Educar com inteligência emocional: recomendações aos pais de crianças dos 6 a 9 anos

Nestas idades, a criança entra numa fase na qual, por influência da atividade escolar, do ambiente e da socialização, a relação indissociável linguagem/pensamento se torna mais explícita e induz à reflexão e ao questionamento da conduta impulsiva própria dos primeiros anos.

Para a formação, sucesso, bem-estar e felicidade da criança, importa que os pais criem condições para a criança desenvolver, na segurança do lar, competências emocionais e sociais: a regulação dos impulsos, a identificação, compreensão e gestão das suas emoções, o reconhecimento e compreensão dos sentimentos dos outros, a consideração do impacto do seu comportamento nos outros, a ponderação das consequências dos seus atos, a tomada de decisões responsáveis e o saber viver de acordo com princípios éticos e morais.

É importante que a criança tome consciência que não existe apenas uma atitude correta ou válida. Deve saber reconhecer diferentes alternativas para reagir perante uma determinada situação, e conseguir prever consequências favoráveis ou prejudiciais à sua saúde e bem-estar e ao relacionamento com os outros. Aprende assim a valorizar e regular as suas reações em função do outro.

A compreensão das emoções é uma habilidade da inteligência emocional. Identifica as causas subjacentes a cada emoção, percebe as consequências ao nível da fisiologia, do comportamento e do pensamento, compreende a evolução dos estados emocionais.

   
Análise emocional

























Análise emocional
(Manuela Queirós, 2016)

   

Como podem os pais contribuir para o desenvolvimento emocional da criança?

É fundamental que a criança aprenda a prever adequadamente o futuro emocional, através de análises do tipo “Se eu fizer isto vai acontecer aquilo. E se…?”, isto é, que, antes de reagir impulsivamente:

  • pense nas alternativas possíveis, boas e más opções (3 a 5, conforme a idade);
  • avalie (des)vantagens de cada hipótese que tem à sua frente;
  • escolha a melhor resposta para si e para os outros;
  • planeie, passo por passo, a forma de a executar.

Com a prática continuada, esta análise emocional automatiza-se e torna-se rápida.

Os pais podem criar condições que ajudem os filhos a não reagir impulsivamente, a entenderem as emoções, o sentido e a intensidade que ganham, a forma como se misturam e evoluem no tempo, prevendo o futuro emocional, mostrando capacidade de compreender os sentimentos dos outros, com eles interagir de maneira mais apropriada e eficaz.

E agora, aproveite aqui esta atividade que temos para si para realizar com os seus filhos: “As consequências das minhas reações”. Descarregue aqui.

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