Preocupado com os erros de ortografia do seu filho?

Muitos pais e educadores mostram preocupação com os erros de ortografia dados pelos seus educandos, mesmo em palavras de uso corrente.

Algumas crianças adquirem facilmente competências em ortografia, enquanto outras manifestam dificuldades evidentes na grafia correta das palavras ao longo do seu percurso escolar, terminando muitas vezes a escolaridade com graves deficiências nesta área.
Escrever corretamente é um processo que depende de vários fatores, desde a boa consciência fonológica (capacidade que permite identificar e utilizar os sons da fala) e morfológica (habilidade para refletir sobre as mais pequenas unidades de sentido de uma língua e as utilizar intencionalmente na estruturação e no reconhecimento das palavras) até ao domínio das regras de ortografia.

De forma a diminuir o número de erros dados pelo(a) seu(sua) filho(a), partilhamos quatro dicas essenciais:

1. Ler e escrever com regularidade

Tem-se como certo que uma boa forma de ganhar bases sólidas para uma escrita correta é a leitura frequente e atenta de textos progressivamente mais complexos. Assim sendo, ler muito e com atenção desde cedo é o primeiro passo para escrever bem.
Associada à leitura, no domínio da ortografia, surge a importância da escrita. A escrita frequente e a revisão do texto também levam à automatização da forma como as palavras se escrevem.

2. Consultar um dicionário sempre que haja dúvidas

É bom termos consciência de que todos nós podemos hesitar perante a forma de escrever uma palavra, ou porque é menos utilizada ou porque, aqui e além, aparece escrita incorretamente. As palavras de uma língua estão dicionarizadas, pelo que a consulta frequente de um dicionário deve ser incentivada desde idades precoces. Por outro lado, a ortografia resulta também de regras convencionais que se encontram compiladas em prontuários ortográficos e outras obras que as explicitam: o conhecimento dessas regras confere segurança a quem escreve.

3. Classificar o tipo de erros

Para tentar modelar a escrita é essencial a identificação e classificação dos tipos de erro, procurando compreender, por exemplo, se:
  • é uma escrita decorrente de uma oralização incorreta;
  • o erro advém da confusão entre as diversas grafias de um mesmo som;
  • é recorrente o uso incorreto de determinadas letras;
  • há dificuldades na delimitação das palavras;
  • a confusão resulta da homofonia (situação de palavras que têm a mesma pronúncia, mas grafia e significado diferente, como, por exemplo, “conserto” e “concerto”) ou da paronímia (situação de palavras que têm significado diferente, mas cuja pronúncia e grafia se assemelham, como, por exemplo, “cumprimento” e “comprimento”);
  • o erro ocorre por dificuldades de natureza morfológica ou sintática (conjugação dos verbos, por exemplo);
  • é a acentuação que está em causa.

Essa sistematização permite uma intervenção mais objetiva e eficaz, uma vez que se podem planear atividades específicas com vista à sua resolução. Por outro lado, ter a perceção de quais os erros que cometemos habitualmente poderá levar a uma intervenção direta no sentido da resolução dos mesmos, que normalmente passa pela compreensão do tipo de erro, aprendizagem da forma correta ou da regra e realização de exercícios que possam levar a que a automatização incorreta existente dê lugar a uma reaprendizagem segura.

4. Evitar exercícios com palavras incorretas

O melhor mesmo é evitar que o erro ocorra. A aquisição da competência de natureza ortográfica processa-se, sobretudo, pela visualização das palavras. Assim sendo, o ensino da grafia deverá passar pelo contacto com o modelo correto, evitando-se exercícios em que se colocam palavras incorretas diante dos olhos de quem está a aprender, pois não se passa incólume pelo erro.

É, assim, fundamental, para um domínio da ortografia, conhecer as regras, compreendê-las, memorizá-las e fazer exercícios que levem à escrita automática da palavra correta.