Cuidados a ter no 2.º ano

O 2.º ano de escolaridade não é um ano difícil, mas é um ano que exige alguma atenção e alguns cuidados por parte dos pais ou de quem acompanha regularmente a criança. É um ano que pode, se não estivermos atentos, levar algumas crianças a uma certa desmotivação relativamente à escola.

Passou o ano da excitação da “ida para a escola”, do grande entusiasmo porque tudo era novo, da descoberta de um mundo, todo ele, diferente, em que tudo era novidade. Entra-se, agora, num ano de consolidação, de aprofundamento, no qual algumas discrepâncias se tornam muito evidentes.

A criança deu um salto grande, em termos do seu crescimento: é desenvolta na linguagem; fala de tudo, conversa e discute com à vontade; “apanha as conversas todas”; é rápida na apreensão do sentido de uma história que lhe é contada, a que assiste num espetáculo ou que vê na televisão; manipula o computador com uma destreza surpreendente.

No entanto, agora que sabe ler e escrever, não sabe o quer fazer! Resiste… não lhe apetece, não gosta, recusa-se mesmo!  

É que existe, neste momento, uma enorme discrepância entre os interesses da criança e o seu grau de desenvolvimento geral e, por outro lado, o domínio que possui das novas “ferramentas”.

As crianças cresceram, mas os instrumentos e ferramentas de que dispõem são ainda muito insipientes e oscilantes.

O seu ritmo de leitura e escrita é, claramente, insatisfatório, relativamente aos seus interesses e à sua capacidade de compreensão.

Os livros que consegue ler são muito infantis para o seu gosto e para os seus interesses e os que poderiam interessar-lhe são difíceis para o ritmo e velocidade da sua leitura.

 

A criança resiste… e, com frequência, desiste!

 

Entretanto, na escola é, inevitavelmente, tempo de consolidação, de desenvolvimento e de muito, muito treino — da leitura, da ortografia, da caligrafia, do cálculo, das operações. Mas com uma dose reforçada, daquilo que, muitas vezes, para a criança é mais difícil, daquilo que não lhe sai bem, daquilo em que esbarra, daquilo que é para ela menos motivante!

É, assim, imprescindível, encontrar, na escola e em casa, formas de compensar essas limitações, de modo a que a criança não perca o gosto e o entusiasmo pela aprendizagem. Estratégias para manter o seu interesse e reconhecer sentido para o esforço que tem de fazer, “resistindo” ao lado menos gratificante do trabalho e das tarefas com que se depara.

 

Conheça as estratégias para manter o interesse das crianças pela aprendizagem

Há que estimular a leitura, sem que ela se torne demasiado fastidiosa e frustrante para a criança. Por exemplo, lendo a par com ela: a criança lê um ou dois parágrafos, o adulto lê mais uns dois ou três e assim sucessivamente, proporcionando uma velocidade de leitura mais “interessante” para a criança.

Sugerir leituras de carácter mais utilitário, em geral mais curtas, é também uma boa estratégia: uma revista, partes de um jornal (sobre um assunto de que a criança goste), um livro informativo adequado à sua idade, livros de poemas, charadas (tão ao gosto das crianças desta idade), banda desenhada; etc.

Deve, sobretudo, evitar deixar de lhe ler, com o pretexto de que “a criança já sabe” (ou devia saber!). Continue a ler-lhe, para que ela mantenha o gosto e o desejo de se tornar melhor leitora.

O mesmo será importante ter em conta relativamente à escrita. Não penalize demasiado os erros, enquanto a criança escreve — ela ganhará medo e irá retrair-se sempre que tiver que escrever. Deixe-a escrever de acordo com a sua vontade e imaginação, valorizando o conteúdo e as ideias que tentou colocar no papel. Corrija, depois, e se possível de forma lúdica, os erros mais frequentes da criança.

Motive a escrita funcional: escrever um recado (para o pai, a mãe, os avós, o professor…), fazer uma lista de compras, copiar uma receita, fazer um horário ou um quadro de tarefas, escrever um postal divertido para alguém, fazer jogos e brincadeiras com palavras, enfim, incentive-se a escrita, sabendo que ela exige muito treino e a criança ainda está muito insegura nesse domínio.

Use também a Matemática em atividades do dia a dia e em situações lúdicas e desafiadoras: faça jogos de cálculo “difíceis”, use regularidades (do tipo: se 3+2=5, então 30+20? E 300+200? E 3000+2000?), faça a criança observar as referências numéricas existentes nas embalagens (em geral relativas a medidas) e converse sobre elas, deixe a criança medir coisas em casa, ponha-a a ver tabelas, mapas gráficos, etc.

Em resumo, apoie, nesta fase, o desenvolvimento das suas competências “académicas”, em situações naturais e do dia a dia, dando, assim, sentido e motivação ao seu esforço e trabalho na escola. 

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