O trabalho e as tarefas escolares, uma responsabilidade partilhada por pais e alunos

A responsabilidade perante o trabalho e as tarefas escolares é, em primeiro lugar, dos nossos filhos, mas a ela não se podem dispensar os pais, como naturalmente também não o farão os professores.

Se os professores ensinam e os alunos estudam, os pais fomentam valores, dão exemplo, criam objetivos, motivam, acompanham.

No que toca aos valores, temos para nós que eles apenas são apreendidos quando, bem para além de veiculados em discurso, são vivenciados pelos nossos filhos no dia a dia da família.

O respeito pelas capacidades de cada indivíduo, o cabal aproveitamento das suas capacidades, a organização e a disciplina, o prazer do trabalho, a satisfação pelo cumprimento das obrigações de cada um, o prazer de se atingir um objetivo — não necessariamente utópico, mas alcançável, ainda que custoso —, são, de facto, os valores a apreender. Pelo exemplo.

Não duvidemos, nunca, que a observação dos nossos comportamentos é, para os nossos filhos, a verdadeira lição sobre os valores da vida — e, no caso deles, sobre os valores que a sua escola e o seu trabalho devem convocar.

Se os pais dão o melhor de si no trabalho e depois em casa, também os filhos perceberão que deverão também dar o seu melhor, primeiro na escola e depois em casa, cultivando a satisfação do respeito por si próprios e percebendo o prazer que advém de se “aproveitarem” por inteiro — compreensão, análise, raciocínio, memória, etc.

Se os pais se organizam, também os filhos devem e podem ser motivados a replicar essa organização nas suas tarefas

Em vez de advogarmos a proibição simples daquilo que pretendem substituir ao trabalho, tentemos fazer-lhes ver que concluir o mais cedo possível as tarefas determinadas apenas antecipará o tempo de lazer; ou que adiar uma tarefa não compensa — quando a mesma tem mesmo de ser concluída.

Ensinemo-los a usar o tempo a seu favor. As maratonas apenas cansam. Como num jogo de futebol, um intervalo com tempo certo até pode ser revigorante e os festejos dos sucessos são sempre gratificantes.

Se os pais se disciplinam e planeiam, também os filhos podem ir ganhando a sua própria disciplina e tecendo os seus planos de trabalho.

Fomentemos o local de trabalho, o ambiente propício.

Motivemos os nossos filhos para o ato de escrever — assim aprende-se melhor, sempre.

Fomentemos o seu trabalho sozinho, reservando para nós o papel de “ajudantes” e apenas quando necessário.

Se os pais vão, eles próprios, definindo os seus objetivos de vida — a compra de um qualquer aparelho novo, aquela semana de férias, a promoção desejada —, não é menos importante definir também para o estudante alguns objetivos, adaptados, naturalmente, ao seu escalão etário: próximos, exequíveis, motivadores.

Não nos fiquemos, no entanto, pela ideia única das ‘boas notas’. A educação é um processo bem mais complexo e que se não traduz, necessariamente nem só, na quantificação dos resultados. Antes no trabalho, no esforço posto em prática, no crescimento como pessoa.

Mostremos que estamos presentes, que temos interesse no trabalho que os nossos filhos desenvolvem.

Não regateemos o elogio quando merecido, mas façamos com que o mesmo não seja desproporcionado.

Elogiemos tanto os resultados positivos quanto o esforço para os obter. O estímulo, a motivação e o reconhecimento do trabalho — tão necessários aos pais na sua vida profissional — são igualmente essenciais para os filhos, fundamentais mesmo, para uma autoestima saudável.

Em boa verdade, os nossos filhos serão sempre os verdadeiros atores da sua própria educação, de livre vontade.