O que fazer quando somos chamados à escola?

O que são situações-limite na escola? É quando somos chamados porque o nosso filho se portou mal? É quando somos chamados porque o nosso filho não tem bom aproveitamento? É quando somos chamados porque o nosso filho foi agredido por um colega? Sim e não! Vamos só refletir sobre estes três cenários.

- Quando somos chamados porque o nosso filho se portou mal

A maior parte das vezes temos dificuldade em acreditar que a criança ou adolescente seja malcriada, tenha problemas de comportamento, seja agressiva. “Ele em casa não é assim…”, é a nossa primeira desculpa. Talvez seja e nós nem nos apercebemos. Mas, muitas vezes, o que eles fazem na escola nada tem que ver com a educação que recebem em casa. Quantos professores se surpreendem quando conhecem os pais e se apercebem que o comportamento do aluno não tem nada que ver com o dos pais? Outras vezes, os docentes confirmam o pior: sim, a culpa é mesmo dos pais.

É preciso medir bem o que nos é dito pela escola e avaliar: é realmente grave o que aconteceu? Por vezes, os professores esperam que os pais resolvam situações que se passam na sala de aula. “Ele fala muito, não se cala e fala muito alto”, queixa-se o docente. “Mas acontece com todos os professores? Ele é o único que se comporta assim?”, perguntam os pais. “Não, isso acontece só com a professora de Ciências”, responde a diretora de turma. O problema ficou identificado, mas isso não significa que os pais se demitam. Chegados a casa é preciso falar com o filho, informá-lo de que reuniram com a escola, que não querem voltar a ser chamados e que ele sabe e consegue falar mais baixo e com mais respeito. “Mas a professora é…” “Não interessa”, respondem os pais. “Ensinamos-te a respeitar os adultos; a professora tem razão.”

Mesmo que concordemos com o nosso filho, devemos mostrar-lhe que estamos do lado da escola, que, se a escola exige um comportamento, ele deve corresponder.


- Quando somos chamados porque o nosso filho não tem bom aproveitamento
 

Neste caso, os pais esperam que a escola tenha uma proposta — aulas de apoio, um plano próprio, etc. — ou sugestões para serem concretizadas fora do horário escolar — explicações, apoio psicológico, terapia da fala, etc.

A falta de aproveitamento não é um problema só do aluno, mas de todos. Primeiro, é preciso identificar porque não está a criança a aprender — não vê bem? Não ouve bem? Tem dificuldade em compreender? Não consegue estar com atenção? Os professores podem ajudar os pais a identificarem o problema, mas este também pode ser detetado por outro profissional, como o pediatra ou o psicólogo.

Ele tem insucesso porque não estuda e não faz os trabalhos para casa (TPC)? Não cabe aos pais fazer os TPC com os filhos ou dar-lhes explicações, mas estar atentos. “Já fizeste os trabalhos de casa? É preciso sentar-me ao teu lado para que os faças? Mostras-me os teus cadernos para ver se tens feitos os sumários e estás atento às aulas? Puseste na mochila todos os livros de que precisas? Arrumaste os TPC?” Em suma, aos pais, repito, não cabe explicar matéria ou fazer trabalhos, mas dar todas as condições para que os filhos os consigam fazer e estar atentos.

Enquanto o seu filho estuda, é natural que surjam dúvidas. Recorrer a livros de apoio multidisciplinares permite que o aluno consolide as aprendizagens e ultrapasse as dificuldades que possa sentir.

 

- Quando somos chamados porque o nosso filho foi agredido por um colega

Não esperamos que tal aconteça, mas temos de compreender o porquê. Em que contexto se passou? O que vai fazer a escola para que tal não se repita? Este foi um incidente único ou repetido? O nosso filho está em segurança?

Em situações de bullying deveriam ser os agressores a ser afastados das vítimas, e as escolas fazem-no, mas nem sempre da melhor maneira. Estes são castigados, podem estar uns dias suspensos, mas regressam, e, nessa altura, não é possível ter um funcionário para cada agressor ou para cada vítima. Por isso, muitos pais das vítimas acabam por tirar os meninos dessa escola, de modo a protegê-los.

E há um trabalho que os pais podem fazer com a ajuda de especialistas; pode ser o psicólogo da escola ou o pediatra: apoiar a criança e ajudá-la a ganhar confiança e autoestima, de modo a não voltar a ser vítima, nem tão-pouco agressora.

Concluindo, em todas as situações, nestas ou noutras, os pais devem agir com bom senso. Jamais partir para a agressão, mas perguntar o contexto em que as coisas se passaram, saber se são comportamentos que se repetem, saber o que está a fazer a escola, perguntar o que quer a escola que os pais façam. Existe sempre um trabalho colaborativo do qual nenhuma das partes se deve demitir. Para que os pais não voltem a ser chamados à escola!

 

 SUGESTÃO DE LEITURA 

O meu filho fez o quê???

Seja para ajudar a escolher a melhor escola (ou jardim de infância), a preparar o ano letivo, a participar em reuniões ou a agir em situações-limite (bullying, violência, queixas de professores ou de pais, etc.), este livro é um verdadeiro guia que orienta os pais pelos longos e por vezes confusos corredores da vida escolar.

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