2021-06-18

Valter Hugo Mãe vence o Grande Prémio de Romance e Novela da APE/DGLAB

Decisão anunciada hoje distingue Contra mim, a mais recente obra do autor

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A Porto Editora felicita o autor Valter Hugo Mãe, vencedor da edição de 2020 do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB), com a sua obra Contra mim.

O júri, coordenado pelo ensaísta José Manuel de Vasconcelos e constituído ainda pelos professores, investigadores e escritores António Pedro Pita, Carlos Mendes de Sousa, Manuel Frias Martins, Maria de Lurdes Sampaio e Rita Patrício, escolheu o livro de Valter Hugo Mãe de entre as 61 obras apresentadas a concurso. Em comunicado citado pela Agência Lusa, o júri sublinha "qualidade de construção narrativa, na cuidada arquitectura do texto, e pela expressividade poética da linguagem, na poderosa evocação de tempos e de lugares da infância".

"Esta escrita recria, sensível e ironicamente, o olhar comovido da criança, na descoberta do mundo e das palavras, e nesse gesto de resgate podemos ler a projecção de um autor a desenhar-se perante os seus leitores", pode ainda ler-se no mesmo comunicado da Associação Portuguesa de Escritores.

Publicado em outubro de 2020, Contra mim nasce como um exercício de confronto com memórias distantes, como quem regressa a casa depois de prolongada ausência. Uma obra que é também uma procura das nossas grandes crianças, as que começámos por ser e que caducaram, partiram, tantas por ofensa, tantas apenas por esquecimento. Olhos nos olhos com a infância, o autor procurou as memórias de África, das primeiras palavras, da escola e da vida em Paços de Ferreira, da descoberta da amizade e da poesia, da mudança para as Caxinas e da família.


SOBRE O LIVRO

Estamos sempre à procura das nossas grandes crianças. Essas que começámos por ser e que se tornam paulatinamente inacessíveis, como irreais e até proibidas. Crianças que caducaram, partiram, tantas por ofensa, tantas apenas por esquecimento.

Na vida de alguns escritores tudo parece conspirar para a inevitabilidade da escrita. Cada detalhe, por mais errático ou disfarçado de desimportante, já é a construção do fascínio pelo texto, algo que se confunde com a sobrevivência, com toda a dificuldade e alegria.
Valter Hugo Mãe, num "ano introspectivo", como diz, regressa com a história da sua própria infância e a magia profunda de crescer fazendo das palavras alimento, companhia, lugar, espera ou bocados de Deus.
Este livro é uma criança às páginas. Um escritor em menino.


~ SOBRE O AUTOR

É um dos mais destacados autores portugueses da atualidade. A sua obra está traduzida em variadíssimas línguas, merecendo um prestigiado acolhimento em países como o Brasil, a Alemanha, a Espanha, a França ou a Croácia. Publicou sete romances: Homens imprudentemente poéticos; A desumanização; O filho de mil homens; a máquina de fazer espanhóis (Grande Prémio Portugal Telecom Melhor Livro do Ano e Prémio Portugal Telecom Melhor Romance do Ano); o apocalipse dos trabalhadores; o remorso de baltazar serapião (Prémio Literário José Saramago) e o nosso reino. Escreveu alguns livros para todas as idades, entre os quais: Contos de cães e maus lobos, O paraíso são os outros, As mais belas coisas do mundo e Serei sempre o teu abrigo. A sua poesia encontra-se reunida no volume publicação da mortalidade. Publica a crónica Autobiografia Imaginária, no Jornal de Letras, e Cidadania Impura, na Notícias Magazine. Coordena ainda a coleção de poesia elogio da sombra, publicada pela Porto Editora.