4.º ano: o ano que termina o 1.º ciclo. Devo preocupar-me?

“Que medo”, dizem eles. Receio talvez mais mítico do que real, para crianças e pais! O peso de ser o último do ciclo, as reminiscências sociais da antiga “4.ª classe” e o diploma que durante tanto tempo marcou o fim da escolaridade obrigatória são fatores que contribuem para este sentimento.

É, com efeito, um ano marcante de todos esses pontos de vista — do fim de uma etapa, do fecho de um ciclo — mas está longe de ser um ano com a correspondente dificuldade. Está longe de ser um ano com um salto comparável ao que se verificou do 2.º para o 3.º ano.

É um ano que exige, efetivamente, trabalho, que exige alguma persistência e treino; no entanto, se tudo correu bem para trás, é, essencialmente, um ano de desenvolvimento e um ano de consolidação.

Maior exigência na interpretação de textos (sobretudo a interpretação não direta ou inferencial), maior familiaridade com diferentes géneros de textos, maiores exigências na escrita, uma gramática com maior peso e a exigir, não apenas compreensão, mas um esforço grande de memorização.

Na Matemática, para além de se progredir no sentido de uma maior formalização, iniciada no 3.º ano, sobretudo no que respeita à numeração, operações, geometria e sistemas de unidades de medida, são os problemas que ganham o papel central: a interpretação de enunciados, a sua matematização (transposição para linguagem e conceitos matemáticos) e resolução são os desafios maiores.

Em relação ao Estudo do Meio, aumenta a carga do que deve ser “estudado” e retido como informação de base e, como temáticas, retomam-se temas já abordados anteriormente como o Espaço e o Corpo Humano, ganhando importância particular a história e geografia de Portugal e a sua inserção na Europa e no Mundo.

O importante será, ao longo deste ano, tentar equilibrar entre um certo ritmo de trabalho, bastante necessário e útil, e uma certa calma e autoconfiança por parte das crianças, importante sobretudo para enfrentar os exames finais.

O desafio é, no entanto, grande!

Hoje em dia, esta é uma idade em que as crianças despertam já para muitas coisas e as relações entre pares começam a ser o centro das suas preocupações e atenções: exibir-se para tentar um lugar de destaque no futebol, demonstrar a sua força e se possível ser o mais forte nas guerras entre grupos, saber o nome e entoar as músicas das bandas da moda, saber as coreografias das irmãs ou irmãos mais velhos, cuidar da sua imagem, ser “popular”, são comportamentos que dominam já a vida destas turbulentas e enérgicas crianças.

A conciliação entre esta forma de estar e o necessário esforço e concentração para o trabalho escolar é, pois, o maior desafio que se coloca a pais e educadores.

A par do exercício físico, que desempenha, nesta fase, um papel educativo importante, o desenvolvimento de regras é também crucial, para que as crianças cresçam de forma saudável e segura.

Embora reajam a elas, por vezes até de forma veemente, as regras desempenham um papel fundamental na estruturação destes “pré-adolescentes”, dão-lhes segurança e facilitam a sua relação futura com os outros, sejam adultos ou pares.

A disponibilidade para os ouvir e a confiança que devem sentir para falar de forma aberta, franca e sem preconceitos com os adultos que estão mais próximos de si, como acontece com os pais e professores, é, nesta fase, uma condição essencial para que o seu crescimento ocorra de modo mais equilibrado e seguro.