A descodificação do que de mais relevante está a acontecer no mundo da Educação.

Alunos portugueses: bem na leitura e na ciência, mal no abandono escolar

O Diário de Notícias de 26 de Novembro traz-nos uma boa resenha do relatório Monitor da Educação e Formação 2017, da União Europeia. Confirmando os dados dos testes PISA 2015, da OCDE, os indicadores são diversos e diferentes.

Assim, os estudantes nacionais surgem acima da média comunitária na Leitura e na Ciência, e abaixo da média a Matemática.

Mas há muitos mais indicadores, em diversas áreas, casos do abandono escolar – onde melhorámos, mas não o suficiente –, das taxas de sucesso escolar, da percentagem de conclusão de cursos superiores, da cobertura do pré-escolar, etc.

A merecer uma leitura mais atenta aqui.

Mais incentivos à leitura

Teresa Calçada, comissária para o Plano Nacional de Leitura (PNL), anunciou um ‘reforço’ da política de incentivo à leitura para a próxima década: até 2027 pretende-se aumentar o número de leitores, jovens e adultos, nas escolas e fora delas.

Entre as ideias, a criação de novas listas de livros, por interesses, o incentivo à criação de clubes de leitura nas empresas, o alargamento das parcerias do PNL, o reforço da literacia científica e digital.

«A leitura é uma competência que tem de ser assegurada como um direito», acrescentou Teresa Calçada.

As crianças e a deficiência

No site educare.pt, Sara Oliveira publicou a 24 de novembro um interessante artigo sobre como falar de deficiência às crianças. O ponto de partida foi o livro Maria, A Alegria na Diferença de Teresa Coutinho, que a autora/mãe escreveu para explicar ao filho porque é que a irmã, que sofre de paralisia cerebral, é uma menina diferente.

Um livro que está também no Plano Nacional de Leitura e que, encerrando uma bela história de vida, fala daquelas realidades para as quais é preciso estar-se preparado.

Há mais jovens a estudar após o 12º ano

Um inquérito da Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência, realizado em 2016 e abrangendo as respostas de mais de 16.000 jovens, visou determinar o que fazem os estudantes portugueses após a conclusão do ensino secundário.

Sendo já a 5ª edição do inquérito, os 72,5% dos inquiridos que declararam continuar a estudar representam um aumento significativo dos jovens que o fazem após terem concluído o ensino secundário, e que, para o caso, argumentam essa opção com a necessidade de melhorarem as suas competências tendo em perspetiva o mercado de trabalho.

Os portugueses valorizam mais as relações

Um outro estudo da OCDE, na vertente Resolução Colaborativa de Problemas, também divulgado recentemente e trazido a público pelo Jornal de Notícias, a 22 de novembro, sublinha que os estudantes portugueses são, entre os 72 países analisados pelo Relatório Pisa, os que mais valorizam os relacionamentos e o trabalho em grupo, na resolução de problemas, particularmente as raparigas.

No mesmo documento, os estudantes portugueses declaram ser bons ouvintes, apreciar o sucesso escolar dos colegas, valorizar pontos de vista e interesses diferentes dos seus.

Formar para inovar

Na sua intervenção num dos painéis da WEB Summit dedicado à aprendizagem dentro e fora da sala de aula, Mmantsetsa Marope, diretora-geral da Unesco para a educação, defendeu que a educação continua a ser a chave para o sucesso. Sublinhou ainda que o papel da educação é hoje, proporcionar a quem estuda as ferramentas úteis e necessárias de modo a que as pessoas possam interagir, trabalhar em equipa, responder às inovações tecnológicas, bem como adaptar-se ao mundo de hoje e às novas profissões que o futuro vai determinar.

Reinventar a educação

Na mesma linha, Tony Wagner, diretor do Laboratório de Inovação da Universidade de Harvard e um dos maiores especialistas mundiais em educação, propõe uma autêntica revolução na educação.

Assim, argumentando que o conhecimento está em todo o lado e acessível a todos, defende um repensar do papel da escola, com os professores a mudarem o seu papel tradicional de transmissores de conhecimento e a tornarem-se ‘apenas’ a força motriz por trás do talento dos seus alunos.