Quanto tempo devem as crianças estar em frente aos ecrãs?

Entre televisores, computadores, tablets e smartphones, uma família pode ter em casa mais de 10 ecrãs. Quando a frequência e a intensidade de utilização são excessivas, correm-se diversos riscos que abrangem desde a saúde até ao desenvolvimento psicossocial das crianças e jovens.

É fácil imaginarmos um jovem em frente a um ecrã, com uma garrafa de refrigerante ao lado e um pacote de batatas fritas. Esta inatividade é meio caminho andado para o surgimento de complicações de saúde como obesidade, diabetes e também problemas de postura. Muitos queixam-se de dores nas costas e, quando os médicos vão explorar os motivos, percebem que passaram horas sentados sempre na mesma posição.

Para além disso, vários estudos mostram que cerca de 60% dos pais não têm controlo sobre o uso da tecnologia dos filhos e 75% dessas crianças estão autorizadas a ter equipamentos eletrónicos no quarto.

 

Impacto negativo no rendimento escolar

Em 2012, o Boston College realizou uma investigação na qual demonstrou que 75% das crianças entre os 9 e 10 anos sofriam de privação de sono.

Não é raro que os mais pequenos fiquem acordados até muito tarde e depois não se consigam levantar de manhã ou que acabem por ir para a escola ensonados. De facto, a exposição à televisão e aos jogos eletrónicos parece afetar bastante o sono de crianças e, por conseguinte, contribuir para a diminuição do desempenho cognitivo. Estes resultados corroboram, então, a hipótese de existir uma influência negativa destes equipamentos sobre o sono de crianças, sobre a aprendizagem e a memória.

Outros aspetos do desenvolvimento também poderão ser afetados pelo uso excessivo das tecnologias. Relacionarmo-nos com uma máquina é também bastante distinto do relacionamento face a face. Os jovens contestam esta ideia e afirmam que dialogam com os amigos através dos chats ou das câmaras dos computadores. Ainda assim, existe uma barreira que os impede de se desenvolverem socialmente de um modo mais saudável.

Para além disso, muitos dos conteúdos da televisão e dos jogos, são pautados pela agressividade, podendo esta constante exposição resultar em dificuldades de empatia, o que condiciona o sucesso social destes jovens.

 

É preciso estabelecer limites!

A Academia Americana de Pediatria alerta para o facto de que por cada hora que uma criança passa em frente ao ecrã perde cerca de 50 minutos de interação com os pais. Sugere ainda que os pediatras recomendem às famílias que limitem o tempo frente à televisão, naquilo a que chamam de "dieta dos media".

Cabe aos pais a tarefa de limitar o tempo de utilização das tecnologias, pois proibir não é solução. Ao invés disso, há que estabelecer um horário que poderá ser um pouco superior nos fins de semana e nas férias, mas que no resto do ano, não comprometa o estudo.

Embora cada família deva criar as suas próprias regras, os especialistas aconselham os seguintes limites máximos diários de utilização de equipamentos com ecrã:

Quanto tempo devem as crianças estar em frente aos ecrãs
Há que ter também em atenção o tema e o conteúdo dos jogos e dos programas de televisão, que devem ser adequados à idade da criança.

Para além disto, é fundamental estimular as crianças e os jovens a praticarem atividades físicas, preferencialmente ao ar livre, e a conviverem face a face com os seus pares, pois só deste modo poderão tornar-se adultos equilibrados e felizes.