curiosidade das crianças?

Mais do que responder de imediato, faz a diferença parar, observar, experimentar em conjunto e pensar sobre o que está a acontecer. É aí que começa a Ciência.

Num mundo em constante mudança, há uma certeza: aquilo que hoje aprendemos depressa se transforma. Por isso, talvez o maior legado que possamos deixar às crianças não seja um conjunto de respostas, mas a vontade de continuarem a fazer perguntas.

Quando os adultos valorizam as perguntas das crianças, estão a mostrar que aprender vale a pena.

O gosto pela descoberta é o ponto de partida da aprendizagem

 

Quando pensamos em Ciência, imaginamos muitas vezes laboratórios, batas brancas ou experiências complicadas. Mas a Ciência começa muito antes disso: nasce quando uma criança teima em compreender porque é que um balão sobe, a luz acende quando carregamos num interruptor ou alguns objetos flutuam e outros afundam.

Sempre que observa, compara, experimenta ou procura explicações, está a desenvolver o pensamento científico. Mais do que adquirir conhecimentos, aprende a observar melhor, a fazer perguntas, a procurar respostas e a perceber que errar também faz parte da aprendizagem. É este modo de pensar que favorece a autonomia e a confiança.

A importância de incentivar estas capacidades é hoje reconhecida por organizações internacionais como a OCDE, a UNESCO e a Comissão Europeia, que destacam o papel do pensamento crítico, da criatividade, da resolução de problemas e da aprendizagem ao longo da vida.

 

Aprender Ciência é muito mais do que memorizar conteúdos

 

Quando falamos de sucesso escolar, tendemos a pensar em classificações e em testes. No entanto, aprender é um processo muito mais vasto.

Ao serem colocados perante desafios de natureza científica, os alunos vão desenvolvendo capacidades essenciais, como observar com mais atenção, analisar informação, estabelecer relações entre ideias, formular hipóteses, resolver problemas e não desistir quando surgem dificuldades.

Mais do que adquirir conhecimentos, aprendem a pensar de forma autónoma, a colaborar, a encontrar soluções e a ganhar confiança para enfrentar novos desafios, percebendo que errar faz parte da aprendizagem.

 

Quando aprender se transforma numa experiência motivadora

 

Existem contextos educativos que procuram precisamente transformar a aprendizagem numa experiência mais ativa e envolvente. É neste contexto que se inserem as Competições Nacionais de Ciência (CNC), promovidas pelo Projeto Matemática Ensino (PmatE) da Universidade de Aveiro.

Há mais de três décadas que milhares de alunos de escolas de todo o país participam nesta iniciativa, aprofundando, através de jogos dinâmicos e interativos, conhecimentos em áreas como a Matemática, as Ciências, o Português, o Inglês e, mais recentemente, o mar e os oceanos.

Mais do que avaliar conhecimentos, estas experiências mostram que aprender pode ser exigente, mas também motivador e até divertido.

Ao longo do ano letivo, os alunos trabalham em equipa, resolvem desafios e são incentivados a investigar e a encontrar estratégias próprias. Muitas vezes, isso leva-os a aprofundar temas para além da sala de aula e a aprender de forma mais autónoma.

Mais do que avaliar conhecimentos, estas experiências mostram que aprender pode ser exigente, mas também motivador e até divertido.

 

Competições Nacionais de Ciência: uma experiência que amplia horizontes

 

Um dos momentos mais marcantes das Competições Nacionais de Ciência acontece na Universidade de Aveiro. Nesse dia, os alunos têm contacto direto com o ambiente universitário. Investigadores, docentes, estudantes e diferentes departamentos abrem as portas da Universidade através de atividades, demonstrações e experiências interativas.

Para muitos alunos, este é um momento único para realizar experiências hands-on, aproximar-se da investigação científica e ter o primeiro contacto com o ensino superior. Esta oportunidade permite-lhes descobrir novas áreas do conhecimento, explorar interesses que ainda não conheciam e construir uma visão mais ampla do futuro.

Mas a curiosidade não se alimenta apenas nestes momentos. Também em casa, no dia a dia, os adultos desempenham um papel decisivo.

 

O papel dos pais na construção da curiosidade

 

A curiosidade é natural nas crianças, mas precisa de ser alimentada. E isso não exige conhecimentos científicos especializados. Pequenos momentos do dia a dia podem fazer toda a diferença: uma conversa sobre uma notícia, um passeio na Natureza, uma receita preparada em conjunto ou a procura de respostas a perguntas espontâneas.

O essencial não é saber tudo, mas antes demonstrar disposição para procurar respostas em conjunto.

Quando os adultos valorizam as perguntas das crianças, estão a mostrar que aprender vale a pena. São estes pequenos momentos que ajudam a formar crianças mais autónomas, confiantes e preparadas para novos desafios.

 

O futuro constrói-se dia a dia

 

As crianças que hoje perguntam porque é que o céu muda de cor serão os adultos que viverão num mundo marcado pela inteligência artificial, pela robótica ou pela biotecnologia. Mas uma coisa é certa: não sabemos quais serão as profissões do futuroSabemos, sim, que essas mudanças exigirão capacidade de adaptação, pensamento crítico e vontade constante de aprender.

Estas competências desenvolvem-se muito antes da universidade e também através de experiências fora da escola, sempre que a criança observa, questiona, experimenta e constrói significados.

 

Mais do que aprender: descobrir

 

As Competições Nacionais de Ciência mostram que aprender pode ir muito além da memorização de conteúdos. Ao longo do seu percurso, os alunos consolidam conhecimentos, enfrentam desafios, trabalham em equipa e descobrem novas áreas de interesse que podem influenciar o seu futuro.

Num mundo em constante transformação, preparar as novas gerações passa por estimular a curiosidade, a capacidade de adaptação e a vontade de continuar a aprender ao longo da vida.

Afinal, a Ciência não começa numa sala de aula nem num laboratório. Começa sempre da mesma forma: com uma criança que pergunta “porquê?” e um adulto disposto a explorar a resposta com ela.

 

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