Resultados dos testes: castigar ou premiar?

Muitos pais prometem comprar algo aos filhos, como prémio pelas boas notas no final do período escolar. Os presentes materiais são os mais comuns, e vão desde o objeto mais simples até ao gadget mais caro do mercado.

Enquanto as boas notas dão lugar a um prémio, as más notas, habitualmente, são punidas com castigos. As sanções incluem, por exemplo, proibir durante um certo período de tempo o acesso ao computador, à Internet ou a jogos, assim como retirar o telemóvel, não deixar sair com os amigos ou ver televisão. 

Contudo, através deste tipo de atitudes, os pais deixam bem claro que estão a valorizar fundamentalmente os resultados.

Seria bastante mais pedagógico para os mais novos que fosse apreciado o esforço, a dedicação e o empenho, ou seja, que o processo é que estivesse sob observação e não apenas o produto final.

No fundo, são os processos que dão origem aos resultados e, como todos sabemos, com frequência, alguns resultados, apesar de satisfatórios, dissimulam uma falta de organização e estratégia de trabalho.

Isto não impede que, a qualquer momento, os pais queiram reconhecer o seu trabalho e dar-lhe um prémio, mas não deve ser o elemento regulador ou o estímulo principal para o jovem.

 

Castigo ou prémio, o que os pais deverão fazer?

É claramente preferível optar pelo elogio/incentivo do que pela oferta de algo material.

O elogio fortalece a autoestima, enquanto a gratificação pode ser internamente confundida com uma compra, neste caso, a compra das notas escolares.

Além do mais, o uso excessivo da recompensa pode gerar dependências e, assim sendo, a partir de um certo momento, o aluno passa a querer atingir determinado patamar de resultados apenas porque sabe que isso lhe vai conceder privilégios especiais da parte dos pais.

Esta ideia constitui uma inversão total da mensagem que deverá ser interiorizada pelos mais novos, ou seja, é vital transmitir-lhes que deverão ter boas notas para se sentirem realizados academicamente e não pelas consequências externas que estas podem acarretar.

Há que estimular nos mais novos o gosto pelo conhecimento, a valorização do trabalho e do estudo, já que estes constituem fatores de extrema importância para o seu desenvolvimento como pessoas.

Assim, face a um resultado negativo:

  • a primeira coisa é analisar, em conjunto com o jovem, as causas que levaram a essas classificações. Este passo é essencial para encontrar possíveis soluções para a situação de fracasso escolar.
  • é importante recorrer também aos professores para a mesma análise e ter em atenção as recomendações e diretrizes fornecidas para melhorar o seu desempenho.

Caso os pais concluam que houve desinteresse e desleixo e, por isso, decidam impor uma sanção, é essencial que haja um acordo entre ambos os progenitores para que não se desautorizem mutuamente.

É preciso não perder de vista que o objetivo deve ser que o jovem adquira um sentido de responsabilidade e que perceba que os seus atos têm consequências e é preciso enfrentá-las!

Para que isto se torne possível, muito contribui também a coerência existente entre a natureza da sanção e a razão pela qual foi imposta. É muito mais lógico, por exemplo, que a punição seja organizar o dossier e passar as aulas que estão em atraso do que privá-lo de ir praticar desporto.

 

A parentalidade não é uma tarefa fácil e ninguém nos dá a fórmula mágica quando nos tornamos pais.

Conheça algumas ferramentas para lidar com os desafios diários na educação de crianças e adolescentes.

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