O que devo dar como prémio ao meu filho adolescente?

Responsabilidade, esforço – mas também autonomia –, altruísmo, honestidade e gratidão são algumas das qualidades que nos permitirão garantir que os nossos filhos serão cidadãos capazes de criar um mundo melhor. Tudo o que fazemos tem como objetivo deixar um mundo melhor aos nossos filhos, mas é também muito importante que deixemos filhos melhores para o mundo.

Para alcançarmos o que dizemos acima, não chega fazermos sermões, preleções e afins, mas sim dar exemplos e promover uma educação positiva, humanista, plena de afetos, e que permita desenvolver as competências referidas.

Educar é uma tarefa, acima de tudo, da família. A escola pode e deve coadjuvar, mas o papel principal é dos pais. Estes devem ser modelos de referência para os filhos.

Quando e como premiar os filhos?

Quando têm boas notas? Ter boas notas nem sempre é sinónimo de responsabilidade, esforço, dedicação. Assim como ter notas menos boas não significa o contrário.

Devemos premiar não só o resultado mas acima de tudo o processo. O seu filho pode ter-se esforçado muito e não ter conseguido alcançar o sucesso pretendido (as boas notas). Reconhecer o seu empenho, o seu esforço e premiá-lo vai incentivá-lo a procurar a mestria. Para isso pode, com ele, analisar o que correu bem ou o que falhou para procurarem soluções que colmatem essas falhas e melhorem a realização escolar.

Os adolescentes que não são bons alunos, apesar de estudarem e de se aplicarem, mas que ajudam nas tarefas de casa, têm comportamentos adequados, tratam os outros com cidadania, respeitam os outros, que são autónomos, honestos, também merecem ser premiados.

Quando falamos em prémios não falamos necessariamente em prémios monetários, caros. Podem ser elogios, passeios / saídas com os pares, poder vir mais tarde para casa, um jogo de futebol com o pai, usar a maquilhagem da mãe…

Prometer ao adolescente, por exemplo, determinada quantia em dinheiro por cada teste com boas notas não é uma prática saudável. Os jovens devem ser incentivados e motivados para estudar, para obter os melhores resultados possíveis porque é bom ter bons resultados, é bom para o seu futuro, não porque vão receber uma recompensa. A motivação deve ser intrínseca, ou seja interna, para perdurar no tempo.

Se o adolescente, ao ser solicitada a sua ajuda para tarefas caseiras ou outras, perguntar “o que ganho com isso?”, deve responder “amor e carinho!”. Obrigar a fazer as tarefas, contrariados, não promove a aprendizagem nem o desenvolvimento de competências. Se os conseguirmos convencer a fazê-lo e lhes agradecermos a ajuda, estaremos a mostrar gratidão.

O adolescente deve ser grato pelo que recebe, qualquer que seja o prémio. A realidade é que esta é uma sociedade consumista: compramos tudo é o desejável, mesmo que não necessitemos das coisas, e, como temos pouco tempo para os filhos, compramos tudo o que querem mesmo que para isso se tenha de contrair um crédito; e eles cada vez valorizam menos o que não é caro, de marca, igual ao que aparece na TV.

A gratidão pelo que recebem deve estar sempre presente, independentemente do valor monetário. Ao premiar sem mérito, corremos o risco de criar uma geração de adolescentes mimados, com baixa resistência à frustração, que acham que só têm direitos e não deveres, que não sabem o valor do empenho na tarefa, do esforço, da prática da responsabilidade.

Devemos sim premiar atitudes altruístas, a honestidade, a cidadania, a autonomia, a responsabilidade, o esforço e também o sucesso escolar. Os prémios, as recompensas, devem ser adequadas não só à idade mas também ao que se pretende premiar.

O maior prémio que podemos dar aos nossos filhos é o nosso tempo, o nosso afeto e amor incondicionais, a nossa disponibilidade mas também o nosso exemplo, enquanto pais, profissionais, cidadãos.