O que fazer quando a entrada no curso superior parece mais difícil?
Em Portugal, a decisão quanto à escolha do curso a prosseguir é tomada demasiado cedo, quando ainda não há nem maturidade cognitiva nem vocacional, na maior parte dos casos.
Ana Rodrigues da Costa | 08-07-2024Os jovens, aos 14/15 anos, escolhem a área a seguir no 10.º ano, área essa que já preconiza escolhas futuras em termos de curso superior; e, aos 17/18 anos, escolhem o curso que, obviamente, terá como finalidade prepará-los para exercerem uma profissão.
Esta escolha, para além de difícil, tem como principal condicionante o numerus clausus. Isto é: anualmente há que contar com o número de candidatos e o número de vagas que as instituições de ensino disponibilizam, ou seja, há muitas incertezas.
Muitas vezes, depois dos exames nacionais do 12.º ano, o jovem vê-se confrontado com a necessidade de fazer novas escolhas, dado que a média obtida não é suficiente para ingressar no curso que escolheu, por vezes há muitos anos.
Quando o investimento feito pelo jovem e pela família para entrar em determinado curso foi grande e depois não se obteve a desejada entrada, às vezes por décimas, pode instalar-se a desmotivação, o desespero e, até, a depressão.
É necessário ter sempre um plano B: escolher um outro curso próximo, que permita a mudança no ano seguinte, de preferência com a equivalência a algumas unidades curriculares, ou um outro curso que também seja do agrado do jovem e em que ele se veja a desempenhar com mestria a profissão, até porque o boletim de candidatura permite a escolha seis cursos. É absolutamente desaconselhável preencher esse boletim ao sabor do momento, sem a devida reflexão. Deve ser feito conscienciosamente e ponderando a possibilidade de entrar em qualquer deles.
Será que eu me vejo a tirar o curso X? E a desempenhar a profissão Y? Se realmente o jovem não se vê a fazer mais nada, então deve ponderar ficar mais um ano a subir as notas de ingresso. É preferível entrar um ano mais tarde, mas fazer aquilo que efetivamente quer. Passamos demasiadas horas da nossa vida a trabalhar, então devemos fazê-lo com muito prazer, muita entrega. Só assim seremos excelentes profissionais.
O que deve ser evitado a todo o custo é o desânimo, o considerar que não se é capaz, que não vale a pena porque nunca se vai conseguir entrar no curso que se quer. Claro que as aspirações e as expectativas têm de ser realistas. Um autoconceito escolar extremamente elevado é tão nefasto como um autoconceito baixo. Um adequado conhecimento de si próprio, dos seus interesses, motivações, competências, é primordial para se proceder a uma tomada de decisão eficaz.
Quando a indecisão é grande, procurar um psicólogo, para fazer orientação vocacional, é aconselhável. Esta vai permitir ao jovem encontrar uma identidade profissional e também pessoal, dado que um dos objetivos é o autoconhecimento e a promoção da tomada de decisão, para além da informação sobre o mundo do trabalho (profissões, tarefas a desempenhar, empregabilidade, etc.), que está constantemente em mudança, determinada pelo desenvolvimento da ciência e da tecnologia.
O papel dos pais é essencial para que o jovem ultrapasse esta etapa com sucesso. Assim, é fundamental:
- motivá-lo para construir o seu projeto vocacional;
- incentivar e proporcionar uma exploração vocacional planeada;
- realçar os seus pontos fortes;
- ter um papel periférico de apoio, sem pressão e sem ansiedade nas várias fases de formação, assim como quando se tem de fazer escolhas vocacionais;
- ter um discurso positivo sobre o trabalho e ter em atenção que não há más profissões, mas sim maus profissionais.
Embora a primeira fase das provas já tenha decorrido (os resultados foram conhecidos a 15 de julho), a segunda fase representa uma nova oportunidade para os jovens persistirem nos seus objetivos. Conheça as datas das provas, assim como o calendário para a candidatura ao ensino superior.
Calendário de Exames 12.º ano – 2.ª Fase
Afixação das pautas : 5 de agosto
! Nenhuma destas informações dispensa a consulta do site oficial do IAVE.
Calendário – Candidatura ao Ensino Superior
Continuem a apoiar e a incentivar os vossos filhos a acreditar nos seus sonhos e a trabalhar para os alcançar!



