4 boas práticas para melhorar a competência linguística dos alunos

É minha plena convicção de que o sucesso escolar está intimamente relacionado com o domínio da nossa língua materna. Por outras palavras, a competência linguística dos alunos contribui em grande medida para um bom aproveitamento, não só na disciplina de Português mas também em todas as restantes, por ser transversal a todas as áreas curriculares.

Na resolução de um qualquer problema matemático, por exemplo, será ou não importante uma correta interpretação do enunciado? A resposta parece óbvia. Porém, como sabemos, as fragilidades ortográficas e gramaticais e a débil expressão oral e escrita dos alunos têm-se vindo a agravar progressivamente em todos os níveis de ensino.

A que se deve a frágil competência linguística sentida hoje em dia no meio escolar e académico?

O tempo dedicado ao estudo da gramática e à prática de redação nas aulas de Português é, lamentavelmente, cada vez mais reduzido, o que tem originado um deficiente domínio da língua, falada e escrita. A falta de leitura (de qualidade) é também um dos fatores que poderão estar na origem de um mau desempenho linguístico. Cada vez se lê menos, por falta de tempo ou devido ao uso excessivo das tecnologias, e o pouco que se lê é muitas vezes “descartável” e de má qualidade.

Por estas e tantas outras razões, é imperativo que os alunos desenvolvam um trabalho complementar em casa, preferencialmente com a orientação dos pais.

   
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De que modo, então, poderão os alunos aperfeiçoar a sua competência linguística?

Os alunos só conseguirão alcançar uma sólida competência linguística se tiverem, a meu ver, bons hábitos e rotinas de trabalho, dentro e fora da escola.

Vejamos algumas boas práticas para alcançar tal objetivo.

    1. Contacto regular com a leitura (de qualidade!)
    É muito importante que os alunos sejam frequentemente expostos à forma de registo cuidado das palavras e tenham contacto regular com a leitura (literária e não literária). A leitura possibilita não só o enriquecimento do vocabulário e o aperfeiçoamento da sintaxe, como também a criatividade, abrindo novos horizontes sociais e culturais. Os pais desempenham um papel fundamental no estímulo à leitura, devendo aconselhar os seus filhos a lerem bons livros adequados à sua faixa etária.

    2. Consulta de dicionários, prontuários e gramáticas
    A consulta de dicionários e prontuários é uma prática que deve ser constante e sistemática. Se o aluno tem uma dúvida na grafia ou no significado de uma palavra, deve esclarecê-la, consultando um dicionário de referência ou outro qualquer recurso linguístico. Não deve, nunca, ficar com a dúvida nem confiar em fontes não fidedignas.

    3. Prática de revisão atenta dos textos escritos
    A revisão atenta do texto é também um aspeto que deve ser valorizado. Reler as respostas dos testes, exames e de todas as produções escritas é uma excelente prática, porque permite ao aluno detetar incorreções e gralhas anteriormente despercebidas, aperfeiçoando, assim, o seu texto.

    4. Prática de redação
    É muito importante que os pais estimulem os seus filhos a escreverem diferentes tipos e géneros textuais, nomeadamente histórias e contos, que desenvolvem a criatividade, e textos de opinião, que promovem a capacidade de argumentação. Por exemplo: “Hoje, vais escrever um texto sobre os aspetos positivos e negativos das redes sociais”. Na verdade, aprende-se a comunicar bem, comunicando; aprende-se a escrever bem, escrevendo. É uma questão de boas práticas e alguma disciplina e dedicação.

Mais tarde, em todo o seu percurso académico e profissional, falar e escrever com rigor e correção será, para qualquer aluno, de qualquer área científica, um fator decisivo para a candidatura a um emprego.

A competência linguística, associada ao domínio da língua materna em todas as suas vertentes, adquire, cada vez mais, um valor sociocultural importantíssimo, promovendo aceitação e credibilidade social e abrindo, seguramente, muitas portas para o sucesso!