5 estratégias de motivação para as leituras obrigatórias

As leituras obrigatórias são, regra geral, leituras que os alunos não querem fazer. E a falta de motivação, como se sabe, pode ser um entrave à boa compreensão do que se lê, quando não constitui o motivo que impede a própria leitura do texto. Por conseguinte, os pais podem e devem ajudar os seus filhos a encontrar boas razões para quererem fazer as leituras que lhes são solicitadas pelos professores.

A compreensão do que se lê depende de uma série de fatores, desde o nível de conhecimentos do leitor sobre a língua em que o texto está escrito, passando pelo tipo ou género de texto, pelo vocabulário e pelo estilo ao autor, pelo tamanho e tipo de letra, até ao ambiente em que o leitor se encontra e à motivação que este sente pela tarefa de leitura.

A motivação prende-se, basicamente, com a vontade e o interesse. Portanto, é algo que pode ser suscitado por outrem. Assim, não significa o mesmo que gosto — o prazer sentido na leitura — pois este constitui um estado ou sentimento de satisfação intrínseco, que não pode ser facilmente induzido em alguém. No entanto, as crianças podem desenvolver gosto pela leitura se forem continuamente motivadas para tomar contacto com os livros.

São muitas as pessoas que descobriram o prazer de ler graças às sucessivas recomendações por parte de amigos, que souberam motivá-las através de incentivos vários, suscitando nelas curiosidade e desejo de descobrir os mundos que os livros encerram.

Ora, tendo em conta que todas as crianças têm de fazer determinado número de leituras para a escola, os pais devem assumir um papel ativo no sentido de tornar o mais positiva possível a atitude dos filhos para com essas tarefas. Dessa atitude depende, afinal, parte do seu sucesso escolar.

Assim, apresentam-se em seguida 5 estratégias que poderão pôr em prática para fazer com que as crianças sintam mais apetência pelas leituras obrigatórias:

    1. Demonstrar interesse pelo texto.
    Se os pais manifestarem curiosidade pelos textos que os filhos têm de ler, estes serão naturalmente levados a sentir pelo menos alguma vontade de descobrir os motivos por que os pais se interessaram tanto pelas suas leituras. Quando comprar um dos livros que o seu filho tem de ler para a escola, comece logo a lê-lo com entusiasmo e mostre-lhe que está a achar o texto interessante. Pode até propor que leiam algumas partes juntos, ou então ler a versão integral, no caso das adaptações, e ir conversando com o seu filho sobre as diferenças (por exemplo, entre o texto completo e a adaptação de Robinson Crusoe, de Daniel Defoe).

    2. Demonstrar interesse pela opinião da criança sobre o livro.
    Como se sabe, tempo é o melhor que os pais podem oferecer aos filhos. Se parte desse tempo for dedicado a ouvir o que eles tiverem para dizer sobre os livros que leram, esta será decerto uma forma de contribuir para que as crianças leiam com mais vontade. Se disser ao seu filho que está ansioso(a) por saber a sua opinião sobre um livro, ele terá um bom motivo não só para querer chegar ao fim da leitura como para ler com atenção e espírito crítico. O Principezinho é uma obra adequada para este tipo de estratégia, pois a sua mensagem vai sendo implicitamente transmitida ao logo de uma história aparentemente simples, mas muito sugestiva relativamente a valores e a sentimentos.

    3. Manifestar solidariedade e perseverança.
    Outra estratégia que os pais podem usar é mostrar aos filhos que também eles têm de fazer leituras obrigatórias e lidam com isso com confiança e sem dramatismos. Se confessar ao seu filho que nem sempre lhes apetece ler, mas ainda assim se empenha em criar momentos tranquilos para perseverar na leitura até ao fim, estará a transmitir-lhes a sua determinação e o seu otimismo. Pode, inclusivamente, combinar horas do dia ou da semana para se dedicarem juntos às respetivas leituras.

    4. Criar bom ambiente.
    Quanto mais ansiosos os pais se mostrarem perante a falta de vontade dos filhos para ler, pior. Em vez de ficar preocupado ou irritado com o facto de a criança se recusar a pegar nos livros, faça um esforço para se manter calmo e demonstre estar do lado do seu filho e não contra ele. A criação de um bom ambiente passa pela aplicação das estratégias anteriores e inclui zelar para que haja serenidade em casa, de maneira a que a criança tenha condições para se concentrar na leitura.

    5. Oferecer incentivos.
    Não se trata aqui de recompensar a criança quando ela faz o que é suposto, pois isso acabaria por ser um suborno (“Se leres, compro-te um presente!”) ou uma chantagem (“Se não leres, ficas sem mesada!”). Trata-se de dar ao seu filho incentivos quase insignificantes, mas eficazes, que contribuirão para que ele se sinta bem enquanto lê. Por exemplo, servir-lhe umas bolachinhas com chocolate e uma bebida, quando vê que ele está finalmente dedicado à leitura, ou levá-lo a um belo jardim para lerem juntos.

Finalmente, talvez seja bom sublinhar que também nós, adultos, sentimos por vezes pouca vontade para fazer leituras extensas e resistência perante a ideia de ler por obrigação. Os textos são objetos densos, exigentes e pouco atraentes, sobretudo numa era em que o audiovisual impera, atraindo-nos a todo o momento.

Se até nós, adultos, preferimos ver o filme a ler o livro, pode ser difícil tentar explicar a uma criança porque deve ler… Ponha-se no lugar do seu filho e procure identificar-se com os seus sentimentos. Se o fizer, decerto terá mais vontade de o ajudar a concentrar-se e a despertar nele a vontade de saber o que o livro lhe poderá oferecer.