Exames do 9.º ano: saiba como ajudar o seu filho a gerir este momento

Tenho constatado que os alunos, ao longo do 3.º Ciclo, de uma forma geral, apresentam um decréscimo de aproveitamento. Quando confrontados com este facto e questionados sobre os motivos, os alunos habitualmente encolhem os ombros e dizem: “este ano baldei-me um bocado” ou “este ano não estudei tanto”. Independentemente das razões apontadas, o certo é que a quebra de aproveitamento é notória, de uma forma geral.

Os níveis médios de ansiedade face aos testes dos sujeitos aumentam do 5.º até ao 7.º, decrescendo depois. (…) É, no entanto, interessante analisar com mais atenção as razões para a descida dos níveis de ansiedade no 8.º e no 9º ano, pois se por um lado a familiaridade com o sistema de ensino e o relaxe típico associado aos alunos adolescentes podem ser explicações plausíveis, também seria importante, em estudos posteriores, descartar razões associadas à eventual baixa de exigência na avaliação dos alunos. (Rosário, P. & Soares, S. (2003). Ansiedade face aos testes e realização escolar no Ensino Básico Português. Revista Galego-Portuguesa de Psicoloxía e Educación.)

A constatação que faço acima vai na direção das conclusões do artigo aqui referido, que aponta para o “relaxe típico associado aos alunos adolescentes”. Embora nesta faixa etária pareça existir uma trégua relativamente à ansiedade face à avaliação, há sempre adolescentes que, perante a aproximação deste momento, continuam a referir o “nervosismo”, “os suores frios” e a “preocupação”. Na verdade, há indivíduos que apresentam como traço de personalidade a ansiedade, ao contrário de outros cuja ansiedade é um estado emocional transitório.

Como podem os pais com filhos ansiosos ajudá-los a gerir de uma forma menos dolorosa os sentimentos de tensão, apreensão, nervosismo e preocupação, que antecedem momentos de avaliação?

Em primeiro lugar, os pais devem-se questionar sobre a forma como eles próprios gerem a sua ansiedade. Filhos ansiosos têm habitualmente pais igualmente ansiosos. Quando os pais conseguem desdramatizar os resultados dos exames, mostrando aos filhos que se trata apenas de mais um momento de avaliação, então os jovens poderão deixar de os percecionar como marcos fundamentais, onde a sua competência e sabedoria tem de ser forçosamente demonstrada.

Por outro lado, é importante que os pais conheçam os mecanismos da ansiedade, de forma a ajudar os filhos a desmontá-los. A ansiedade resulta de pensamentos negativos em que o insucesso é antecipado e da incerteza quanto às competências pessoais para realizar uma determinada tarefa com sucesso.

Usando outras palavras, é importante que os pais expliquem aos filhos que, quando estão a realizar os testes, podem ter ideias negativas, tais como: “eu vou ter negativa”, “os outros vão ter tudo certo e eu não”, “os meus colegas sabem mais do que eu”. Pensamentos deste tipo são muito comuns em pessoas ansiosas e funcionam como parasitas que bloqueiam a concentração. Se os filhos perceberem que estes pensamentos são frequentes e que têm de ser ativamente combatidos, então haverá mais concentração e maior probabilidade de sucesso.

Para além do esforço para controlar pensamentos parasitas, é fundamental que os jovens compreendam que, numa situação de avaliação, há um conjunto de reações automáticas ou fisiológicas (dor de barriga, palpitações, suores frios) que são normais e que, com uma respiração adequada e contraposição de pensamentos positivos (“estudei e tive bons resultados ao longo do ano e, por isso, vou conseguir”), podem ser controladas mais facilmente.

Dado que uma elevada autoestima funciona também como mecanismo protetor da ansiedade, é muito importante que, ao educar, os pais vão procurando que os filhos desenvolvam uma imagem positiva de si próprios. Se acreditarem em si e nas suas potencialidades, os jovens olharão para as dificuldades como desafios e não como obstáculos intransponíveis!