O que é ser mágico
João Miranda

A magia, ou ilusionismo, é uma arte milenar que remonta a 2000 a. C., sendo uma das mais antigas formas de arte do mundo. O primeiro mágico conhecido chamava-se Dedi e as suas proezas estão descritas em papiros egípcios que relatam as suas ilusões, perante a corte do faraó Quéops.

Muitas vezes as pessoas perguntam-me como é ser mágico, e respondo simplesmente referindo que “é a melhor profissão do mundo”. O mágico consegue fazer o público sonhar enquanto está acordado, levando-o a um mundo imaginário onde a ficção se transforma em realidade, ainda que por breves momentos. Não existe melhor sensação do que estar num palco e conseguirmos com que o público se abstraia do seu dia a dia, desfrutando daquilo que o mágico demorou semanas, meses e talvez anos a ensaiar, para que no final seja recebido o tão merecido aplauso. No entanto, ser mágico tem uma grande desvantagem: conhecemos a maior parte dos princípios ilusionísticos e, por isso, quando assistimos à atuação de um mágico, raramente existe o sentimento de espanto!

A magia não é uma arte fácil de se conseguir transmitir, pois exige muito mais do que a realização de meros “truques” ou técnicas secretas: a comunicação com o público, a forma de estar em palco, a eventual decoração de cenário são apenas algumas das características essenciais de um bom mágico. A diferença entre “truques” e “magia” está no facto de que um bom mágico faz magia e, assim, o público não está simplesmente à procura de um “artefacto” ou à procura de resolver um mero puzzle ou “quebracabeças”. Um bom mágico é muito mais do que isso, pois o público esquece que existe uma explicação lógica por detrás de determinada ilusão. Para se conseguir esse estado de “atmosfera mágica” (descrita pelo mestre Arturo de Ascanio), são necessários anos de prática e a constante realização de espetáculos de magia, para que todas as ilusões e a sua apresentação sejam o mais cuidadas e perfeitas possível.

Para se ser Mágico é necessário, antes de mais, saber guardar segredo. O ilusionismo vive dos segredos, da sensação de que algo de incrível e inexplicável aconteceu. Além do essencial acima referido, um mágico tem de ser diferente e criar as suas próprias ilusões, para se distanciar dos conhecidos “clássicos”, dado que o público com as atuais evoluções tecnológicas está cada vez mais exigente. É preciso inovar e adaptar-se. As cartolas com coelho são coisas do passado!

Em Portugal não é fácil ser ilusionista. É fundamental ser versátil e estudar. Com dedicação, empenho e força de vontade é possível ser mágico profissional. É um caminho longo, mas o final é, sem dúvida, compensatório!

“A imaginação é mais importante que o conhecimento” – Albert Einstein

João Miranda - é mágico profissional e licenciado em Comércio Internacional. Conjuga na perfeição as duas atividades, aliando a prática profissional da magia ao facto de também ser proprietário de uma empresa exportadora de artigos de magia.

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