Chegou o 1.º ano. E agora?

A entrada na escola é um momento sempre significativo na vida das crianças e das famílias — mesmo quando a criança já frequentou uma instituição pré-escolar, o que acontece hoje em mais de 90% dos casos.

Na entrada para o 1.º ano, há que aproveitar o entusiasmo da criança, no que isso representa de vontade de aprender, de avançar e evoluir, de crescer, não deixando que os receios e os medos do desconhecido se apoderem dela e lhe criem uma ansiedade que se pode tornar paralisante.

Os tempos que antecedem e acompanham a entrada na escola devem, pois, ser vividos de uma forma calma, serena, mas também entusiástica e encorajante para a criança. Contudo, há duas preocupações que devem estar presentes em quem, mais de perto, acompanha a criança.

 

A primeira refere-se ao equilíbrio que tem de ser encontrado entre o gosto e o prazer na aprendizagem, que importa manter ao longo de todo o percurso escolar, mas, também, a noção de esforço e de trabalho que tal exige.

Muitas crianças têm uma ideia quase “mágica” da aprendizagem. De tanto ouvirem dizer “vais para a escola, vais aprender a ler” ficam, de algum modo, convencidas de que ao fim de um dia ou, na pior das hipóteses, ao fim de uma semana ou duas estarão a ler. No entanto, o caminho é longo, e é esse esforço, esse afinco, essa tenacidade, sem perda do entusiasmo, que têm de ser aprendidos e trabalhados com a criança.

 

Uma segunda preocupação, ligada à anterior, e justamente para que o interesse e entusiasmo da criança se mantenham, é a necessidade de se mostrar em casa quanto se valoriza a escola, a aprendizagem, o estudo e a própria cultura.

Para isso, os adultos que vivem com a criança devem envolver a criança num ambiente culturalmente rico e desafiador, no qual a leitura, a escrita e a matemática estejam presentes de uma forma forte e viva — através da leitura para si próprio, da leitura para a criança, dos registos de carácter funcional ou lúdico, dos desafios à leitura e interpretação do real.

Finalmente, importa que em casa e na escola se mantenha uma atitude permanente de troca de informações e de diálogo, de modo a que a criança sinta que um “lado” e o “outro” colaboram e cooperam no sentido do seu bem-estar e do sucesso na sua aprendizagem.

 

Bom ano escolar!