Conheça os perigos das máquinas de «vending» e dos bufetes

A oferta alimentar dos bufetes das escolas deve ter em conta uma alimentação saudável, equilibrada e completa para os alunos, desde o 2.º ciclo até ao secundário. O aparecimento de máquinas de venda automática de alimentos (vending machines) promoveu uma maior necessidade por parte dos bufetes de possuírem produtos que competissem com a oferta encontrada nestas máquinas, não privilegiando produtos saudáveis.

Nos bufetes das escolas, tornou-se mais importante ter disponíveis produtos a preço reduzido, em vez da sua qualidade nutricional. A proliferação das máquinas deixou poucas alternativas aos diretores das escolas, uma vez que constituem uma pequena fonte de receita e economia de recursos, humanos e financeiros.

A maioria das máquinas de venda automática de alimentos possui alimentos de elevada densidade energética, isto é, com elevado teor de gordura, açúcar e sal, prejudiciais à saúde dos alunos. Alguns destes alimentos são refrigerantes, produtos de pastelaria muito calóricos, chocolates, etc.

O consumo diário de alimentos com uma densidade calórica desequilibrada às necessidades energéticas diárias pode ter consequências tanto a nível de saúde como escolar, uma vez que, por exemplo, a ingestão de grandes quantidades de açúcar pode, comprovadamente, dificultar a comunicação entre os neurónios e deixar o cérebro mais lento, daí uma maior dificuldade de concentração nas aulas.

E um dos principais perigos está exatamente na quantidade de açúcar presente em produtos que podemos encontrar com bastante facilidade nas máquinas de venda automática de alimentos, também nas escolas.

Vários estudos têm vindo a ser desenvolvidos acerca dos malefícios do açúcar nas crianças, nomeadamente o estudo EPACI Portugal 2012 ou Geração 21 que evidenciou que as crianças portuguesas começam a consumir doces logo a partir do 1.º ano de vida, 65% consome doces diariamente e este estudo ainda concluiu que, aos 4 anos, mais de metade das crianças do nosso país consome refrigerantes açucarados.

   
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Malefícios do açúcar nas crianças

Algumas das consequências do consumo elevado de açúcar pelas crianças são:

  • O aumento da glicemia (açúcar no sangue) podendo conduzir a uma sobrecarga do pâncreas e levar a uma resistência à insulina.
  • Aumento do peso, podendo conduzir a um excesso de peso e/ou obesidade infantil.
  • Desequilíbrio nutricional, nomeadamente falta de algumas vitaminas e minerais, essenciais ao bom desenvolvimento físico e cognitivo.
  • Aumento dos valores de colesterol e triglicerídeos, promovendo um maior risco cardiovascular.
  • Diminuição da concentração e aumento da fadiga física e mental.

Felizmente, foram desenvolvidas estratégias de intervenção para as escolas por parte da Direção Geral de Saúde, dentro do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), que tem como objetivo orientar a oferta alimentar nos bufetes escolares e as máquinas de venda automática de alimentos, de modo a promover uma melhoria do estado nutricional dos alunos.

Dividiram em três grupos: géneros alimentícios a promover, géneros alimentícios a limitar e um último grupo onde se inserem os alimentos que não devem estar disponíveis.

Os primeiros são aqueles em que se inserem os alimentos que os bufetes escolares devem ter sempre: laticínios (de preferência com teor de gordura reduzido), fruta fresca, hortícolas, pão, água, sumos de fruta naturais, sumos sem açúcar nem edulcorantes (adoçantes) e tisanas e infusões.

Os alimentos que os bufetes e as máquinas de venda automática de alimentos podem ter, mas devem limitar são: as bolachas com teor de açúcar e gordura reduzida (ex: Maria, Torrada, bolachas de água e sal); barras de cereais (não devem ter mais de 100kcal/dose); cereais integrais (doses individuais); bolos caseiros (com venda à unidade); bolos de pastelaria, de preferência sem creme (bolo de arroz, croissant não folhado, queques); manteiga; cremes de barrar com teor reduzido de gordura e sal; néctares de fruta com teor de fruta acima dos 50%; gelados (preferencialmente de leite, fruta ou sorvete) e chocolates, optando por aqueles com maior teor de cacau e sem recheio.

O último grupo engloba os alimentos que um bufete de uma escola ou uma máquina de venda automática de alimentos não deve conter: salgados; bolos de pastelaria com muito creme ou com uma densidade energética muito elevada (palmiers, jesuítas, mil-folhas, bolas de Berlim, donuts, etc.); produtos de charcutaria; molhos (maionese, ketchup, mostarda); refrigerantes; bebidas energéticas e desportivas; guloseimas; gelados de água e compotas/geleias que possuam mais de 50% de açúcar. Os snacks, como batatas fritas ou pipocas doces/salgadas, também não devem estar disponíveis.

Os bufetes escolares devem, obrigatoriamente, respeitar a proporcionalidade de 3:1 entre os géneros alimentícios a promover e os géneros alimentícios a limitar.

Estas estratégias, se cumpridas, poderão proporcionar uma garantia da escolha de alimentos mais saudáveis e equilibrados sob o ponto de vista energético e nutricional.

Prepare o lanche do seu filho, mas saiba o que recomendar se não conseguir

Os lanches da manhã e tarde devem ter uma importância tão relevante como as refeições maiores (pequeno almoço, almoço e jantar), daí a necessidade de garantir que existem meios que contribuam para isso mesmo.

Levar os lanches de casa continua a ser uma opção ainda mais saudável, se essas escolhas cumprirem uma alimentação igualmente saudável. Contudo, se o seu filho comprar o lanche no bufete da escola, o ideal será optar por pão em vez de bolachas ou bolos, mesmo sendo caseiros, sumos de fruta natural ou fruta isolada em substituição de refrigerantes ou néctares com elevado teor de açúcar, e não esquecer a água como escolha principal de hidratação, esquecendo os refrigerantes, carregados de açúcar.