E agora, o que fazer com os filhos nas férias?

Com a chegada do verão e acabadas as aulas, muitos pais defrontam-se com um problema: o que fazer com «eles». Sim, eles, os filhos.

Com as férias dos progenitores reduzidas a 22 dias úteis, vivendo numa casa com espaço muito limitado, os problemas começam a somar-se. Como os entreter?

Se ficam em casa agarram-se às consolas ou ao computador, passam as férias todas a fazer o mesmo que aos fins de semana: a olhar para o ecrã e ao fim de uns dias já estão aborrecidos. E com razão.

Qual então a alternativa? Para a maioria dos pais, que vive em meios de natureza e configuração urbana, a opção é deixá-los um pouco «ao Deus dará». Os amigos moram longe e torna-se difícil (e perigoso) os filhos andarem de um lado para o outro. Família? Ou não vive perto ou também trabalha e não está disponível.

É então que vêm à memória as aventuras que lemos (ou até vivemos) sobre os campos de férias ou nos ATL que as escolas organizam para as interrupções letivas.

Será que existem iniciativas dessas que sejam acessíveis, em preço e condições, para que os nossos filhos passem uns dias alegres e estimulantes? Será que a ideia vai ser bem aceite? A resposta é sim, e desde a escola que os vossos filhos frequentam até à Internet, alguma resposta positiva, estimulante e exequível vão encontrar.

Está decidido. Campo de férias ou ATL com eles. E agora?

Partindo do princípio que as crianças se mostram entusiasmadas com a ideia, há inúmeras possibilidades: além da escola, o Instituto da Juventude, o INATEL, as paróquias e freguesias, os escuteiros e mais uma série de instituições públicas e privadas têm atividades e campos de férias, ou podem pelo menos dar as informações necessárias.

Uma vez arranjado um ATL, por exemplo, deverá haver algum compromisso de as crianças o frequentarem com regularidade e aproveitarem o mais possível o que lhes é oferecido. Os pais devem falar com os filhos para explicar o que vão fazer, deixar alguns graus de liberdade nas escolhas das atividades e deixar bem claro que ir à escola já não é o «ir à escola» dos restantes nove meses.

Quando a opção recai sobre um campo de férias, com dia marcado para a partida, gera-se uma grande excitação nas hostes infantis e enquanto se prepara a mala começa-se a pensar mais maduramente no assunto e o entusiasmo esfria um pouco.

Vêm à cabeça palavras como «acidentes», «comida intragável», «afogamentos», «SIDA» e «drogas» para os adolescentes, crises de asma e alergias para alguns, enurese para outros, que dinheiro lhes dar, que conselhos lhes transmitir e, claro, também a palavra «saudades».

Mas, atenção, risco não quer dizer obrigatoriamente realidade e se se começar a levantar todo o tipo de problemas, medos e papões, os filhos vão com certeza (e com razão) perguntar que confiança afinal têm os pais neles ou então para que sítio tenebroso é que os estão a enviar.

O conselho mais importante

Para mim, o conselho mais importante é: que se divirtam, que aproveitem não ter os pais por perto e que os pais também aproveitem não ter os filhos por perto.

Se os pais escolheram bem o campo de férias, se têm confiança nos monitores e restantes pessoas que vão com os filhos e se estão com vontade que eles vão, deverão resistir à tentação de lhes telefonar constantemente, de, pior, os ir visitar ou, ao contrário, de lhes exigir que sejam eles a telefonar com uma assiduidade maior do que o que é normal (que é apenas «de vez em quando»).

Os telemóveis NÃO são bem-vindos numa situação destas! Convém relembrar aos progenitores que os filhos não irão estar sozinhos, que os monitores que os acompanham sabem do ofício e que há recursos um pouco por todo o lado para fazer face a alguma situação de emergência.

Por outro lado, muitos pais prolongam desnecessariamente as despedidas, criando angústia. Se a decisão foi de os enviar para o campo de férias, não é à última da hora que se vai repensar todo o assunto.

Algumas (geralmente pequenas) contrariedades e outras dicas úteis

Podem ocorrer alguns (geralmente pequenos) problemas, como acidentes, que são sempre uma ameaça para as crianças, inerentes à mudança de uma vida rotineira para uma vida mais «à solta», em ambientes mais ambíguos (e eventualmente mais perigosos) e à sensação de liberdade associada a uma estadia fora da alçada dos pais.

É bom que pais e educadores falem com as crianças dos cuidados que têm de ter, mas de uma maneira agradável. Não lhes atiremos à cara conselhos paternalistas ou dados estatísticos, porque provavelmente a conversa entrará por uma orelha e sairá pela outra.

Os cuidados a ter com o sol (protetores, uso do chapéu, óculos de sol, etc) são uma matéria prioritária.   

Em termos de alimentação, depende um pouco se as crianças são do género de «comer de tudo» ou do tipo «esquisito». A comida do campo de férias não vai ser igual à que é servida num restaurante de luxo, mas a menos que a criança tenha alguma alergia bem definida não há que ter grandes preocupações em saber o que se vai passar pois alguma coisa hão de comer. Virão mais magros? Até pode acontecer que sim. Se isso é preocupante? De forma nenhuma. É sinal que gastaram energias, que se divertiram. Comem o que houver e pronto. E quem tem mesmo fome, não desdenha comida.

No que respeita à «farmácia» a levar, o assunto deverá ser debatido com os pais, mas certamente não valerá a pena carregar as mochilas ou as malas com medicamentos que podem nunca vir a ser necessários, sobretudo se houver (como deve haver) apoio médico no campo de férias.

No caso de crianças e jovens com medicação crónica (asma, diabetes, epilepsia, etc.), é fundamental enviar o número de embalagens ou frascos necessários, contando por excesso, pois podem perder-se alguns.

Finalmente, em relação à roupa e ao dinheiro há uma medida que é igual para as duas coisas: nem muita nem pouca. Roupa suficiente, um agasalho, coisas muito práticas, que se possam sujar e até eventualmente estragar. Dinheiro: nem tanto que dê para esbanjar, nem tão pouco que os faça fazer fraca figura em frente aos amigos... ou que os leve a tentar arranjá-lo através de outros expedientes.

Que mais dizer? Resta acrescentar que uma das principais vantagens dos campos de férias é permitir aos pais estarem novamente a sós, aproveitarem a situação o mais possível, partindo do princípio — inegável até prova em contrário —, de que os filhos estão bem entregues.

E chegou a altura de os pais se sentirem novamente como namorados, aproveitarem o tempo, divertirem-se e fazerem planos diferentes da rotina diária. Não é todos os dias que se tem uma oportunidade de ouro como esta, pois não?