360º - O que acontece na Educação (Out.17)

A descodificação do que de mais relevante está a acontecer no mundo da Educação.

Este 360º é de outubro. Veja aqui o mais atual.
Refeições escolares

Nas últimas semanas, os meios de comunicação social deram notícia da falta de qualidade e pouca quantidade das refeições escolares nalgumas escolas.

Alexandra Bento, em declarações a um órgão de comunicação social, alertou para a falta de controlo e vigilância das refeições servidas nas cantinas das nossas escolas.

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas reconhece que, havendo referenciais e regras para essas refeições, o problema está exatamente no seu não cumprimento e na ausência de fiscalização. Em causa está, afirmou, o bem-estar e a saúde das nossas crianças e dos nossos jovens.

Que profissões irão ter os nossos filhos?

Um interessante artigo da Notícias Magazine de 6 de outubro questiona as profissões que ainda não foram criadas mas que esperam os nossos filhos.

Já sabemos que o mercado de trabalho está e será muito diferente, que já não há «empregos para a vida», que estão sempre a nascer novas profissões, mas um texto como este é bem mais do que aparente ficção científica e merece alguma atenção e uma leitura completa.

Jovens com horários semanais de 55h

Num artigo de opinião no Observador, Laurinda Alves, baseada nas declarações feitas por vários profissionais num encontro sobre Educação, alerta para o excesso de carga horária escolar das crianças e jovens portugueses e, consequentemente, a falta de tempo para brincar, descansar e estar com a família.

Afirma também que “os TPC merecem uma boa discussão pública”, devido ao desentendimento que existe entre professores, pais e filhos acerca deste tema.

Fim da isenção fiscal dos vales-educação

Uma das novidades para o Orçamento de Estado de 2018 é o fim da isenção fiscal em sede de IRS dos vales-educação, decisão que o governo sustenta com o facto de ter identificado situações em que os mesmos vales-educação eram utilizados na aquisição de bens não condizentes com os fins a que se destinavam.

Entre as vozes críticas desta decisão, está a do presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap) para quem a medida não tem sentido, uma vez que a medida mais correta e justa seria sempre a de se penalizarem apenas os prevaricadores – uma questão até de fácil análise para a Autoridade Tributária.

Pais desvalorizam as provas de aferição

Na revista Sábado de 19 de outubro, um pequeno texto de Sónia Bento aborda a aparente desvalorização das provas de aferição realizadas pelos jovens portugueses por parte dos encarregados de educação.

Respondendo, por exemplo, de um modo pouco presente aos convites das escolas a tomarem conhecimento das especificidades das prestações dos seus educandos, os encarregados de educação como que se alheiam dessas informações que as escolas lhe poderiam prestar, e deixam apenas às escolas o ‘trabalhar’ desses dados.

Insucesso escolar silencioso

Num artigo de opinião do Observador, Diogo Simões Pereira, baseado nas conclusões do estudo "Atlas da Educação 2017", sublinha que as escolas não são todas iguais e que, apesar do insucesso escolar ter diminuído, existem casos que ficaram mais à vista.

Para muitos destes casos, particularmente difíceis de resolver, as soluções implementadas durantes anos nas escolas não produziram os resultados esperados. Contudo, o Diretor-geral da Associação EPIS defende que este estudo permite abordar o problema com novas estratégias de promoção de sucesso escolar.

A «escola-alfaiate» do ministro

Na abertura da Conferência Internacional Educação, a 22 de outubro, em Lisboa, o ministro da educação defendeu entre outras coisas, a criação de «escolas à medida» desenhadas à medida de cada um.

A ‘proposta’ surgiu na sequência da sua crítica ao fim do Plano Tecnológico da Educação e da defesa de «ambientes educativos inovadores» capazes de estimular a aquisição de competências TIC, do incentivo à utilização de recursos educativos digitais e de uma formação de docentes que garanta os melhores professores.

O estado da nação

Dada a conhecer a meio do mês de outubro, uma publicação da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência traça o ‘mapa físico’ da nossa educação.

Entre 2006/07 e 2015/16 perdemos quase 100.000 alunos, quase metade das escolas, e cerca de 25.000 professores. Temos, por outro lado, também menores taxas de retenção e de desistência escolar.

Temos mais docentes de educação especial e mais formadores profissionais, e mais computadores.


Integrar a diversidade é possível

Um artigo da revista Visão, de 5 de outubro, leva-nos a conhecer uma original e notável experiência de integração escolar da sua diversidade de alunos por parte da Escola Básica Engenheiro Manuel Rafael Amaro da Costa, Santo Teotónio, Odemira.

Confrontado com alunos de 22 nacionalidades, imigrantes por todo o tipo de razões, com experiências de vida de todo o género, muitos a sentarem-se numa carteira de escola pela primeira vez, fazendo face a uma língua nova e a um ensino demasiado ‘quadrado’ para as suas ambições, refletido nos 30% de abandono escolar, o agrupamento de escolas percebeu que só uma escola ‘nova’ seria capaz de dizer algo a essa multiculturalidade tão diversa entre si.

Em 2011, o agrupamento avançou para um contrato de autonomia e criou essa escola nova que é, a todos os títulos, um caso de estudo. A merecer leitura completa.