Escola, turmas, ciclos… Saiba como ajudar o seu filho a lidar com a mudança

Algumas crianças começam a sentir o “bichinho” alguns meses antes, outras deixam-se estar na apatia até ao dia “D”. As primeiras ficam numa ambivalência entre sentirem-se excitadas pela novidade e apreensivas… pela novidade. As segundas “curtem” o dia a dia e quase só dão por estarem no 1.o ano quando começam as aulas.

As expectativas que se colocam a cada criança, quando se põe a questão de começar o 1.o ciclo, são muitas. Cada vez mais há uma continuidade entre o ensino praticado no jardim de infância e o do 1.o ciclo, mas a entrada na “escolaridade obrigatória” é um marco e, de facto, há uma diferença qualitativa e quantitativa entre as duas fases.

 

A entrada na escola aos 6 anos é o ideal?

O ideal seria cada criança entrar no 1.o ciclo quando tivesse maturidade para tal  e essa idade difere muito de criança para criança, como, aliás, todo o desenvolvimento infantil. Sendo impossível avaliar essa idade individualmente, as leis e normas têm de estabelecer um padrão médio que sirva mais ou menos para todos.

Por outro lado, o sistema de ensino também tem de se adaptar a cada criança e não apenas o contrário, ou seja, não deverão ser exclusivamente os alunos a moldarem-se à escola, mas esta a compreender cada um e oferecer um sistema de ensino que atenda às características biológicas, psicológicas e sociais de cada qual. No fim de contas, é a afirmação de que o ensino não deverá ser “massificante”, mas sim específico.

Seis anos (sem ser taxativo e dependendo da criança em questão) parece ser uma boa idade para a entrada no 1.o ciclo. Custa pensar que aos 6 anos se está a programar todo um futuro, mas a realidade dos factos é essa, e a ligação do sistema de ensino aos sistemas social, laboral, empregador e de lazer é essencial.

 

A mudança de ritmo e de responsabilidade

A entrada na escolaridade obrigatória é um passo enorme na vida da criança porque corresponde à passagem do “tempo de brincadeira” para o “tempo da aprendizagem”. As crianças já aprendem muita coisa antes da escola — até porque o ensino da “vida e das coisas” se faz em casa e na comunidade —, e também o tempo passado na escola não é de “trabalhos forçados”; há tempo para jogar, brincar e divertir-se.

Mais: o próprio processo de ensino-aprendizagem tem de ser feito, cada vez mais, de uma forma lúdica, ou seja, através de jogos e de um ambiente despreocupado e alegre. No entanto, é bom que as crianças sintam que esta entrada lhes vai trazer maiores responsabilidades. É bom que aprendam e saibam que a vida é uma relação de cooperação, o que implica trocas de serviços e um “negócio” bom para todos.

É preciso, também, que se habituem à ideia de que os seus atos têm consequências e que terão de fazer as coisas, mesmo as menos agradáveis, por si e pelo seu presente e futuro, e não apenas porque têm de obedecer aos pais e professores ou para lhes agradar.

Estudar, por exemplo, deve ser visto pela criança como uma forma de conseguir mais oportunidades e maiores opções quando chegar a altura de fazer escolhas profissionais e de estilos de vida.

Gostar da escola, no que ela tem de ótimo e de menos bom (na perspetiva da criança) é essencial para se aprender a lutar pelo que se quer. O brio e a vontade de vencer (num espírito de competição saudável) sedimentam-se nesta idade.

 

Acompanhar a mudança com um ritual de passagem

Por isso é tão importante que a entrada para a escola se faça acompanhar de um ritual, que o primeiro dia de escola seja comemorado pela família e pelos amigos, que se institua uma semanada, e que a criança sinta que venceu mais uma etapa na sua vida.

Daqui para a frente será necessário um seguimento e acompanhamento das atividades escolares. Sem exigir que a criança saiba tudo no primeiro dia, é bom registar e aplaudir cada progresso e detetar eventuais atrasos –– para isso, é essencial uma ótima relação de respeito e de parceria entre os pais e os professores.

Muitos dos insucessos educativos começam na incompreensão das razões da escolaridade e de certas matérias, quantas vezes ensinadas de forma totalmente desligada dos assuntos correntes da vida da criança.

Apoiemos, pois, as crianças nesta fase da sua vida e não tenhamos medo —, pelo contrário, tenhamos orgulho, pais e professores , de elas serem, agora e no futuro, muito melhores do que nós fomos ou somos.