O dinheiro como valor e o valor do dinheiro para um aluno do secundário
Dos jovens que frequentam o secundário espera-se que a consciencialização das virtudes da poupança e do planeamento esteja apreendida. Mas nunca é demais reforçá-la e relembrá-la. Sendo que esta é a idade certa para introduzir o conceito de valor, o elemento que explica as decisões de consumo, poupança e investimento.
Paulo AlcarvaO dinheiro está intimamente relacionado com o abstrato conceito de valor. Ou seja, o valor de um bem ou de um serviço é aquilo que ele “vale”, sendo que esse valor é medido quase sempre em dinheiro; para além disso, o valor de determinada coisa pode ser fixo, isto é, vale o mesmo indistintamente para qualquer pessoa, ou pode depender daquilo que determinada pessoa está disposta a pagar por ela.
Por exemplo, imaginemos que um aluno do secundário pretender ter aulas de surf e tem três hipóteses à escolha: um professor que ensina os movimentos básicos e que por cinco aulas cobra 50 euros; um professor que ensina alguns truques para além do básico e que por 50 euros dá três aulas; e um surfista profissional que leva 50 euros por lição. Qual a melhor opção? Não existe, claro está, uma resposta certa, pois as diferentes opções têm diferentes valores para diferentes pessoas.
Com este conceito de valor, os alunos podem finalmente completar a resposta-chave para as escolhas a que estamos obrigados a fazer diariamente e as decisões planeadas para o futuro: o consumo, com ou sem crédito, e a poupança dependem daquilo que podemos efetivamente despender e do que é mais importante para nós.
Investimento a partir da poupança
O conceito de poupança também pode dar um passo à frente aos olhos de um aluno do secundário, ao complementá-lo com a noção de investimento. Desde logo, importa registar que existem várias formas de investir o dinheiro que se poupou, mas a razão para o fazer é que é sempre igual: fazer crescer o dinheiro investido ao longo do tempo.
O ato de investir, como qualquer outra decisão de natureza financeira, deve começar pela recolha de informação e de um prévio planeamento. Nas bolsas de valores de todo o mundo, locais onde se transacionam ações de empresas, existem milhões de opções de investimento, apenas perscrutáveis/selecionáveis através de uma análise muito criteriosa das empresas e do contexto financeiro do momento. Neste tipo de investimento, o binómio risco-rentabilidade é elevado ao seu expoente máximo, ou seja, quanto maior o risco de perda do nosso investimento que estamos dispostos a correr, maior a probabilidade de termos um retorno superior desse investimento.
Felizmente existem investimentos mais tranquilos, como sejam as obrigações e os certificados de aforro, para não falar nos depósitos a prazo. Estes são “rendimentos fixos”, assim denominados dada a previsibilidade do retorno, pelo menos, do capital investido.
Contudo, como na vida raramente as coisas se resumem a um panorama preto-e-branco, a opção mais equilibrada passa pela construção de um “mix” de investimentos financeiro, construindo assim um portfólio. O princípio deve passar por misturar ativos financeiros com diferentes níveis de risco, para os contrabalançar; contudo, no final do dia, a composição desse portfólio refletirá o perfil de risco do investidor. Ou seja, em termos simples, podem-se formar três tipos de portfólios: reduzido, moderado e agressivo.
O primeiro primará por ter depósitos e seus derivados (por exemplo, fundos de investimento de tesouraria) e obrigações de Estados cujo pagamento da dívida não se questiona (p. ex. Alemanha e Estados Unidos) e de empresas multinacionais quase monopolistas (p. ex. Coca-Cola e Apple). O segundo dos portfólios é aquele que melhor equilibra o risco com a rentabilidade, introduzindo o investimento em ações, ainda que de empresas com um histórico de performance muito sólido (uma vez mais, as grandes multinacionais). O terceiro é um portfólio mais adequado para quem tem um coração forte, que está disposto a correr conscientemente riscos para obter uma rentabilidade maior e mais rápida.