Educar com inteligência emocional: recomendações aos pais de jovens dos 10 aos 14 anos

Atualmente, os jovens dos 10 aos 14 anos mostram diariamente comportamentos de muita agressividade e violência na sua relação com os outros. Os estados emocionais negativos, além de prejudicarem os relacionamentos interpessoais, afetam os sistemas imunológico e cardiovascular e são caracterizados pela ausência de prazer e pela presença de stress e sofrimento.

A raiva é uma emoção negativa que surge quando percebemos que fomos intencionalmente prejudicados por alguém ou que fomos alvo de uma afronta, rejeição, injustiça, ofensa ou obstáculo que nos impede de conseguir algo. Ao desencadear agressividade torna-se uma emoção explosiva.

Para dissipar esse ímpeto colérico, a criança deve ser conduzida, desde muito cedo, a reprimir o impulso de ferir e magoar os outros e a criar outras formas de responder às frustrações, aos insultos e às ofensas.

Como podem os pais contribuir para o desenvolvimento emocional dos seus filhos?

• Criando condições que os levem a ouvir o que têm para lhes dizer e a compreender a razão e o sentido das ações propostas. Mais calmos, poderão ser redirecionados para comportamentos mais adequados, que os ajudarão a encontrar uma forma melhor de lidar consigo próprio e de dominar as explosões emocionais.

• Ajudando-os a identificar as causas que neles desencadeiam as emoções da família da raiva (impaciência, frustração, aborrecimento, irritação, raiva, exaltação, revolta, agressividade, fúria e cólera).

• Levando-os a perceber os efeitos que a raiva pode ter.

    . No corpo: sente-se muita energia e sensações bastante desagradáveis. Os músculos ficam tensos e cheios de força, a frequência cardíaca, o ritmo respiratório e a temperatura do corpo aumentam.

    . No pensamento: torna-se negativo, enérgico, focando-se no objeto causador da raiva. Quanto mais se pensa nas causas da raiva, mais a fúria se justifica e consolida. Sob a influência da raiva, o nosso pensamento, visto como “acusatório”, manifesta-se através de expressões como: “Estou revoltado”, “Fui enganado”, “É uma injustiça”, “Ninguém me respeita”, “Apetece-me mesmo dar-lhe um murro”.

    . No comportamento: A raiva conduz diretamente à ação. Sendo uma emoção potencialmente perigosa, já que o propósito funcional é destruir, manifesta-se através de comportamentos violentos tais como: gritar, insultar, discutir ou dar murros em objetos ou pessoas.

• Ajudando-os a compreender a evolução dos estados emocionais da raiva, possibilitando assim a previsão do futuro emocional. As emoções evoluem sempre no sentido da baixa para a alta intensidade com que cada pessoa experimenta a emoção. A impaciência pode gerar irritação e chegar à cólera, se nada for feito.

• Ensinando-os a usar com inteligência o poder e a energia que a raiva fornece para executar algumas tarefas, como lutar contra as afrontas, emendar injustiças, convencer ou argumentar.

• Promovendo a prática de diversas atividades para poderem lidar melhor com a raiva:

    . Introspeção.

    . Pensamento positivo, procurando ver as coisas de forma diferente.

    . Atividades distrativas, tais como caminhadas, dança, ou outro tipo de atividade física, espetáculos, cinema ou televisão, leitura, música ou o contemplar da natureza. As diversões mais apropriadas são as que impliquem momentos de alegria. Dado que é impossível estar zangado e alegre ao mesmo tempo, é difícil estar furioso quando passamos um momento agradável. A distração pode ser a estratégia mais adequada para enfrentar a raiva.

    . Relaxamento.

    . Meditação.

• Estimulando a reflexão pessoal e partilhada em família.

A atividade a seguir apresentada vai ajudá-lo nessa tarefa. É uma estratégia para tomar consciência de que a raiva é um estado emocional que se pode regular. Pode ser adaptada a outras emoções como o medo ou a tristeza.

No livro Inteligência Emocional — Aprenda a ser feliz, publicado pela Porto Editora, pode aprender o que são estas e outras emoções, qual a sua função e significado, as causas que as originam, a sua intensidade, como podem evoluir, os seus efeitos no nosso corpo, pensamento e comportamento, assim como estratégias eficazes para as regular. Enfim, todos os conhecimentos que precisa para ser um pai/mãe emocionalmente mais inteligente e consciente da importância da sua própria regulação emocional enquanto modelo positivo de gestão e expressão emocional.

E agora, aproveite esta atividade que temos para si para realizar com os seus filhos: “A força da raiva”. Descarregue aqui.