Brincar ao ar livre é saudável e divertido!
Joana Sucena
Brincar ao ar livre é saudável e divertido!
Brincar ao ar livre é saudável e divertido!

Chegou o mês de julho e com ele o culminar de mais um ano letivo.

Ao longo do ano, as relações de amizade e companheirismo entre as crianças tornaram-se mais fortes, mais sólidas, e o respeito e a entreajuda entre todos foram valores essenciais para um crescimento saudável e feliz.

Foram feitas muitas atividades, descobertas e aprendizagens que se traduziram em momentos divertidos e especiais. Por motivos diversos, muitas destas atividades realizaram-se no interior do jardim de infância.

Com o início do verão, estamos agora no momento apropriado para aproveitar o bom tempo e realizar diversas brincadeiras e atividades ao ar livre.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Pediatria, “as vantagens de brincar ao ar livre verificam-se a vários níveis. Ao favorecer a atividade física, constitui uma estratégia na prevenção da obesidade. Intelectualmente, estimula a aquisição de competências, treino da atenção e capacidade de resolução de problemas. No plano emocional e social, brincar proporciona diversas situações em que é testada a relação com os pares, permitindo desenvolver a resiliência. Além disso, ao transferir para a brincadeira objetos ou fenómenos da realidade externa, a criança constrói as bases para a compreensão de si própria e do mundo, expressando os seus medos e frustrações, mas também a sua criatividade”.1

Um estudo realizado por Michael L. Henniger (Investigador da Universidade Ocidental de Washington) partiu das recordações que tinham 150 jovens adultos das suas brincadeiras enquanto crianças. Mais de 75 por cento recordou as atividades ao ar livre.2

O jardim de infância tem, então, aqui um papel fundamental: deve proporcionar às crianç̧as momentos nos quais possam brincar livremente no exterior e também deve dinamizar diversas atividades orientadas neste espaç̧o.

Como sugestão ficam os passeios a parques e jardins, a realização de atividades orientadas no recreio (torneios de futebol, torneios de atletismo, jogos de movimento, atividades de expressão plástica, sensoriais, criar e cuidar de uma horta...) e até a alteração do local do lanche para o exterior, criando assim um divertido momento semelhante a um piquenique.

Nos dias de hoje, ainda encontramos poucos pais que brincam ao ar livre com os seus filhos, o que faz com que as crianças estejam muito tempo dentro de casa e recorram, assim, com muita facilidade, às novas tecnologias.

Apesar de existirem jogos tecnológicos com algum interesse, o acesso a esses jogos é habitualmente solitário e a interação com a família fica muitas vezes reduzida.

É então importante que os pais criem alternativas, que substituam os vídeo-jogos e o acesso fácil à televisão por brincadeiras que lhes permitam mexer, correr, saltar, “libertar toda a sua energia”, num ambiente saudável e apelativo.

Enquanto educadores, devemos sensibilizar os pais para esta temática, incentivando-os a saírem mais de casa com os seus filhos de forma a usufruírem de todos os benefícios que as brincadeiras ao ar livre proporcionam.

Para terminar, desejo a todos umas excelentes e merecidas férias!

1 - Sociedade Portuguesa de Pediatria, Ata Pediátrica 2013, “O brincar da criança em idade pré- escolar”
2 - Early Child Development and Care, “Adult perceptions of favorite chilhood play experiences”, Michael L. Henniger (1994)





Joana Sucena — educadora de infância do ensino privado

 

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