Saiba como educar com inteligência emocional

Por que razão têm os pais de se envolver na educação dos seus filhos? Basicamente, o envolvimento dos pais no processo de aprendizagem dos filhos oferece muitas oportunidades de sucesso na vida dessas crianças, da sua vida presente e futura.

É um facto que, nas últimas décadas, temos assistido à emergência de vários paradigmas educacionais, dos quais fazem parte propostas de atuação no âmbito do processo de ensino e aprendizagem, em que está presente a preocupação de criar condições indutoras do desenvolvimento humano. Infelizmente, na procura dessas condições, as pesquisas têm-se centrado essencialmente no desenvolvimento cognitivo da criança.

São muitas as vozes que se fazem ouvir relativamente aos perfis cognitivos, a novas metodologias a implementar, a métodos inovadores que dão prioridade ao conhecimento intelectual; pouco nos dizem sobre as emoções da criança, sobre os seus sentimentos, sobre as formas como construir para ela um ambiente de bem-estar e como ajudá-la a ser feliz. Hill & Taylor, no início deste século, refletindo sobre a situação, afirmam que, desde sempre, a família e a escola trabalharam para a formalização da educação, procurando as melhores condições para a escolarização das crianças. 

Ao estudarem a problemática, reconhecem que as condições dessa parceria foram mudando ao longo do tempo; dizem que, no início, as famílias mantinham o controlo da educação dos seus filhos; porém, no meio do século XX, decorrente da ação dos governos, a parceria acaba por desaparecer, ficando a cargo da escola, o desenvolvimento cognitivo da criança e a cargo da família a educação cultural, moral e religiosa. 

Emerge, portanto, uma separação de funções, desaparecendo a colaboração com vista a um trabalho em equipa; os contributos das parte envolvidas — escola e família — passam a ser implementados isoladamente, cada um em seu sentido, por vezes, para além de desconhecidos, também em sentidos opostos.

Todavia, se bem que isoladamente, desde os finais do século XIX, têm vindo a emergir vozes, retomando filósofos da antiga Grécia, que se centraram sobre o sentido e a finalidade da educação, alertando para a necessidade de vermos a criança no todo do seu ser — cérebro, corpo, alma —, apelando não só para uma educação integral, mas também para que essa educação fosse assumida em parceria.

Entre essas vozes, destacamos a de Èlia López Cassá, para quem educar não se reduz a instruir, a transmitir conhecimentos e destrezas; para a autora, hoje em dia, importa reconhecer que educar implica centrar-se no desenvolvimento integral da pessoa — atitudes, sentimentos e valores — que a fazem ser uma pessoa capaz de viver e conviver em sociedade. Com efeito, retomando as ideias de Delors, importa que a educação contemple não só o saber, mas também a forma de o por em ação — saber fazer; para isso, o ser humano precisa de se descobrir, isto é, de se descobrir como pessoa que é e como elemento da sociedade — saber ser e saber conviver.

Ainda, segundo Èlia López Cassá, na etapa de desenvolvimento dos 0 aos 6 anos, os aspetos emocionais têm um papel essencial para a vida, além de constituir a base ou condição necessária para o progresso nas diferentes dimensões do desenvolvimento infantil. Para isso, é muito importante ter em consideração que as pessoas que educam as crianças também necessitam de desenvolver as suas competências emocionais, uma vez que são o modelo e referente imediato da criança.

A educação contempla o desenvolvimento da inteligência emocional e, em consequência, promove as competências emocionais. Portanto, não se pode limitar à educação formal (escolas), tendo forçosamente de estar presente no contexto familiar, aí iniciando o seu processo desde o nascimento da criança. A família tem, pois, uma função muito importante neste sentido visto que as capacidades e competências emocionais são um aspeto essencial para o crescimento e desenvolvimento humano.

As emoções são necessárias para a vida, já que nos informam sobre alguns aspetos de nós mesmos e do meio ambiente que nos rodeia, promovendo o saber ser e o saber conviver, defendidos por Delors como eixos fundamentais da educação, a par dos outros dois — o saber e o saber fazer —, que têm sido, quase que exclusivamente, contemplados na escolarização da criança.

Uma vez que o desenvolvimento da inteligência emocional deve ter início nas primeiras etapas da vida, já que é nestas idades que se dão as primeiras bases de aprendizagem e relação, desafiamos os pais a se questionarem sobre o seu contributo para criar um ambiente de bem-estar para os seus filhos e para os ajudarem a ser felizes:

    — O que posso eu fazer para ajudar o meu filho/a minha filha a ser feliz?
    — O que me cabe a mim fazer, como pai ou como mãe, para criar um ambiente de bem-estar em que o meu filho se sinta em segurança?


Nota: Há escolas em Portugal que, ao longo dos últimos oito anos, já aderiram ao Projeto CIEE - Aprender a ser Feliz® e têm em funcionamento clubes de inteligência emocional para os seus alunos e também grupos específicos para encarregados de educação. São orientados por psicólogos e funcionam uma vez por semana, em horário pós laboral. Pode saber mais em www.inteligenciaemocionalnaescola.org.