Como incentivar a leitura nas férias?
Para os mais novos, as leituras de férias devem estar associadas ao tempo livre, à descoberta e à partilha de experiências com a família e os amigos. Saiba como incentivar a leitura numa época em que os ecrãs competem cada vez mais pela atenção das crianças e dos jovens.
Carla Maia de AlmeidaIncentivar as crianças e os jovens a ler durante as férias não só ajuda a consolidar os hábitos de leitura, como também proporciona momentos inesquecíveis em família. Descubra algumas sugestões para integrar os livros nas rotinas de verão e tornar as férias mais enriquecedoras e educativas.
> Prepare uma ida à livraria
Antes das férias, há um sentimento coletivo de entusiasmo, novidade e expectativa. Estes momentos têm sempre mais impacto e adesão emocional quando são acompanhados por rituais. Ir a uma livraria (e não a um hipermercado...) com o propósito único de escolher um livro para as férias pode ser uma festa. Com as crianças, marque um dia, uma hora, uma loja. A aventura começa aí!
> Conheça os interesses dos seus filhos
Muitos adultos queixam-se de que os mais novos não leem, ou não leem o suficiente. Há uma abordagem que costuma resultar: oferecer-lhes livros que vão ao encontro dos seus interesses e gostos. Futebol? História? Ciência? Animais? Invenções? Matemática? Magia? Existem livros sobre tudo. Evite, durante algum tempo, a tentação de pensar que há temas “maiores” e “menores”.
Algumas sugestões (para todas as idades):
> Escolha livros de que também goste
As crianças devem ser encorajadas a escolher os seus livros, mas os adultos têm uma palavra a dizer. Um bom livro para crianças é aquele de que os adultos também gostam; de outro modo, que sentido faz a leitura partilhada? Há autores que agradam a ambos os lados: Sophia de Mello Breyner Andresen, Manuel António Pina, Luis Sepúlveda, Jorge Sousa Braga, Lewis Carroll, Saint-Exupéry, entre muitos outros. Pode-se escolher um livro pelo autor, pelo tema, pelas ilustrações, pelo texto, pela coleção, pela editora... Tudo isso são critérios. Mas a responsabilidade de uma escolha acertada – que nem sempre é possível – cabe ao adulto. Ao selecionar um livro, convoque os seus valores, a sua informação, a sua sabedoria e experiência de vida.
> Evite os lugares previsíveis
Se durante o resto do ano costuma ler-lhes uma história antes de adormecerem, as férias são a oportunidade para quebrar a rotina. Explore outros lugares, fuja dos horários certos, associe a leitura aos cinco sentidos. Não lemos só “do pescoço para cima”. Partilhar um livro na praia, debaixo de um guarda-sol, enquanto se espera pela hora do banho, pode ter um efeito duradouro na memória dos pequenos leitores.
> Leiam juntos e em voz alta
Os bons livros para crianças têm ritmo e musicalidade na leitura em voz alta. Esta é uma característica que os distingue dos livros “para os adultos”. Ler em voz alta não é só para bebés e pré-leitores. É para todos. A voz humana chama emoções e um sentido de comunidade e pertença à família. Como escreveu Rodolfo Castro, escritor e contador de histórias, «ler em voz alta é fazer ressoar o nosso interior».
> Explore outros géneros literários
As crianças não resistem a uma boa história, mas as leituras de férias podem arriscar outros géneros literários. Porque não explorar um atlas, um guia de viagem, um livro informativo sobre... florestas tropicais? Se quiser ir mais longe, “leia” um álbum sem texto. Raymond Briggs, Istvan Banyai e Thé Tjong-Khing estão entre os autores que construíram belas narrativas só com imagens. Deixe que sejam as crianças a contar a história.
> Dê-lhes o direito de não acabar o livro
Faz parte dos dez direitos do leitor, segundo o bestseller de Daniel Pennac: «o direito de não acabar o livro». As férias são um tempo de liberdade, de alegria e vitalidade. Usar a leitura como castigo (“Se não acabares esse livro, não te compro outro”) ou como meio para chegar a um fim (“Se vieres para a mesa, leio-te uma história”) não é boa política. Porquê? Porque os adultos acabam por dar mais importância à educação do que à literatura. E isso é meio caminho andado para não escolher os melhores livros.